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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

TAUBATÉ ASSISTE FESTA DOS "ESPERTOS"

Este artigo deveria ter sido publicado pelo Diário de Taubaté no dia da "diplomação dos eleitos". Como faltou espaço no jornal, publico-o no Blog do amigo Irani Lima:

Antonio Barbosa Filho, jornalista

DELFT (Países Baixos) - Entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2012, apareceram nas redes sociais algumas figuras estridentes e radicais, quase ridículas em seu fanatismo, empenhadas em defender o candidato-eleito Juninho Ortiz. Na verdade, nem se tratava de uma defesa propriamente dita, já que esses parlapatões não entravam no mérito das graves acusações feitas pelo Ministério Público da capital perante a 14a Vara da Fazenda (por corrupção, contra os Ortizes pai e filho e três empresas fornecedoras de material escolar à FDE) e pelo Ministério Público Eleitoral em Taubaté, por abuso de poder político e econômico na milionária campanha de setembro/outubro. Os porta-vozes de Juninho preferiam agredir os críticos do réu-eleito, deixando entredito que, mesmo que seja culpado, o herdeiro da Prefeitura jamais será apanhado pelas garras da lei.

Um dos que abriu o jogo com sua costumeira sinceridade (a mesma que lhe custou o mandato de vereador e provavelmente impediu a eleição de seu filho-preposto) foi Rodson Lima. Colocando-se como membro da equipe da futura administração (pelo seu nível e dos parceiros, daria um bom secretário da Cultura...), Rodson chegou a expressar a filosofia que inspira os Ortizes e seus ortizetes: "O que seria dos espertos se não houvesse os trouxas?" Nada como um discurso direto, no tom de quem pergunta: "Entenderam ou querem que eu desenhe, idiotas?" Rodson Lima foi a voz mais autêntica da campanha vitoriosa de Ortiz Júnior, na qual outros militantes sempre tentaram dourar a pílula, bons tucanos que são...

Neste dia 19, portanto, a cidade que ainda tem algum escrúpulo e alguma vergonha da corrupção política, assistirá a festa dos "espertos". Eles estão se esbaldando, distribuindo empregões e empreguinhos, festejando dia e noite o sucesso do maior golpe eleitoral da história de Taubaté. Nem mesmo o juiz eleitoral Dr. Flávio de Oliveira César, ousou estragar a festa no chiqueiro: a fuga de Juninho às notificações, por vinte longos dias, a malandra troca de advogados para ganhar mais cinco dias, o pedido de vistas do vice-prefeito (por acaso marido da provável presidenta da Câmara, o que simplifica as coisas: pai, filho, marido e mulher centralizarão o poder, as chaves dos cofres, a aprovação de projetos pelos vereadores e, principalmente, nenhuma fiscalização ou oposição), todas essas chicanas típicas de porta-de-cadeia, deram certo. O réu-eleito, indiferente aos processos que podem cassá-lo em dias, semanas ou meses, receberá o diploma que adquiriu por uma fortuna que jamais será totalmente calculada.

É verdade que o diploma de prefeito não será aquele documento magno, aquele honroso atestado de uma delegação popular limpa: o diploma de Juninho está manchado de lama. Encardido pelas suspeitas, com as bordas amassadas pelas acusações incontestáveis, o papel que lhe será entregue nesta semana tem um problema maior que praticamente anula sua validade: é provisório, não confere um mandato de quatro anos. Pode ser retomado a qualquer momento, tão logo a Justiça conclua suas investigações e avaliações. Fosse uma ação de empresa, diríamos que é um papel mixado; fosse uma cédula de dinheiro, seria moeda falsa; fosse um cheque, não teria fundos.

Mas nada disso importa aos ortizetes, que aumentam a cada dia com a adesão de todo tipo de picaretas, sabedores que será sempre fácil obterem vantagens de um prefeito que assumirá (?)  sem autoridade moral, sem a confiança de boa parcela da população, atraindo empresários inescrupulosos, tendo que atender intimações de São Paulo e de Taubaté a todo momento. Um meio-prefeito, com um pé no Gabinete e o outro nos tribunais. Para os que apenas querem uma boquinha, custe o que custar, o importante é sentarem-se em suas cadeiras, ainda que seja por semanas ou meses: eles sabem como aproveitar a chance que jamais conseguiriam por mérito. Conseguiram-na por cumplicidade.

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