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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EQUIPE DE TRANSIÇÃO É NECESSIDADE
OU MAIS GASTANÇA?

Tony Marmo

Secretário do Diretório Municipal do PSOL de Taubaté

Camaradas,

“Prefeito eleito anuncia sua equipe de transição”, é o que mais se lê entre as manchetes dos jornais. Isto sempre me entristece, pois é mais um triste ritual inútil da nossa e de outras nações terceiro-mundistas, maIs um desperdício de trabalho e tempo do serviço público.

Apenas para recordar: no dia 1º de maio de 1997, os britânicos participaram de uma eleição geral, convocada pelo então Primeiro-Ministro John Major. No dia seguinte, todos sabiam o resultado, os Trabalhistas tinham vencido os Conservadores. 

O que aconteceu? John Major chamou seu adversário Tony Blair para compor uma equipe de transição? Se fosse no terceiro mundo, seria o caso, mas não num país que se orgulha da sua eficiência.

No dia 2 de maio, John Major simplesmente fez as malas, saiu do número 10 da rua Downing, a residência e escritório oficial do Primeiro-Ministro, dirigiu-se ao Palácio de Buckingham e lá apresentou sua renúncia à Rainha, que prontamente a aceitou.

Ficou um vazio no poder? Óbvio que não. Quem a Rainha iria nomear interinamente até que Tony Blair pudesse montar seu governo? Ninguém, a não ser o próprio Tony Blair, que quatro horas depois de John Major compareceu perante a mesma majestade para anunciar que era o líder da maioria eleita para o novo Parlamento. A Rainha nomeou-o Primeiro-Ministro imediatamente.

Saindo de Buckingham e instalando-se na residência na rua Downing, o que fez Tony Blair? Anunciou que começaria as negociações para compor o gabinete? Claro que não. Todos os eleitores que votaram no Partido do Trabalho naquela eleição já sabiam quem seriam os nomes dos demais Ministérios. A maioria dos eleitores tinha dado um voto de confiança não apenas a um líder, mas a uma equipe de pessoas para governar seu país. Enfim, não existe “processo de transição” no Reino Unido, pelo menos não um demorado, se não houver necessidade de formar coalizão.

No ano de 2010, a eleição geral britânica aconteceu no dia 6 de maio. O novo governo de David Cameron, uma coalizão dos Conservadores com os Liberais, emergiu após negociações de cinco dias. Para os britânicos, isto foi uma crise sem precedentes: nunca um governo tinha demorado tanto para assumir. 

É que nem o Partido do Trabalho nem o Conservador tinham a maioria absoluta, portanto tiveram de negociar com os Liberais uma coalizão. Mas, governos de coalizão e transição que demore mais do que algumas horas são coisas fora do comum para os britânicos.

Voltando aos municípios brasileiros, lemos por esses dias manchetes referentes ao Prefeito eleito de São José, como esta: “Cury e Carlinhos de Almeida se reúnem para transição de governo em São José dos Campos”

Mas, o que é que podem discutir? Se haverá mesmo a transição? Carlinhos que convencer Cury que o mandato dele termina? Ou então os candidatos a Prefeito de São José dos Campos não tinham informação nenhuma da situação do Município e só agora o eleito vai inteirar-se?

Com relação a Taubaté, vemos coisas ainda mais estranhas, como a manchete: “Com telefonema, transição de governo começa em Taubaté”.Lendo com mais atenção a matéria no jornal o Vale, ainda ficamos sabendo que o processo é “negociado por assessores” e não pelo Prefeito cessante e seu sucessor!

Quanto vai custar aos contribuintes joseenses e taubateanos as quase-intermináveis reuniões dessas equipes? E o que elas podem produzir de útil? Vêm aí as cenas do próximo capítulo...