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terça-feira, 20 de novembro de 2012

TAUBATÉ ESTÁ CHEGANDO AO FUNDO DO POÇO

A fuga de Ortiz Júnior, que ainda não foi notificado pela Justiça Eleitoral de Taubaté sobre o processo que pode resultar na impugnação de sua eleição, é tão somente mais um lance na tumultuada vida política dessa urbe quase quatrocentona, abalada por escândalos de improbidade administrativa envolvendo o atual prefeito e o próximo, com a ressalva que este pode não ser empossado.

O mergulho de Taubaté no poço dos desmandos políticos teve início em 1982. Naquele fatídico ano seria eleito prefeito da cidade José Bernardo Ortiz. Estava nascendo o caudilho taubateano, capaz de cometer qualquer desatino para alcançar a glória suprema de ser idolatrado pelo povo que o elegeu para o mais alto cargo público de um município.

A sanha ortizista, sua obsessão pelo poder, revela a crueza de seus métodos nada ortodoxos. Ortiz subjuga seus auxiliares diretor e indiretos. Usa a força política que conquistou, não por seu mérito administrativo, mas pela forma despótica como conduziu sua vida pública nos últimos trinta anos.

Bernardo Ortiz precisava de Ary Kara para governar Taubaté
José Bernardo Ortiz aproximou-se de Ary Kara para ser levado à presença do governador Franco Montoro. Politicamente, o prefeito de Taubaté era um Zé Ninguém. Hoje, o velho caudilho abomina o ex-parlamentar e esconde de sua biografia o quanto foi ajudado por ele em seu primeiro mandato como prefeito de Taubaté (1983/1988).

O caudilho sempre habitou a personalidade doentia de Bernardo Ortiz. Quem ousou contrariar seu comando foi tachado de traidor. O ex-prefeito Salvador Khuriyeh foi o primeiro Iscariotes de Ortiz porque não aceitou ser subjugado pelo caudilho que deixava a prefeitura. Poucos perceberam, na época, que Bernardo Ortiz, ao choramingar a traição de Khuriyeh, comparava-se a Cristo.

Em seus três mandatos como prefeito, Bernardo Ortiz notabilizou-se por desrespeitar as leis, desafiar a Justiça e demitir funcionários concursados ou em estágio probatório simplesmente para manter todos sob seu jugo. Os funcionários da prefeitura viviam aterrorizados. Diretores de departamentos, passivos, aceitavam as ordens de Bernardo Ortiz por mais esdrúxulas e ilegais que fossem para garantir os próprios empregos.

Graças ao temperamento irascível e despótico do ex-prefeito taubateano e suas demissões descabidas e ilegais, a Justiça mandou que muitos dos que recorreram a ela fossem readmitidos. Os professores foram as maiores vítimas do malévolo Bernardo Ortiz. Centenas deles foram demitidos. Diretores de escola foram removidos por não aceitarem as avaliações que chegavam prontas para serem assinadas e, assim, justificar as demissões desejadas pelo caudilho e a manutenção do terror ortizista no seio da categoria.

O ex-alcaide taubateano alterou a lei de zoneamento da cidade para se beneficiar. A chácara do Bonfim não paga IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), mais caro. A manobra permitiu que sua propriedade fosse taxada pelo ITR (Imposto sobre Propriedade Territorial Rural), mais barata.

O mergulho dado em 1982 ainda não levou essa urbe ao fundo do poço, ainda. Sobrevivemos a três mandatos despóticos de Bernardo Ortiz e ao desastrado governo Peixoto. Aguardamos, agora, que o tucano Ortiz Júnior, réu foragido da Justiça Eleitoral, seja julgado e condenado por abuso de poder econômico na eleição municipal deste ano.

A cara de bom moço mostrada pelo tucano na propaganda eleitoral gratuita esconde outro personagem despótico e centralizador. O aprendiz de caudilho tem seus fiéis seguidores que podem ser facilmente encontrados no grupo Taubaté de Peixoto, no Facebook, criado especialmente para ajudar a elegê-lo prefeito dessa urbe quase quatrocentona.

Enquanto se encontra em local incerto e não sabido, Ortiz Júnior não pode ser notificado pela Justiça Eleitoral. O trâmite legal, porém, prevê que o tucano fugitivo pode ser notificado por hora certa ou por edital.

Estamos próximos, portanto, do fundo do poço. Esperamos para breve o retorno de Taubaté à sua origem de cidade politizada. Essa viagem épica iniciada em 1982 chegará ao fim assim que o filhote de tucano for impugnado pela Justiça Eleitoral e nova eleição para prefeito for marcada.