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sábado, 13 de outubro de 2012

OS CUIDADOS QUE ISAAC DO CARMO E
RUBENS FERNANDES DEVEM TOMAR

O artigo do jornalista Barbosa Filho foi publicado originalmente pelo Diário de Taubaté.

Não seria eu, mero observador do processo eleitoral deTaubaté, distante dos comitês e dos bastidores das campanhas,que iria dar conselhos aos candidatos Isaac e seu vice Rubens Fernandes, que devem estar muito bem assessorados. Porém, como eleitor e analista, arrisco-me a dar uns palpites que podem ou não valer alguma coisa – minha credencial é que tenho acertado muito mais do que errado, nos últimos anos, talvez exatamente por manter certa distância das intrigas que envenenam o cenário e confundem os que estão no centro do jogo.

Em primeiro lugar, a chapa do PT precisa “calçar as sandálias da humildade”, como diziam os humoristas do Pânico na TV. A ida para o segundo turno deveu-se a muitos fatores, além do mérito pessoaldos candidatos. Pesou a presença de Lula e Dilma, pesaram as gravíssimas denúncias contra os Ortizes, pai e filho, e pesaram os erros dos demais concorrentes. Não é hora para Isaac ou Rubinho pensaremque são dois campeões de votos; a vitória ainda está distante, e ambos precisam de muita paciência e capacidade de agregar apoios para conseguirem derrotar um adversário forte, milionário e que vai apelar para armas pesadas. É do estilo tucano partir para a baixaria,como faz Serra usando a religião e questões morais, na falta de programa e idéias sérias.

Um segundo ponto é o PT cobrar unidade de seus membros.Houve candidatos a vereador, até eleitos, que não trabalharam para o candidato a prefeito. Questões pessoais, sindicais ou de tendências têm que ser eliminadas agora, sob pena de naufragarem um processo que está perto de ser vitorioso. O petista que fizer corpo mole será um traidor do partido, de Lula, da Dilma, além de estar traindo a cidade que poderia cair nas mãos da direita mais reacionária.

Nada pode dividir o PT e as forças de esquerda neste momento e, para isso, muitos terão que dar um passo atrás em suas posições,inclusive o candidato. É hora de grandeza e responsabilidade, não de vaidades pessoais ou disputas de espaço.

Quanto ao PMDB, que entra com o vice-prefeito da coligação, é um partido enorme, capaz de arrastar os votos que faltam (e são muitos ainda). A não reeleição de Ary Filho e os problemas do Chico Saad não devem paralisar este partido e sua militância. Ao contrário,é preciso mostrar a força do PMDB, ganhar a eleição junto com o PT e depois administrar em harmonia. Nem petistas nem peemedebistasprecisam concordar em tudo, mas há pontos em comum que podem estreitar a aliança e aprofundar o trabalho de conquista dos votos. O povo é maior do que o PMDB e o PT, e é o povo que precisa da renovação que está ao alcance das mãos.

Qualquer desunião na coligação será uma brecha pela qual os Ortizes poderão quebrar o adversário, com seus métodos sem limites éticos. Os Ortizes têm tudo contra si, estão abalados porque tinham certeza de vencer no dia 7 de outubro. O PSDB levou uma surra no Estado e na região. A mídia tucana vinha dizendo que Lula não era mais aquele, que o lulismo acabou, mas os fatos mostraramo contrário em São Paulo.

Lula, quase sòzinho, tirou o desconhecido Fernando Haddad dos 3% e, em 45 dias de TV e alguns comícios,o levou ao segundo turno. Aquilo que mais dói nos tucanos aconteceu de novo: Lula mostrou ser o maior líder popular do Brasil. E parece certa sua presença em Taubaté, pessoalmente, ao lado de Isaac e Rubens Fernandes. Mesmo que não venha, estará na propaganda de TV, na qual agora os dois candidatos terão tempo igual. O PT-PMDB só perdem esta se fizerem tudo errado. E o prejuízo maior seria para Taubaté.

PADRE AFONSO

Preocupa-me saber que o deputado Padre Afonso está muito abatido com sua votação, muito menor do que a esperada por todos, apoiadores e adversários. É verdade que ele sofreu os ataques mais baixos, pelo esquema dos Ortizes. Não foram apenas críticas públicas; houve um jogo sujo que o eleitor comum nem pode imaginar.

Os tucanos posam de bons moços, mas gostam de lutar no esgoto. Devo dizer que o Padre Afonso saiu desta eleição de cabeça erguida, e muito fortalecido moralmente para os próximos embates. Não tem do que se envergonhar, ao contrário. Soube separar a sua função sacerdotal da campanha política, não abusou de sua condição de padre nem de deputado. Jogou limpo, simplesmente expondo idéias e pedindo os votos dos taubateanos. Com uma campanha pobre em comparação com a dos Ortizes (qualquer campanha seria indigente diante dos recursos ilimitados do PSDB paulista), o Padre Afonso fez o que pode, talvez sem o profissionalismo que uma disputa deste calibre exige. Mas não baixou o nível.

Enquanto os Ortizes mantinham boateiros profissionais espalhando calúnias pelos bairros (cuidado Isaac, você será a próxima vítima!), o candidato do PV levou propostas sérias ao povo. Propostas que ele deve agora discutir com Isaac e este deve ter a grandeza de incorporar ao programa da futura administração. Para terminar, uma excelente notícia: pessoalmente encontrei hoje quatro diferentes eleitores de Juninho que mudarão seu voto no segundo turno. Estão chocados com os problemas dos Ortizes com a Justiça, e preferem dar uma chance a um candidato que mal conhecem, Isaac, mas que acreditam trará tempos de paz para a política local. Acho que casos iguais estão pipocando por toda a cidade.