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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ELEITOR DEVE ENCAÇAPAR MENOS
PIOR PARA TAUBATÉ, DIZ JORNALISTA

O jornalista e escritor Carlos Karnas lavrou o texto abaixo sobre o segundo turno das eleições municipais em Taubaté, a meu pedido. Karnas aponta as fragilidades e a rede de influências que cercam Isaac do Carmo (PT) e Ortiz Júnior (PSDB) e pede maior exposição dos candidatos a vice-prefeito.

Aqui, o texto de Karnas.

Irani. Fico feliz ao ver você de volta ao seu Blog e respondendo e-mails. Isso é maravilhoso. Fica forte, companheiro.

Você me instiga a escrever algo sobre o segundo turno. O que induz o meu sentimento é o seguinte:

Já esbocei - ou tentei esboçar - texto sobre este singular momento político taubateano. Confesso que me dá certo incômodo. Para qualquer lado que se vá ele não é digestivo. Não vejo perspectivas nobres, honradas e sadias como Taubaté merece. Eu tenho profundo apreço e admiração pela cidade e pelos amigos sinceros que nela vivem, que me afagam e com todos confraternizo. Sou intransigente em defesa de todos os valores taubateanos. Entretanto, o poder político que está nas entranhas de Taubaté é caudilhesco e intolerável.

Nestas eleições, alguma oxigenação moral e política teve efeito aqui no Vale. São José dos Campos é exemplo. Também o crescimento do PT e o engessamento do PSDB no amplo cenário político regional. O mesmo poderia ter acontecido em Taubaté e a sua honra. Mas não é essa a realidade que percebo. Parece-me que a cidade continua indecisa entre a monarquia e o republicano. E nessa sua indecisão, importantes momentos vão passando sem que a cidade e a população retomem com vigor o ideal de integridade e de honestidade que devem compor a singularidade do cidadão de bem. Por tudo o que vem acontecendo em Taubaté, nestes últimos sofridos anos políticos, parece que a cidade se conforta em conviver com o venal, com o crime, com a corrupção, com a má política e aceita a condição de chacota nacional. Pois eu entendo justamente o contrário: Taubaté não deve nunca ser alvo de zombarias. Não é a cidade zombeteira, mas, sim, determinados políticos que praticam o escárnio e mancham o honrado nome de Taubaté. Esse cenário voltou a ser visível e escancarado nestas eleições. A preferência do eleitorado - manipulado por fantásticas e caras campanhas eleitorais - tendeu para dois candidatos: Ortiz Jr. (PSDB), denunciado diretamente por prática de crime e réu na Justiça; e Isaac do Carmo (PT), sindicalista sem expressão e que não pode sustentar a metade do que fala sobre a sua atuação no meio trabalhador. O que os dois candidatos já realizaram por Taubaté? Nada.

Taubaté ficou numa sinuca de bico para o segundo turno destas eleições.

Isaac do Carmo (PT) ou Ortiz Jr. (PSDB) têm fardos pesados para carregar. São candidatos jovens, têm vitalidade. Só. Foram e são sustentados por máquinas oficiais ou sindicais e por influências de caciques políticos históricos nesta campanha eleitoral (Isaac, por Ary Kara José, e Ortiz Jr., pelo pai Bernardo Ortiz - defenestrado da Fundação para Desenvolvimento da Educação por improbidade administrativa e, juntamente com o filho candidato, acusado de lesar os cofres públicos do Estado). E não adianta os Ortizes atiçarem seus rancores conhecidos para desdizer o que está dito e posto. As acusações do Ministério Público e aceitas por juiz da Vara da Fazenda de SP têm pé e cabeça. Se não tivessem elas não teriam seguido adiante, os Ortizes não teriam seus bens bloqueados, Bernardo Ortiz não teria sido defenestrado da FDE pelo seu grande amigo governador Geraldo Alckmin e as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça não teriam maiores consequências. Mas há fundamentação de crime. E crime sério, de magnitude similar ou maior ao praticado pelo atual prefeito Roberto Peixoto (PMDB), corrupto e da pior administração da cidade, que foi sustentado pelos partidos que abrigam os candidatos Isaac do Carmo e Ortiz Jr.

Agora, pela suas frágeis vivências públicas, os dois candidatos do segundo turno estão obrigados a qualificar suas posturas públicas. Mas como? Como se eles nada fundamentam? O caso de Ortiz Jr. é mais emblemático: até poderá ganhar a eleição e até poderá ser condenado pela Justiça e sair algemado da Prefeitura. Que situação!

Faltam-lhes transparência e, principalmente, personalidade. Personalidade, palavrinha mágica. Ortiz Jr. - e é bom repetir - está nas barras da justiça, denunciado e já reú, como propineiro, ímprobo, com bens bloqueados, com honra e conduta moral enxovalhadas pela própria Justiça. Conseguirá safar-se dos incriminamentos? Isaac do Carmo é esquálido, quando tenta se valorizar metalúrgico e na atuação sindical. Seus próprios companheiros o repelem. Nenhum dos dois candidatos consegue se estabelecer na política com altivez, muito menos na vida pública, pois nada realizaram por Taubaté. Nunca. Os dois, do quase nada que praticaram na política, estiveram mais do lado errado. Sustentaram o atual prefeito até o final. Isaac não apoiou a vice Vera Saba na possibilidade de ela assumir a prefeitura, caso Peixoto fosse cassado ano passado. Ortiz Jr. e Isaac estão dependentes dos alienígenas. De um lado Geraldo Alckmin, o amigo de Ortiz Jr. e conivente, até onde pode, com Bernardo Ortiz nas irregularidades da FDE e nas mãos da Justiça. De outro lado, Lula, ex-presidente que não pode e não deve mais interferir e apregoar tudo o quanto interferiu e apregoou para Isaac. Praticou mentira eleitoreira e atualmente seus mais íntimos correligionário são réus e estão sendo condenados pelo Superior Tribunal Eleitoral no caso do Mensalão. Os dois candidatos de Taubaté abusam de jeitinhos nacionais típicos e desprezam obrigações, responsabilidades e compromissos altivos de quem deverá assumir a cadeira de prefeito, com altivez e independência, mas com justiça social.

Onde há moral nisso tudo? Esses dois candidatos podem se safar desses pesos indigestos todos? Pior que podem.

Eis o caciquismo e o poder de mando, o eleitoreiro que não dignifica nem resolve o que precisa ser resolvido na cidade. Os candidatos, por não terem personalidade pública, induzem Taubaté a também não ter personalidade. O eleitor taubateano quis assim no primeiro turno. Agora, que encaçape o menos pior.

Ortiz Jr., sustentado pelo marketing, se faz de bom moço e alimenta o fantasioso para Taubaté. É midiático, sem conteúdo qualquer. Isaac, já no início da campanha, deixou escapar que seu partido não tinha nomes capazes para compor o quadro de governo municipal. Abriu brecha para invasões estranhas a Taubaté.

Na atual conjuntura, o que for escolhido sempre estará subjugado: Ortiz Jr. pelo pai e grupo de mando; Isaac do Carmo por Ary Kara José e grupo de mando. Daquilo que prometeram e prometem em campanha nada poderá ser efetivado no conjunto total. Não haverá dinheiro suficiente para tanto e o grosso das promessas é em cima de recursos e parcerias que são muito mais falácias. Mas, o povo taubateano de boa índole, ou ingenuamente, está a acreditar em tudo o que lhes é falado. Fazer o quê!

A única tangente mais honesta e honrada na composição dos dois candidatos a prefeito são os seus vices. Ortiz Jr. jamais deu espaço para o seu vice aparecer e se manifestar para a população. Quem sabe o nome dele? Isaac do Carmo da mesma forma: pouco propiciou a aparição de Rubens Fernandes, o vice. Entretanto, se há alguém que pode demonstrar o quanto realizou por Taubaté e outros municípios da região, Rubens Fernandes pode.
O ideal seria, neste momento, que os nomes dos vices ficassem expostos para o referendo final. Seriam nomes que não estão a comprometer Taubaté.

Bem, Irani, num fôlego é o que exponho neste momento. Muito mais está para acontecer. Lamento por Taubaté. A população trabalhadora, honrada e anônima continuará dando sustentação ao município, afastada dos conluios políticos, sem qualquer justiça social. Os espólios continuam sendo praticados impunemente. O processo democrático é longo e tenebroso, especialmente onde impera o caudilhismo.

Carlos Karnas