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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

TRISTE FIM DA CANDIDATURA DOS ORTIZES


Por Antonio Barbosa Filho

Nem mesmo um dos publicitários mais caros do mundo, Duda Mendonça, conseguirá tirar a candidatura dos Ortizes, pai e filho, do atoleiro em que foi metida pelo Ministério Público de São Paulo. Ao denunciar a ambos por corrupção, pedindo o bloqueio de seus bens, suspensão dos direitos políticos por oito a dez anos, perda da função pública que estiverem exercendo e a devolução do dinheiro desviado da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação (acrescido de multa), os zelosos representantes da Promotoria Pública enterraram os sonhos de mais quatro ou oito anos de poder para a família Ortiz.

Não há como Duda Mendonça conseguir reverter o quadro: o candidato que o contratou é um suspeito de crimes graves, pode tornar-se réu nos próximos dias, e Taubaté jamais elegerá outro prefeito atribulado com oficiais de Justiça na porta, intimações para depor em São Paulo, quem sabe até camburões rondando o Gabinete ou sua residência. Só mesmo um eleitor que não liga para a corrupção na Política votaria num suspeito de crimes tão graves.

Segundo o inquérito do Ministério Público, agora entregue ao Poder Judiciário, Ortiz Júnior foi quem procurou as empresas Capricórnio, Diana Paulucci e Mercosul Comercial, fornecedoras de materiais escolares para a FDE, oferecendo sua ajuda para vencerem licitações públicas. Em troca, teria pedido 8 milhões de reais de propina "para usar em sua campanha eleitoral", segundo afirmam as testemunhas ouvidas na investigação.

Depois de muitas negociações, o valor teria caído para "apenas" R$ 1 milhão e 740 mil reais, dinheiro que Juninho recebeu em São Paulo e trouxe para Taubaté numa mochila. Ele e seus acompanhantes pararam num restaurante da Rodovia Airton Senna para um lanche, e Juninho foi visto segurando a mochila, que trouxe a sua mesa e ficou vigiando, aparentando nervosismo. Não se sabe se ele tinha medo de ser roubado, ou medo de ser apanhado com aquela fortuna suja que jamais poderia explicar.

O fato que todos os taubateanos comprovam é que jamais se viu uma campanha tão milionária na cidade. O marqueteiro Duda Mendonça costuma fazer campanhas para presidentes da República e governadores, e não são muitos políticos que podem pagar o que vale. Provavelmente esses 1,7 milhão de reais sejam apenas uma pequena parte do que Juninho conseguiu arrecadar com a ajuda de seu pai e da FDE (que tem orçamento anual de 3,5 bilhões). Hoje os Ortizes são suspeitos de corrupção, e esta mancha enterra qualquer político. Quem sabe, depois de cumprir suas penas, Juninho possa tentar novamente...

IRANI

Os fatos mostram que Irani Gomes de Lima cumpria seu dever profissional ao publicar aqui, com absoluta exclusividade, desde outubro de 2011 (http://www.iranilima.com/2011/10/bomba-bomba-ortiz-junior-mantem-reuniao.html), as informações que obtinha de suas fontes próximas ao processo. Foram cópias de documentos, transcrições de telefonemas feitos entre Juninho e seu amigo íntimo, o lobista Djalma dos Santos, e outras pistas fundamentais para que os leitores entendessem os fatos na sua crueza.

Por agir com seriedade e sem rabo-preso, Irani recebeu ameaças e gozações. Alguém disse que ele fazia "ilações" sobre o caso - creio que foi Joffre Neto, sempre atento às questões da Ética na política quando ela é agredida por seus adversários. Com certeza, Joffre será o primeiro a levantar-se contra os atos praticados pelos Ortizes, pai e filho. E também saberá pedir desculpas ao Irani, hoje hospitalizado devido às tensões provocadas por uma luta honesta e quase solitária.

O que alguns, inclusive jornalistas a serviço de Juninho, terão que engolir é isso: Irani Gomes de Lima estava certo!