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sábado, 3 de novembro de 2012

ORTIZES TROCARAM VOTOS
POR EMPREGOS NA FDE

Antonio Barbosa Filho

Bastaria este crime para justificar a impugnação da candidatura do réu eleito em Taubaté, Juninho Ortiz: seu pai deu empregos a cabos-eleitorais na FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação, de cuja presidência foi afastado pela Justiça. Dois cargos foram dados à duas filhas do secretário-geral do PP de São Paulo, Jessé Ribeiro que, em troca, coligou-se ao PSDB dando tempo de TV ao candidato tucano em Taubaté. Cada uma recebia salário de R$ 5.000,00 mensais, e na mesma situação havia pelo menos mais vinte cupinchas dos Ortizes - fala-se que seriam 60 no total.

Enquanto Ortiz entupia a FDE de apoiadores do seu filho, 129 pessoas aprovadas em concurso público esperavam ser chamadas para ocupar seus empregos legítimos.

Ainda que não houvesse o escândalo das mochilas e da propina recebida por Júnior, este caso do empreguismo caracteriza improbidade administrativa por parte do pai e crime eleitoral por parte do filho. É mais um caso, somado a vários outros. No processo que tramita na Vara da Fazenda, na capital, consta também que Juninho usou o dinheiro da propina (1,74 milhão de reais) para comprar o apoio do PTB. E há suspeitas de que a manipulação de licitações tenha sido uma prática generalizada na FDE, motivo pelo qual o juiz afastou Bernardo por oito meses, indicando que será uma investigação longa e minuciosa. Muito mais podridão pode aparecer pelo caminho.

O réu eleito sumiu da cidade depois de comemorar sua vitória comprada na Avenida do Povo - cometendo outra ilegalidade, já que o local é vedado a manifestações deste tipo segundo lei municipal que foi desenterrada dos arquivos pelo secretário de Cultura, Monteclaro César Júnior, para impedir um comício com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Júnior está fugindo dos oficiais de Justiça e da imprensa. Os primeiros querem notificá-lo de prazos para defesa; os repórteres querem que diga algo sobre as novas acusações que surgem a cada dia. Ninguém sabe seu paradeiro, com informações desencontradas circulando sem confirmação de que estaria no Litoral Norte, ou no Rio de Janeiro ou até mesmo fora do País.

ALCKMIN

Informam-se também nos bastidores políticos que o governador Geraldo Alckmin está muito irritado com os Ortizes e começa a abandonar a postura de apoio que vinha dando aos dois. A demissão dos contratados pela FDE seria um primeiro ato do governador para desvincular sua imagem do escândalo. A cúpula tucana de São Paulo mais próxima de Alckmin está apreensiva, pois caso ele venha a ser candidato a Presidente da República em 2014, certamente o "caso FDE" será explorado em campanha contra ele. O próprio senador Aécio Neves, outro pretendente à Presidência, estaria recebendo minuciosas informações sobre os processos contra os Ortizes, municiando-se para uma eventual disputa interna.

Portanto, há muito mais em jogo do que a simples Prefeitura de Taubaté: o escândalo provocado pelos Ortizes na sua ânsia de poder terá repercussões no futuro do próprio PSDB nacional. Com um orçamento de 3,5 bilhões, se a prática de "comissões" de 10% ou mesmo 5% tiver sido sistêmica, isso constituiria um crime muito maior do que o chamado "mensalão", cujo julgamento recente pelo STF o povo acompanhou de perto, graças ao estardalhaço da mídia tucana e de direita. Seriam os Ortizes o "Marcos Valério" do PSDB paulista?

Em Taubaté, numerosos apoiadores de Juninho pulam do seu barco, e apenas uns poucos ainda o defendem com algum entusiasmo. Podem ser pessoas pagas, ou com interesses numa futura administração do réu eleito. O ex-vereador cassado Rodson Lima, por exemplo, continua a usar as redes sociais para bajular Ortiz Júnior - não diz que ele é inocente, mas sim que a Justiça não terá poder para puni-lo. Em síntese, Rodson afirma que para os Ortizes o crime compensa. Logicamente, por sua história de vida, Rodson espera receber alguns cargos na Prefeitura para si e sua família.

A maioria dos tucanos, entretanto, especialmente aqueles que participaram dos tais movimentos pela "ética" na política, quase todos patrocinados pelo próprio Ortiz, sumiram da mídia. Sem argumentos para contestar as gravíssimas acusações feitas pelo Ministério Público, Justiça da Fazenda e agora pela Justiça Eleitoral, limitam-se a repetir o "mantra": mensalão, mensalão, mensalão. É a maneira que encontram para fugir do assunto que assusta os taubateanos: tivemos uma eleição comprada a peso de ouro (público), e o eleitorado elegeu um candidato que não existia, era apenas uma imagem ricamente construída pelo marqueteiro mais caro do Brasil, Duda Mendonça. Ou seja: Taubaté caiu num conto do vigário...