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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A FUGA E O SILÊNCIO DE ORTIZ JÚNIOR

Por Carlos Karnas, jornalista e escritor

Os pedidos que constam da Ação Judicial Eleitoral, movida pelo Ministério Público contra Ortiz Jr. e seu pai José Bernardo Ortiz, de tão bem fundamentados e altamente relevantes foram aceitos e determinados pela Justiça. Assim, a Justiça eleitoral também acolhe as denúncias dos promotores e dá imediato andamento ao processo naquilo que é substancial e que, adiante, poderá cassar o registro de candidatura do prefeito eleito de Taubaté. Outras punições severas e exemplares são solicitadas, dentro da lei. Ortiz Jr. e o pai, José Bernardo Ortiz, estão em duas instâncias da Justiça: Fazenda e Eleitoral. A da Fazenda de SP já fez a sua parte no início do processo: bloqueou os bens dos dois réus, impôs o afastamento de José Bernardo Ortiz da Fundação para Desenvolvimento da Educação e determinou investigação rigorosa de todas as acusações. Agora a Justiça Eleitoral faz a sua parte: acata e manda proceder os pedidos do MP, avança nas investigações contra os Ortizes, como está noticiado na mídia nacional e regional. Não há o que discutir. De uma caçamba de lixo político, muito monturo está para ser revirado.

O moço tucano se cala

Chama a atenção, neste momento, a radical mudança de comportamento de Ortiz Jr., diante da encrenca em que ele está metido. Senhor de si, durante a campanha eleitoral, teceu justificativas contraditórias e oportunistas para desqualificar todas as acusações que o envolvem. Mentiu, mascarou os fatos e enganou o eleitorado. Usou a força do marketing e do espaço eleitoral gratuito para negar, iludir e escamotear os seus crimes. Logo após o resultado das urnas, fez apelo por trégua. Agora, o peso da Justiça o faz calar. Pior: enquanto o noticiário exposto na mídia dá conta da movimentação dos prefeitos eleitos para a importante fase de transição dos governos municipais, Ortiz Jr., comodamente, descansa. Demonstra não estar levando a sério o cargo que pretende ocupar e – conforme estabelece o seu currículo pessoal – que não é afeito ao trabalho. Deve reconhecer o tamanho descomunal das consequências dos processos em que é réu. Sua assessoria jurídica que trate de suar a camisa. Quanto ao taubateano, que aguente e aguarde os acontecimentos.

A resistência civil

Todos os fatos presentes são péssimos e desonram Taubaté. A cidade não merece, mas a política local, impregnada pelo caudilhismo e caciquismo, estabelece condutas apócrifas e predadoras para tentar manter seus representantes no poder. Graças à internet e à independência dos blogs de informação, a melhor verdade dos fatos vai se estabelecendo e força a mídia maior expor noticiário a respeito. Trata-se de uma resistência civil e social, no maior e bom sentido, a que é disseminada pela internet. Os esclarecimentos aqui expostos são relevantes, bem-vindos por serem necessários. Integram o legítimo direito à informação. Ou seja: liberdade de informação como prevê nossa Constituição.

Justiça e ordem social quando a política falha

A fundamentação do MP que pede a cassação da candidatura do moço tucano propineiro e delinquente, Ortiz Jr., não é vã, inconsequente, irresponsável ou sem sentido. Ela honra a instituição, estabelece valores dignos à cidadania e ousa buscar o ordenamento social quando todo o resto falha, especialmente os políticos. A esperança é que a magistratura cumpra e honre com o seu dever. Que tenha serenidade, competência e imparcialidade para que a Justiça seja feita e seja derradeira. Mas, rapidamente. Taubaté não pode continuar vivendo em alvoroço e frente aos sobressaltos vergonhosos praticados por predadores venais na política. Novas revelações acontecerão e brotarão para a indignação coletiva.

Os predadores políticos

A vergonha e a desonra estabelecidas pela política em Taubaté está limítrofe e impulsionando o protesto popular. O escândalo da total corrupção e subversão política na cidade é agressão social inominável, que deve ter fim imediato, definitivamente. É inconcebível o caudilhismo perverso e rancoroso estabelecido pela família Ortiz na cidade e no poder por tantos anos, como praga, como predadores insaciáveis do patrimônio público e dos bens morais.

A covardia política

Por outro lado, é impressionante, constrangedor e enigmático o silêncio político em Taubaté neste exato momento. As vozes não se levantam diante de uma crise tão escandalosa, gritante e grave para o município e para a democracia consequente. Os nomes políticos todos, não aderem à indignação dos cidadãos de bem. Estão acovardados. Parece que temem, conjuntamente, por sua sorte e pelas consequências adiante. Postam-se estupefatos diante do trabalho do Ministério Público e da Justiça Eleitoral. Nem mesmo os festivos apoiadores e partidários, que se locupletaram durante toda a campanha de Ortiz Jr., se manifestam agora. Há covardia política coletiva, fato a caracterizar o quanto estão omissos e desqualificados os homens públicos que deveriam cerrar fileira com o cidadão, com a ética, o justo social e a honra. Felizmente, há ousadia e coragem nas manifestações coletivas e individuais, na prática cidadã dos homens e mulheres de bem. Esses se manifestam sem temor. Todos querem o único desfecho honrado para o escândalo que está estabelecido e que era público bem antes da campanha eleitoral. Não é admissível a conivência com o crime muito menos com criminosos. Justiça, definitivamente faça a sua parte!

Resistência Epistolar Solidária

Por fim...

Os espaços propiciados à participação de leitores na internet, oportunizam a pluralidade de ideias, propostas e intenções. Também propiciam o manifesto público. Trata-se de expediente lícito de quem não quer calar, que quer gritar, fazer valer a sua palavra contra arbitrariedades, em defesa da sociedade humana, justa, honrada e ética. Tais espaços na internet proporcionam, igualmente, o movimento de resistência dos cidadãos de bem, preocupados com o destino da sua cidade. Tal prática assemelha-se ao - que chamo - de Resistência Epistolar Solidária. Espaço para se escrever para quem lê e escreve. Uma sinergia esclarecida, que oportuniza informação, pontos de vista e conhecimento. Determinado saber.
Provavelmente estejamos, aqui, praticando movimento tupiniquim "Maqui" - à exemplo dos franceses. Com uma diferença: não derramamos sangue. Buscamos justiça social e cidadania plena, o combate à corrupção e aos crimes políticos com a força das palavras.