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terça-feira, 6 de novembro de 2012

OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS DEU
CERTO NA ITÁLIA. E EM TAUBATÉ?

Quem assistiu à película O Poderoso Chefão, com o impagável Marlon Brando, entenderá o texto abaixo. Não sou crítico de cinema. Portanto, a menção à obra do diretor Francis Ford Coppola tem o objetivo de facilitar a compreensão da exposição que passo a fazer.

A Máfia nasceu na Itália por volta do século X, formada por arrendatários que se insurgiram contra a exploração a que eram submetidos pelos senhores feudais, os donos das terras.

Mil anos depois, o conceito de máfia chegou aos Estados Unidos. A organização criminosa, comandada por Al Cappone em Chicago, é a mais conhecida.

Brilhantemente, o diretor Brian De Palma retratou este período no magistral filme Os Intocáveis.

A derrocada da máfia italiana começou com a prisão, em 1983, no Brasil, de Tommaso Buccetta (pronuncia-se Buxeta, com em Xavier).

Quem trouxe a máfia para o Brasil ninguém sabe, mas os vários grupos existentes no pais seguem o modelo mafioso: um chefão (capo) e os chefes menores (capi)

A máfia taubateana é comandada pela famiglia Ortiz. O capo di tutti capi é Bernardo Ortiz. O segundo homem da linhagem é seu filho, Ortiz Júnior, eleito prefeito de Taubaté no segundo turno das eleições municipais deste ano.

O esquema mafioso comandado pelos ortizes (como gosta o jornalista Barbosa Filho) inclui o silêncio da mídia, o beneplácito de políticos e a (quase) certeza da impunidade nas instâncias judiciais.

OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS

Na Itália, após a prisão de Busccetta, a máfia ruiu.

A Operação Mãos Limpas, comandada pelos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino colocou atrás das grades os chefões da máfia italiana.

Não chegaremos a tanto em Taubaté. Os mafiosos locais não irão para a cadeia, pelo menos por hora.

A fraude eleitoral protagonizada por Ortiz Júnior na eleição taubateana desse ano pode terminar na próxima sexta-feira (09/11), quando a petição do Ministério Público Eleitoral deverá ir a julgamento.

A Operação Mãos Limpas deflagrada em Taubaté minutos após o fechamento das urnas no dia 28/10/12 é o mais importante acontecimento político desta urbe quase quatrocentona.

O destemor do representante do Ministério Público Eleitoral, Antonio Carlos Ozório Nunes, pode ser equiparado ao do juiz italiano Giovanni Falcone, que dizimou a máfia italiana.

O MPE pede a anulação dos votos obtidos por Ortiz Júnior nas eleições municipais deste ano.

As provas coligidas contra o tucano aprendiz de mafioso são insofismáveis.

Ortiz Júnior não será prefeito de Taubaté porque a Justiça impedirá. Sua carreira política declina como o ocaso solar.

A MÁFIA DOS ORTIZES

O esquema mafioso comandado por Ortiz Júnior na FDE foi magnificamente relatado pelo MPE de Taubaté.

1)    Bernardo Ortiz toma posse na presidência da FDE no dia 21 de janeiro de 2011.
2)    Seu filho Ortiz Júnior nomeou Cláudio Falotico, a quem chama de Papai Noel, para ajudá-lo no esquema criminoso que estava sendo urdido.
3)    O tucano era frequentador assíduo da FDE.
4)    Ortiz Júnior tinha acesso a informações privilegiadas e reunia-se com Papai Noel no gabinete da presidência da FDE.
5)    O tucano reaproxima-se do empresário Djalma Santos. Foi apoiado nesta empreitada por Fernando Gigli. O encontro foi na Padaria Dona Bella.
6)    Em companhia de Djalma Santos, Ortiz Júnior enconrou-se com empresários do ramos de fornecimento de material escolar no restaurante 14 Bis, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, dia 23 de abril do ano passado.
7)    Djalma Santos paga R$ 100 mil a Ortiz Júnior como adiantamento pelas informações privilegiadas que recebia.
8)    Ortiz Júnior e sua esposa (Mariah) se hospedam no Hotel Gran Carona. A despesa foi paga por Djalma Santos.
9)    O tucano Bernardo Ortiz foi conivente com o filho Ortiz Júnior.
10) Jantares de Ortiz Júnior e Júlio (diretor da Capricórnio), eram constantes.

O relacionamento amistoso de Djalma Santos e Ortiz Júnior começa a emborcar quando o tucano tenta favorecer a Capricórnio em um pregão e escantear a Diana Paolucci do negócio, empresa representada por Djalma Santos.

Ortiz Júnior esqueceu-se da lição principal ensinada aos mafiosos: fidelidade.

A ganância por dinheiro e a sede de poder embotaram as relações entre político e empresário.

Deu no que deu.

Agora é aguardar o julgamento da ação proposta pelo MPE, que pede a anulação dos votos obtidos por Ortiz Júnior no segundo turno da eleição municipal deste ano.