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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ALCKMIN ISOLA ORTIZES

O governador Geraldo Alckmin não é o tipo de sujeito que compra a briga de aliados se não tiver certeza da vitória. O grão-mor do tucanato paulista deve o sucesso de sua carreira política ao impulso que recebeu em 1973 da família Nogueira.

Alckmin, ainda estudante, não se imaginava um político na acepção da palavra. O primeiro impulso foi sua candidatura a vereador em Pindamonhangaba, que ele relutava em disputar.

Aluno da Faculdade de Medicina de Taubaté, Alckmin se elegeu vereador aos 18 anos, com 1.497 votos, em 1973. Foi o parlamentar mais jovem do país naquele ano. Bosco se elegeria prefeito com 4.921 votos. Ambos pelo MDB.

Os militares haviam tomado o poder havia dez anos (1964). A votação maciça em um jovem foi a forma que os eleitores encontraram para protestar contra o regime político de então.

Foi o cunhado Fernando Nogueira (a quem visita constantemente até os dias atuais) e o prefeito João Bosco Nogueira os avalistas da candidatura de Alckmin a prefeito de Pinda em 1976.

Aos 21 anos, elegeu-se prefeito com apenas 67 votos à frente de seu oponente, o presidente do MDB, Paulo de Andrade. Foram 4.593 votos a 4.526.

A apuração dos votos, no antigo Clube Literário e Recreativo, foi uma das mais emocionantes da história política da cidade.

Em 1982, Alckmin candidatou-se a deputado estadual, na esteira puxada pelo candidato a governador Franco Montoro, pelo antigo MDB. Obteve mais de cem mil votos e se elegeu com tranquilidade. O voto vinculado facilitou a vida de todos os candidatos do MDB.

Bernardo Ortiz se elegeu prefeito de Taubaté naquele ano. Precisava da ajuda do ex-deputado Ary Kara para ser recebido em audiência pelo governador Franco Montoro.

Minha carreira jornalística estava apenas começando e me sentia orgulhoso e vaidoso ao viajar algumas vezes pelo Vale do Paraíba em companhia do prefeito de Pinda (Alckmin) e do presidente da Assembleia Legislativa (deputado Robson Marinho).

Era correspondente do jornal ValeParaibano e começava a sentir gosto pela cobertura de assuntos políticos.

Alckmin me convidou para ser seu assessor na Assembleia Legislativa. Aceitei o convite e pedi demissão três meses depois. Minha exoneração só foi confirmada pelo deputado Geraldo Alckmin  alguns meses depois, durante um almoço no restaurante Fredone, que não existe mais.

Faço este relato para que todos entendam a personalidade do governador Geraldo Alckmin. A demora para tomar decisões é sua marca registrada.

Todos se lembram de sua aparição no horário eleitoral gratuito avalizando a candidatura do tucano Ortiz Júnior, réu na Justiça Comum e na Justiça Eleitoral, e os elogios rasgados que fazia ao seu (ex?) aliado José Bernardo Ortiz.

O apoio do governador a Ortiz Júnior se deveu a uma questão de política nacional. Lula apoiou Isaac do Carmo no horário eleitoral gratuito. Alckmin tinha a obrigação de apoiar o candidato de seu partido.

Passada a eleição, Alckmin começa a desatar o nó górdio que o mantém amarrado aos Ortizes.

O afastamento de Bernardo Ortiz da presidência da FDE, cargo para o qual fora nomeado pelo governador, foi o primeiro passo. Tudo bem que Ortiz foi afastado por ordem judicial. Alckmin não moveu uma palha para ajudar seu protegido.

Esta semana, o presidente interino da FDE, o secretário da Educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald, exonerou dois diretores nomeados por Bernardo Ortiz: Álvaro Rogério Veiga Garcia e José Arlindo Marcondes César.

Alckmin permaneceu silente.

Álvaro Garcia trabalhou com Bernardo Ortiz quando este presidiu o DAEE. José Arlindo é ligado ao senador tucano Aloysio Nunes que, por sua vez, é próximo de Serra.

Alckmin e Serra disputam a hegemonia no PSDB. Ambos desejam ser candidato a presidente em 2014. O mineiro Aécio Neves corre por fora.

Na Assembleia Legislativa, deputados tucanos de alta plumagem fogem do assédio de Ortiz Júnior, que busca desesperadamente apoio para salvar-se do naufrágio que se avizinha com a sua inevitável cassação pela Justiça Eleitoral de Taubaté.

A cassação do registro do tucano é dada como certa nos corredores da Assembleia Legislativa.

Alckmin não quer levar esta nódoa para a eleição presidencial de 2014. O governador não vai permitir que os Ortizes manchem sua reputação..

No que depender de Alckmin, Bernardo Ortiz e Ortiz Júnior podem se preparar para acertar as contas com a justiça.

Alckmin não se moverá para socorrê-los. O governador não entra em bola divida (para usar o jargão futebolístico). Se a justiça vai quebrar a perna de alguém neste jogo, que seja a de Ortiz Júnior.

A cabeça de Alckmin está em 2014. A eleição deste ano faz parte do passado.