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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MAIORIA DOS ELEITORES REJEITOU
A CAMPANHA MILIONÁRIA DE ORTIZ JR

Por Antonio Barbosa Filho

Os tucanos já estavam com o champanhe gelando, os canapés de salmão e o gazpacho preparados, mas não foi desta vez. Acontece: às vezes o povão derrota até o Duda Mendonça, principalmente quando o produto vendido é ruim.

Bem que os convivas tentaram achar algum outro motivo prá comemorar, mas o PSDB diminuiu no país inteiro, a moderna São José dos Campos mudou de lado, e o Haddad saiu dos 3% para o segundo turno em São Paulo, sob as benções do Lula ("ué, perguntavam-se as madames tucanas, aquele peão nordestino e analfabeto não morreu ainda?").

Taubaté, pela maioria de seus eleitores, disse NÃO ao "tudo de novo". O eleitor gritou: "Chega de corrupção, de autoritarismo, de prefeito fugindo de juízes e promotores, de camburões no pátio da Prefeitura ou na casa do prefeito!".

Chega de boneco fabricado para herdar o trono; chega de dois prefeitos em um; chega de esnobismo caipira e de preconceito contra o povão: Taubaté quer entrar no século 21, crescer com o Brasil, na Economia, mas também na Justiça Social. Não podemos continuar sendo um fazendão dominado por uma única família, passando o poder como se a Prefeitura fosse hereditária.

Os candidatos Antonio Mário, Padre Afonso e Jenis Andrade estão de parabéns. Prestaram um grande serviço à cidade e à Democracia. O mesmo deve ser dito de todos os candidatos a vereador, os eleitos e os que apenas participaram do pleito: Política é isso mesmo, temos que participar, defender ideias, arejar o debate e informar ao povo - fonte de todo o Poder.

Cabe a esses líderes, de todos os partidos, unirem-se agora para mudar Taubaté e livrá-la de mais quatro anos de crise política. Queremos um prefeito que sente-se na sua cadeira e enfrente os problemas da cidade sem estar atormentado pelos oficiais de Justiça na ante-sala, sem gastar dias depondo nos fóruns da capital, sem ter que se enfiar em ambulância para escapar da polícia. Já vimos tudo isso, e não queremos isso "tudo de novo".

ZERO A ZERO

O segundo turno é uma nova eleição. Os dois candidatos terão o mesmo tempo de TV. Já percorreram toda a cidade, e continuarão a fazê-lo, mas agora já são conhecidos de todos. Apenas o Júnior ainda tem seus segredos que parte dos taubateanos ainda não conhece. Os processos contra ele na Justiça, por corrupção, ainda não chegaram ao pleno conhecimento de milhares de taubateanos. 

Há também os que conhecem a situação dramática dos Ortizes (com seus bens bloqueados pela Justiça, ou seja, não podem vender um par de sapatos usados, e o pai Bernardo proibido de voltar à FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação - por oito meses, tempo em que o juiz estará ouvindo os réus e testemunhas num processo que envolve "apenas" 139 milhões de reais), conhecem, mas não acreditam. Parece mesmo incrível que alguém que tanto falava em honestidade acabe réu num processo cheio de provas de roubalheira. É triste, mas é o que acontece.

Começou o novo jogo, e ambos os lados partem do zero. Isaac do Carmo é o instrumento da mudança desejada pela cidade; Juninho é o "candidato de ontem, com ideias de anteontem". Não há nada de moderno no candidato tucano, a não ser sua idade. Sabemos que quem mandaria na Prefeitura caso ele fosse eleito seria o velho Ortiz, com seus métodos autoritários, seu amor pelo concreto e desamor pelas pessoas, sua imensa, infinita, capacidade de odiar e vingar-se de adversários ou meros críticos. Ortiz não admite discordância: ele sabe tudo, e cabe aos demais obedecer-lhe.

Há poucos dias eu soube que ele construiu 175 quadras de esporte pela cidade. Há áreas de um quilômetro quadrado com oito ou nove quadras, quase uma ao lado da outra. Conclusão: não há demanda para usá-las todas e a maioria permanece abandonada, servindo como local para consumo de drogas e vagabundagem.  Poderiam ser menos quadras, mas com uma programação dinâmica de atividades, instrutores, torneios e, quando não houvesse esportes, shows musicais, dança, cultura enfim. Mas Ortiz gosta de concreto, de obras, sem jamais perguntar-se sobre a manutenção e a utilidade posteriores.

Esta é uma visão de administrador. Outra, é daquele que tem sensibilidade social, entende o que a população realmente precisa, faz as obras necessárias e as mantém em funcionamento. Neste aspecto, qualquer dos outros candidatos é muito melhor que Ortiz Júnior, que herdou a mentalidade autoritária do pai e colecionou diplomas para poder dizer também: sou eu quem sabe, vocês são um bando de idiotas. Votem em mim e eu saberei o que é melhor para vocês.

Juninho diz que fará reuniões com os moradores para discutir os problemas, como seu pai fazia. É mentira! O ex-prefeito convocava reuniões nos bairros, mas chegava com todas as soluções prontas, de sua cabeça. Não aceitava ideias dos moradores, apenas fingia que os ouvia. Sua "democracia" é de cima para baixo. Antes ele decide, depois faz de conta que ouve alguma sugestão.

As associações de moradores viraram trampolins políticos para candidatos a vereador, e nunca tiveram qualquer papel deliberativo. Chega a ser engraçado ver o Juninho falar num orçamento participativo - aliás, ideia testada e colocada em prática pelo PT, começando por Porto Alegre, que conheço bem. Só mesmo quem não conhece nada dos Ortizes pode acreditar nesta promessa eleitoreira, também escrita pela equipe do Duda Mendonça, o marqueteiro mais caro do Brasil, contratado pelo Juninho.

Ficamos assim: no segundo turno damos um grande passo adiante, colocando Taubaté em sintonia com o momento que o Brasil vive, ou voltamos ao tempo da Casa Grande e Senzala. Quem gosta de apanhar e agradecer ao Sinhô, que vote nos "donos" da Fazenda Taubaté. O slogan do Juninho deveria ser "de pai para filho desde 1700 e qualquer-coisa"...