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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

DIPLOMA DE QUÊ?

Wagner Guisard Thaumaturgo, advogado

Ontem por volta de 19 horas, vi notícias dando conta de que o Juiz eleitoral de Taubaté havia julgado e indeferido o pedido de liminar cassando a candidatura de Ortiz Junior, de forma desfavorável ao MP, e ato contínuo o diplomou.

Imediatamente pensei, julgou contra o MP?, mas o MP não representa a vontade do povo, da sociedade?, então decidiu contra a vontade da sociedade, pelo menos da parcela que faz questão de ter na vida pública figuras probas, de reputação ilibada, e para isso servem as instituições constituídas neste pais, as autoridades a quem entregamos o destino de nossas vidas.

Novamente uma indagação veio a minha mente, como podem co-habitar num mesmo ser, duas razões? duas interpretações distintas para um mesmo fato ou personagem da vida real?

Como pode o mesmo Juiz eleitoral que determinou a notificação do Prefeito eleito pelo jardineiro, entendendo que o alcaide estava fugindo de suas obrigações, qual quem tem culpa no cartório, o mesmo Juiz que analisando as contas da campanha do citado prefeito, "DECIDIU" reprová-las, ou seja não estão corretas, tem indícios graves de subfaturamento, entre outros, esta mesma pessoa, que deveria ser exemplo de procedimento digno, justo e correto, é capaz de proferir decisão contrária à sociedade, representada pelo MP?

Me parece inviável a coexistência dessa dicotomia em um único ser.Num momento digo:"você está errado, você não agiu dentro da Lei" mas no momento seguinte, em que me é dada a oportunidade de consertar esse estado de coisas, me pronuncio de forma acabrunhada, permitindo que o mesmo indivíduo que determinei ser incorreto nas ações públicas que tomou, venha a ser diplomado nessa eleição, e por ele mesmo, a mesma mão que afaga é a que agride, só que neste caso a agressão é mínima e o afago é gigantesco.

Fato. Gostemos ou não, temos Prefeito diplomado.

Eis a razão desse texto, Diploma de que?

Certamente de esperteza, sem dúvida uma lição a todos nós sobre o poder da Família Ortiz em Taubaté, sugiro até que nossa urbe deixe a categoria de cidade e passe a ser denominada FEUDO, o título de Senhor Feudal, cabe com muito mais justeza na figura de Ortiz Junior.

Quanto ao Digno Magistrado eleitoral, sua consciência será seu juiz, vá para onde for, sempre que olhar para trás, verá essa sua linda decisão, talvez veja também, como eu, a existência de duas personalidades distintas à interpretar as leis, uma séria, legalista, com princípios, e outra, menos agradável, qual Dr.Jekyll e mister Hyde, que seja feliz em sua jornada, por que a nossa, sua decisão já definiu.

Taubateanos, saimos de uma administração acusada de desvios de dinheiro, corrupção entre outras, para entrarmos em uma com também acusações graves de corrupção e desvio de verbas, infelizmente dependíamos do entendimento e correção do Juiz eleitoral desta cidade, e colhões nem todos tem.

Que Deus nos reserve dias melhores.