Páginas

sábado, 26 de janeiro de 2013

ANTES E DEPOIS

SILVIO PRADO, professor

A cidade ainda não esqueceu um dos mais fortes programas eleitorais do Ortiz Junior no segundo turno, aquele em que o menino apareceu sentado confortavelmente ao lado do Alckmin, ouvindo o governador como quem ouve um pai ou o tio preferido.

E o governador, das alturas de seus três mandatos e dono da chave de um cofre de 160 bilhões de reais, garantiu a população de Taubaté que as fortunas do estado estariam à sua disposição se Bernardinho vencesse Isaac. Não só as fortunas, mas ele próprio.

Mais do que isso: passou a impressão (ou certeza) de que ele seria um serviçal do governo Junior, ou seja, da cidade. Portanto, qualquer inocente taubateano passou a crer que na primeira crise administrativa do novo governo tucano, Alckmin, como um Batman esvoaçando uma capa azul e amarela, apareceria por aqui para solucioná-la.

Alckmin ganhou tanta importância na campanha do Junior que teve gente que andou pensando que, depois da vitória, o encontraria pelas ruas da cidade caçando e matando o mosquito da dengue ou, fardado, dando uma mãozinha para sua PM acabar com nossa violência.

Tão presente estaria o governador na solução dos problemas locais, que na falta de médico no pronto-socorro, lá estaria ele dando anestesia ou socorrendo algum velhinho perdendo respiração sobre uma confortável maca abandonada pelo corredor.

Na crise da educação, Alckmin substituiria merendeiras, taparia o buraco do professor faltoso e apartaria, por dia, umas cento e cinqüenta brigas de alunos nos pátios das escolas municipais.

Além de titio Alckmin, nas horas amargas do governo, o tucaninho também poderia contar com o recurso do papai Bernardo, sempre disposto a perder dúzias de fios de cabelos pelo filho amado.

Na ausência da dupla, ele teria a seu lado vereadores de porte cerebral espantoso, assessores pagos a peso de ouro, além de uma leva de transparentes descobrindo soluções impossíveis a cada segundo de sua gestão.

Com dois assessores e amigos desse porte, não tem crise que agüente e não tem porque cair em desespero e ficar amedrontando 800 professores que se afastaram da sala de aula por doença.

ortanto, ficou e está muito estranho o comportamento desesperador do Ortiz Junior, agora obrigado a permanecer sentadinho na cadeira do Bom Conselho e dela só se levantar quando os problemas da cidade forem resolvidos. Porém, mesmo lá sentadinho o dia inteiro dá para o prefeito esticar a mão, pegar o celular, ligar para o governador e, claro, respeitosamente, perguntar: Alckmin, cadê você?

Parafraseando Brecht: infeliz do povo que acredita em mutretas eleitorais.

Esta e outras informações podem ser lidas em nossa fã page.