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domingo, 11 de novembro de 2012

O OPORTUNISMO DE DOIS
PESOS E DUAS MEDIDAS

Por Carlos Karnas, jornalista e escritor

O texto abaixo foi enviado a este blog em forma de comentário à postagem As contradições de Joffre Neto publicada na manhã de sábado (10/11/12).

Caro Irani, o mérito deste seu espaço é o de oportunizar informações que são escamoteadas pela mídia convencional. Na disponibilização, abrem-se espaços às interlocuções. Críticas e afagos se sucedem, agora por conta de elemento que já foi vereador petista em Taubaté, bandeou-se para além-mar, retornou, cerrou fileiras no apoio ao candidato tucano e conseguiu se eleger vereador novamente, travestido e sustentando o discurso que o desmoraliza. Deve ter os seus bons motivos. Pecuniários ou outros? Sabe-se lá. Esta pessoa se estabelece como defensora – porta-voz autônoma, solitária até – de Ortiz Júnior, réu propineiro, como é taxado na Justiça.

O comportamento volúvel desse Jofre Netto não chega a ser estranho, por ser ele oportunista. Ele bem sabe disso. Diz ele ser “uma pessoa de fé e com profunda paixão por justiça social. Si res bona est, ad illam obtinendam medium invenimus (se algo é bom, há como realizá-lo)”. Isso é balela, pura encenação. Praticou encenações ridículas quando exerceu a vereança na antiga Câmara Municipal de Taubaté. É motivo de chacota pelos seus atos e pelo episódio de amarrar-se à entrada do legislativo municipal para protesto esdrúxuilo. Gesto, à época, do petista rancoroso, raivoso e inconveniente que queria aparecer, impor-se sem altivez e sem reconhecimento necessário. Acabou morrendo pelo seu próprio veneno, o da ludibriação.

Na política, mostrou-se homem público de duas faces, de negociar acordos que ele mesmo tratava de não honrá-los. Fez firulação parlamentar com comportamento de criança birrenta. Mais ladrava para atrair atenção. A humildade meio que lhe foge e é destemperado para humilhar desafetos. Conhecem-no bem os seus velhos parceiros, que continuam se divertindo dele. O provocador constante foi e é provocado.

Em tempos novos, o aliado e defensor de Ortiz Júnior se expõe publicamente e procura jogar manto branco a proteger a Transparência Taubaté. A entidade desencaminhou-se e o manto que a envolve está encardido. Está falseada, é a voz corrente. Foi desencaminhada pela voz desvalida do que usa dois pesos e duas medidas, que se trai no próprio discurso. Desmerece-se a si próprio, como se percebeu na campanha eleitoral.

Fatos e histórias fundamentam o percurso do que percorreu a ladeira entre PT e o PSB, alinhado ao PSDB em Taubaté para apoiar o candidato tucano réu. Vejam só. Fique-se de olho para ver se o trajeto dessa ladeira é ascendente ou descendente. O seu comprometimento mesquinho e frágil revela ser o descendente, poderá ser o do resvalão aqui. Uma pena. Houve muitos que acreditaram na sua performance, hoje o ridicularizam, até com o desprezo que ninguém merece. Falsidade dá nisso.

O partido PSB que o abriga, entretanto, não merece desonra. Trata-se de partido da esquerda democrática. Foi fundado por nomes dignos: João Mangabeira, Domingos Vellasco, Hermes Lima, Rubem Braga, Osório Borba, Joel Silveira, José Lins do Rego, Jader de Carvalho, Sergio Buarque de Hollanda e Antonio Candido. É de Miguel Arraes. Tem ideário histórico consistente, digno. A probidade é seu primeiro mandamento. Propõe uma cidadania ativa, a incorporação de novos direitos sociais, democratização dos meios de comunicação e defesa da soberania nacional. Em conclusão: descentralização completa do poder em uma economia gradativamente socializada. Foi o partido brasileiro que mais lutou e luta contra a corrupção (foi marcante a combatividade do PSB na era de Collor). Está nos princípios desse partido que: “É socialista, com compromisso revolucionário e democrático, com filiado militante, sem lideranças privilegiadas, enraizado no movimento social e sindical e atuação parlamentar como consequência da organização dos trabalhadores e todo o povo. Recusa a prática do paralelismo e estimulaa solidariedade entre os movimentos sociais.”
Portanto, o PSB não pode ser desrespeitado nem desvirtuado. Mas os nomes que o integram devem servir de exemplo sempre, longe de personalismos estranhos e duvidosos de um ou de outro. O posicionamento ludibriador de Jofre Netto é agressão ao que o seu próprio partido prega e está redigido nos seus fundamentos. Desqualifica-se. Enfraquece-se e se enlaça à subserviência, da maneira como o seu discurso está posto. Um perigo. Lamentável por estar longe do íntegro o que é representado em Taubaté. Homem público deve ter credibilidade.