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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SITUAÇÃO DOS ORTIZES É MAIS
COMPLICADA DO QUE PARECE


Por Antonio Barbosa Filho

A cada vez que releio a sentença do Juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública da capital, fico mais estarrecido. O bloqueio dos bens dos Ortizes, pai e filho, e o afastamento compulsório do primeiro da presidência da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação, são apenas um aperitivo do que vai acontecer aos dois quando este e outros processos se desenrolarem. Não se trata de apenas um crime, mas de vários; não se trata de indícios, mas de PROVAS; os autos contém gravações que Juninho jamais poderá desmentir, até porque já foram periciadas pela Polícia e são autênticas.

Não acredito, a não ser por um fenômeno sociológico que surpreenderá o mundo, na eleição de Juninho. Mas, caso esta desgraça aconteça a Taubaté, estou tranquilo para APOSTAR com quem quiser que ele não terminará o mandato: será cassado pela Justiça, se não for preso. Não pensem que estou exagerando, ou que sinto algum prazer em dizer isto. Falo com a experiência de quem atua no Jornalismo há quase 40 anos, e só foi interpelado judicialmente uma vez, ainda no tempo do prefeito Waldomiro Carvalho.

Eu havia acusado um seu assessor, fui chamado ao Fórum para desmentir ou responder a processo, pedi que levassem o processo até o final, e exibi PROVAS do que escrevera. Nunca mais fui incomodado por ninguém, pois os que me conhecem sabem que jamais acusaria ou mesmo criticaria alguém sem estar municiado para PROVAR minhas palavras em qualquer instância da Justiça.

É com esta pequena bagagem, que muito me honra e é a única herança que deixarei a meus filhos e netos, acrescida de um profundo amor por Taubaté, cidade onde tive o privilégio de nascer, que eu lhes garanto: Juninho é um político acabado. Pode ser no domingo, pode ser depois, pode ser em qualquer cargo que ocupe: ele JAMAIS conseguirá derrubar as provas de sua corrupção, Sei que a Justiça é lenta com os milionários e os políticos, mas a História é implacável, e um dia os Ortizes pagarão pelo que fizeram.

CRIMES EM PENCA

Juninho jamais me processará pelos meus textos por duas razões muito simples. Primeiro, porque sou muito pequeno para atrapalhar seus planos maquiavélicos de poder e enriquecimento. Tenho perfeita noção de que os que me lêem, tanto no Diário de Taubaté, no Matéria-Prima e neste corajoso blog do Irani Gomes de Lima, somam poucos milhares de cidadãos e cidadãs. São pessoas esclarecidas, formadoras de opnião, mas ainda que todas concordassem comigo (o que, democraticamente, não acontece, e gosto que seja assim) mas formam parcela pequena de uma cidade com quase 300 mil habitantes. 

A segunda razão pela qual Juninho ou seu pai não me processarão é que eles nada têm de trouxas. Sabem que eu PROVO o que escrevo, e que fariam de mim um herói caso se rebaixassem a tentar calar-me. Não sou herói, muito pelo contrário, mas estou imbuído de toda minha honestidade e do exemplo que nos dá o Irani ao sacrificar sua própria saúde para alertar a população das podridões de dois políticos que envergonham a cidade e enganam nosso povo com a maior cara-de-pau e muitos milhões de dinheiro suspeito.

Peço aos amigos leitores e leitoras que me permitam levantar alguns pontos importantes neste embroglio todo:

1º) Juninho diz que estava de passagem pelo restaurante Frango Assado, em 21 de outubro do ano passado, quando foi "filmado" reunido com seu então amigo íntimo Djalma dos Santos Silva, que mais tarde viria a ser um de seus acusadores. Afirmou ainda, em sabatina do jornal O VALE, que estava apenas conversando com o presidente do PTC e um outro cidadão, quando Djalma veio cumprimentá-lo:



Se fosse assim, Djalma nem teria se sentado à mesa (aliás, quem aí costuma sentar-se à mesa de um restaurante para pedir um cafézinho? Não é mais usual tomá-lo no balcão? Mas isso é irrelevante). As fotos daquele encontro foram publicadas em primeira mão por este blog do Irani Lima, quando vários jornais as tinham, mas preferiram silenciar sobre o estranho encontro que, meses depois, tornou-se indício, pelo menos, de um relacionamento entre Juninho e Djalma;

2º) Em sua sentença que bloqueou os bens dos Ortizes, o digno Juiz Randolfo Ferraz de Campos mostra-se impressionado com a maneira detalhada como Djalma descreve o esquema de formação de cartel e de corrupção organizado por Júnior junto à FDE, presidida por seu pai. O magistrado não poupa Djalma, que delatou o esquema por não ter recebido a parte que lhe prometeram, vai responder por isso na Justiça, e vai sentar-se no mesmo banco dos réus com os Ortizes. Mas fica evidente que o denunciante não inventou nada, conhece a armação por dentro, e tem credibilidade;

3º) Também é testemunha a ex-chefe de Gabinete de Bernardo Ortiz, pai, na FDE, Gladiwa de Almeida Ribeiro. Ela comprova que Djalma, através de seu advogado, havia entregue a denúncia do esquema a José Bernardo Ortiz pai, mais de uma vez, e que o então presidente da FDE mandou-a "engavetar" os documentos! ESTE É OUTRO CRIME, AINDA NÃO PROCESSADO PELA JUSTIÇA: PECULATO. O peculato ocorre quando o servidor público faz ou deixa de fazer algo que é seu dever legal; é óbvio que o velho Ortiz teria que instaurar um inquérito administrativo para averiguar a procedência da denúncia - mas ele mandou abafar o caso que envolvia diretamente seu filho;

4º) Não está sendo apurado AINDA o CRIME ELEITORAL denunciado nos autos deste primeiro processo. Ali se afirma que, segundo Djalma, "teria usado o corréu José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior, o dinheiro recebido para 'comprar' o apoio do PTB à sua candidatura a Prefeito de Taubaté - folhas 456, in fine".

Ou seja, temos aqui indícios de outro CRIME, desta vez da alçada da Justiça Eleitoral. Quando escrevo essas linhas não sei se algum advogado dos demais candidatos ou outro eleitor entrou com pedido de impugnação da candidatura de Ortiz, mas logicamente isto acontecerá, em questão de horas. E o processo não morre no domingo, vai seguir Juninho por muito tempo, independentemente de sua votação. Temos no Brasil cerca de 300 prefeitos cassado no exercício de seus mandatos;

5º) O Juiz Randolfo afirma que "existem indícios de que as práticas espúrias narradas na ação a envolver apenas a licitação de edital n. 36/0049/11/05, estariam disseminadas na FDE, visto abarcar outras licitações por ela realizadas". Ou seja: este caso das mochilas é apenas um entre muitos outros. Se neste, já comprovado, Juninho levou uma "comissão" de R$ 1,74 milhão, isto pode ser apenas pequena parte de seu faturamento com o esquema. Aliás, com R$ 1,74 milhão ninguém faz a campanha caríssima que está fazendo: acho que só a equipe de Duda Mendonça custa mais que isso;

6º) O magistrado determina o afastamento de Ortiz pai do seu cargo por 240 dias. Ortiz pretendia ficar de licença apenas algumas semanas, até encerrar-se alguma investigação interna que poderia absolvê-lo. Faria o restinho da campanha do filho, e depois voltaria à sua cadeira de 21 mil reais por mês. Só que o Juiz Randolfo disse que com o retorno de Ortiz à FDE "ficaria prejudicada a nstrução probatória, mormente inquirição de testemunhas que sejam servidores da FDE (...) pelo poder de mando do corréu José Bernardo Ortiz enquanto ocupante do cargo máximo da FDE".

Quer dizer: o Juiz afirma que Ortiz intimidaria, ameaçaria, os funcionários da FDE que serão chamados a depor no processo. Quem conhece um pouco Ortiz sabe que ele sabe como ninguém impor terror a seus funcionários;

Encerro por aqui, embora tenha elementos para escrever muito mais. Depois de ouvir a gravação de um telefonema entre Djalma Santos, o delator do esquema, e um assessor de Ortiz Júnior, vulgo Chacrinha, estou convencido de que este caso vai acabar em cadeia. Espero firmemente, pelo bem de nossa sofrida cidade, que os presos não tenham que sair da Prefeitura. Por isso, espero que nem entrem nela.

Para quem não se lembra, as fotos que Juninho disse que são um vídeo sem importância feito por um blog qualquer (este aqui), eis novamente duas fotos publicadas em 21/10/2011, com exclusividade, porque o resto da mídia regional morria de medo dos tucanos:

Júnior (de costas) conversa com Eduardo Souza Costa (esquerda) e Djalma Silva Santos (direita). A reunião foi no restaurante Frango Assado, em Taubaté.

Júnior se despede de Eduardo Souza Costa com um aperto de mão e um abraço (sua mão esquerda está pousada no ombro esquerdo do dirigente do PTC) sob os olhares de Djalma Silva Santos.

Abaixo, o vídeo que registra o encontro do trio em Taubaté, desde a chegada de Junior à efusiva despedida, no início da tarde desta sexta-feira (21/10/2011):


Aqui, o link da matéria publicada com exclusividade pelo jornalista Irani Gomes de Lima, no dia 21/10/2011: