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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SEGUIDORES DE JOAQUIM BARBOSA
CASSAM TUCANOS NO VALE

Por Antonio Barbosa Filho

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, ganhou a admiração entusiasmada da direita brasileira (começando pelo seu panfleto oficial, a semanal Veja) por ajustar o julgamento do tal "mensalão do PT" ao ritmo da campanha eleitoral. Tudo foi milimetricamente calculado para que as condenações, que atingem membros de vários partidos, como o PTB e o PP (aliados dos tucanos em várias cidades) levassem à população uma ideia extremamente negativa do PT e de seus candidatos. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, declarou que esperava que o julgamento tivesse efeitos diretos na eleição..

A mesma imprensa que criticou duramente Joaquim Barbosa quando foi indicado para o Tribunal pelo ex-presidente Lula ("foi escolhido apenas por ser negro", diziam) agora o santifica e até o lança como possível candidato a presidente da República. O ministro não é bobo, e sabe que este puxa-saquismo acabará no dia em que resolver julgar, com o mesmo rigor, o mensalão tucano, criado em Minas Gerais pelo ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo e o mesmo publicitário Marcos Valério. O "Pai dos Mensalões" está para ser julgado no STF desde 1998, sete anos antes do que atualmente virou peça da campanha eleitoral tucana.

Pois o ministro Joaquim Barbosa não é o único juiz rigoroso e independente do Brasil. Alguns de seus colegas, em todas as instâncias, estão punindo corruptos de todos os partidos, inclusive - quem diria? - do PSDB que se proclama "ético". Aliás, o PSDB é o partido que tem mais prefeitos cassados por corrupção nos últimos quatro anos em todo o Brasil. O PT fica distante, lá pelo décimo lugar entre todos os partidos.

Aqui no Vale do Paraíba a situação judicial dos tucanos é extremamente perigosa. Depois de perderem nas urnas a sua principal Prefeitura da região, que dominavam há 16 anos (São José dos Campos), acabam de sofrer outra pesada derrota em Guaratinguetá. O prefeito tucano eleito em 7 de outubro não poderá tomar posse; Francisco Carlos dos Santos, que teve suas contas rejeitadas pela Câmara Municipal em 2003, não poderá tomar posse, e o cargo ficará para o segundo colocado na eleição, Miguel Sampaio, do PSB. 

PINDA
O mesmo pode acontecer em Pindamonhangaba, terra do governador Geraldo Alckmin. Vito Ardito Lerário também foi eleito nas urnas, mas está condenado por ter usado um prédio público para fazer campanha de sua candidata à sucessão em 2004. À época, a candidata Sandra Tutihashi também foi punida e seus votos anulados.  João Ribeiro. Venceu aquela eleição.

Quando foi aprovada a Lei da Ficha-Limpa, Vito Ardito foi condenado a oito anos de perda dos direitos políticos, pena que venceu somente no último dia 10 de outubro, três dias depois de ser eleito sob liminar da Justiça. Seu processo encontra-se no Superior Tribunal Eleitoral, em Brasília, nas mãos de uma juíza que, há poucos dias e num processo igual, condenou um candidato de Pernambuco. Portanto, as perspectivas de Vitão nem chegar a ser diplomado são muito grandes. Seria mais uma derrota do PSDB por crimes de variada natureza.

TAUBATÉ
A coisa também está feia para os tucanos de Taubaté. O escândalo de desvio de dinheiro na FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação, que era presidida por José Bernardo Ortiz, pai, está rendendo consequências que tornam impossível uma vitória e posse de seu filho, Ortiz Júnior. O pai foi afastado pela 14a Vara da Fazenda da capital do seu cargo na FDE por 240 dias, oito longos meses. Pai e filho estão com seus bens bloqueados pela mesma decisão, pois o juiz quer garantir que não se desfaçam de propriedades para poderem devolver aos cofres públicos até um limite de 34 milhões de reais.

Os Ortizes tentaram nesta semana liberarem seus bens, mas a sentença do juiz da Fazenda Pública foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado. Ou seja: os Ortizes perderam em segunda instância e continuam sem poder vender qualquer propriedade ou movimentar suas contas bancárias. Poderia haver situação pior para um candidato que gastou fortunas na campanha (continua gastando, sabe-se lá como) e tinha certeza de vencer no primeiro turno?

Se em Guaratinguetá o candidato eleito pelo PSDB foi cassado antes de assumir, em Taubaté as chances de isto se repetir são muito maiores, até porque os crimes são mais graves. Juninho Ortiz responde a este processo na Justiça da Fazenda, junto com seu pai, e agora também a um pedido de impugnação por abuso de poder econômico na campanha e compra de votos. Quando prometeu gastar dinheiro público para reformar 8 mil casas populares mal-feitas pelo seu pai, ele cometeu a compra de votos: o candidato não pode oferecer vantagens pessoais aos eleitores. E pagar com nossos impostos reformas em casas particulares das pessoas é crime. 
Outro crime cometido por Juninho, mas ainda não processado na Justiça, é a promessa de contratar sua mãe, Dona Jandira, para uma secretaria na Prefeitura. Contratar parentes é proibido por lei, constitui nepotismo, e por isso o atual prefeito Roberto Peixoto já foi punido severamente. Juninho segue os passos de Peixoto - tomara que não chegue a viajar de camburão.

Enquanto os "Joaquim Barbosa" de São Paulo e do Vale do Paraíba varrem os tucanos corruptos, candidatos ou já eleitos, alguns tucanos taubateanos ainda fingem não estar vendo nada disso. Martelam o "mensalão" como se isso fosse seu programa de governo, e como se este caso não atingisse vários partidos que apoiam Serra na capital e Juninho em Taubaté. Estão cercados de "mensaleiros", e cinicamente jogam pedras no PT. A hipocrisia virou a marca registrada do PSDB em Taubaté; mas nossos "Joaquim Barbosa" vão acabar com isso muito em breve. É mera questão de tempo.