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domingo, 25 de novembro de 2012

CHORORO DE TUCANO EM
JORNAL É SÓ CHORORO

Júlio Codazzi

Taubaté

“Não basta falar, precisa ter prova substancial, com elementos”. Essa frase, dita por Ortiz Junior (PSDB), resume a entrevista concedida pelo prefeito eleito a O VALE.

Após passar 20 dias fora de Taubaté, o tucano conversou com a reportagem a respeito da ação movida pela Promotoria Eleitoral que pode impedir que ele seja empossado.

Junior afirmou estar preparado para o “terceiro turno” e negou ter aproveitado o fato do pai, o ex-prefeito José Bernardo Ortiz, ser presidente da FDE (Fundação para Desenvolvimento da Educação) para obter apoio financeiro e político para sua campanha.

O tucano também refutou a crítica de que teria saído da cidade para ‘fugir’ dos oficiais de justiça que tentavam notificá-lo sobre a ação do MP.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista (publicada na edição deste domingo d’O Vale)

O senhor foi muito criticado por se ausentar de Taubaté em um momento conturbado. Qual o motivo da viagem?

Eu estava no Rio de Janeiro. É natural que um processo eleitoral duro, acirrado, com dois turnos, gere um cansaço físico e psicológico, além de uma ausência minha como marido e pai, em casa. Eu precisava sair e fazer companhia para minha filha, para minha esposa. Já estava marcado, independente do resultado da eleição.

Quando o senhor irá apresentar sua defesa à Justiça?

Já nos próximos dias. É uma oportunidade de mostrar que há muita mentira e muita distorção. As acusações não se sustentam. Isso é um terceiro turno, pode ter certeza. Teve um primeiro turno, contra o PT. Um segundo turno, contra o PT. Esse é um terceiro turno, com certeza contra o PT também. A denúncia, a origem disso tudo, é o PT também.

A denúncia diz que o senhor teria ido ao Rio de Janeiro junto com o lobista Djalma Santos, no dia 23 de abril de 2011, para discutir a formação de um cartel de empresas para agir em licitações da FDE. Isso aconteceu?

Eu e meu irmão mais velho, João Roberto, sempre fomos para o Rio porque o meu pai tem imóveis lá. Eu cuido da parte de fiscalizar despejo e contrato, meu irmão cuida de obra. Fui tratar dessas questões e o Djalma se aproveita para dizer que eu teria ido para fazer proposta à uma empresa.

O Djalma diz que era seu amigo. É verdade que ele já pagou sua fatura em um hotel na capital?

Essa despesa foi paga por mim, com o meu cartão de crédito, exatamente na data que ele \[Djalma\] fala. Ou seja, ele mentiu, ele falseou o testemunho dele. Eu tenho a fatura de cartão de crédito e vai ser juntado \[no processo\]. Eu o conheço há muitos anos. Ele queria se aproveitar disso para obter benefício \[na FDE\]. A empresa para qual ele dizia que trabalhava perdeu as licitações e ele ficou possesso da vida, tomado por vingança.

Outra testemunha do MP, a ex-chefe de gabinete da FDE, Gladiwa Ribeiro, ainda é secretária do PSDB de Taubaté. Por que o senhor dizia que ela já havia deixado o cargo?

Existe um procedimento interno de expulsão, não se expulsa ninguém do dia para a noite. A comissão de ética do partido recebeu uma denúncia e ela \[Gladiwa\] vai ser notificada. O processo é baseado em várias coisas. Ela foi investigada pela Corregedoria \[Geral da Administração\] por nepotismo \[na FDE\], tem uma situação delicada com o marido dela. Há uma série de fatores que dizem respeito ao partido, internamente.

A denúncia diz que a FDE contratava pessoas sem concurso, em troca de apoio político. Duas dessas pessoas são filhas de um secretário do PP. Como negociou o apoio do PP em Taubaté?

Essas pessoas prestavam serviço à Fundação. Houve seleção de currículo. Não existiu nenhuma conversa a esse respeito. O PP é um partido que nos dá sustentação política há duas eleições. \[A negociação\] Sempre foi com o coronel Athaíde \[Monteiro do Amaral, presidente do PP em Taubaté\]. Além do que, minha coligação teve 14 partidos políticos. Você tem um partido que te acrescenta um minuto em onze \[no tempo de propaganda na televisão\], não justifica, não é acusação que se sustente, de abuso de poder político.

O senhor frequenta a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Quiririm, que recebeu bens da FDE, cedidos pelo seu pai?

Eu fui algumas vezes assistir missa lá, não sou frequentador. Foi uma cessão de bens pedida pela comunidade, nunca pedi nada em troca disso. No caso da outra entidade \[Casa de Apoio Mulher e Vida\], há relato de um diálogo entre a própria assessora de gabinete \[Gladiwa\] e a presidente da entidade \[Vera Datola Iqueda\], estabelecendo como seria a cessão de bens. É uma loucura achar que isso é abuso de poder político.

No diálogo, alguém cita que o senhor iria participar de uma reunião. Que reunião foi essa?

Era do grupo que fazia oposição ao \[Roberto\] Peixoto \[atual prefeito\] na Câmara \[Transparência Taubaté\]. A Vera e outras pessoas faziam parte da reunião do grupo. A reunião não dizia respeito à entidade \[Mulher e Vida\], nunca participei de tratativa nenhuma para isso \[cessão dos bens\].

Foi a Gladiwa que te levou até essa reunião?

Ela me deu carona até a reunião. Qual é o problema? Isso era no ano de 2011, ela era assessora de gabinete, me deu uma carona até a reunião, só isso. Eu participei duas vezes de reuniões da Transparência. Minha contribuição foi opinativa, dei opinião sobre problemas que se estabeleceram. \[A pauta era\] Exclusivamente a cassação do Peixoto.

AÇÃO ELEITORAL

DENÚNCIA
Oito minutos após fim do segundo turno, MP Eleitoral protocolou na Justiça ação em que acusa Ortiz Junior e José Bernardo Ortiz de abuso de poder político e econômico

PUNIÇÃO
Na ação, a Promotoria pede que os tucanos sejam considerados inelegíveis por oito anos. Além disso, o MP requer a invalidação dos votos recebidos pela coligação na última eleição para prefeito

DEMORA
Ausente da cidade entre os dias 1º e 20 de novembro, Junior ainda não foi notificado pessoalmente da ação. Isso só deve acontecer na próxima segunda-feira

PRAZO
Assim que for notificado, o tucano terá dez dias para apresentar defesa. Porém, ele disse que fará isso em cinco dias.