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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

EX-CAPITAL DO VALE, TAUBATÉ
VIVE O OSTRACISMO POLÍTICO

Wagner Guisard Thaumaturgo, advogado

Ontem, aproveitei o feriado para dar um passeio pela nossa Taubaté, e por cada lugar que passei me lembrei de minha juventude, de minha infância, as ruas mais tradicionais com suas procissões, que reuniam as famílias, as praças onde nossas crianças podiam brincar, detalhe, sozinhas, sem adulto para observar os meliantes hoje tão abundantes, lembrei que minha terra era chamada de Capital do Vale.

Pujante economia, progressista, com um futuro promissor a se descortinar a nossa frente. Por um momento me transportei para o passado, não sou um saudosista, defendo o progresso e a evolução, mas por um instante senti inveja de mim mesmo, inveja do tempo que olhava para frente e via um cenário promissor.

Mas, nessas minhas andanças e lembranças, voltei os olhos para a Taubaté de hoje, estagnada no tempo, ultrapassada por São José dos Campos há muito tempo, perdendo espaço para Pinda, Jacareí, e outras cidades da região.

Pude constatar uma coisa muito simples, nos últimos 30 anos Taubaté se esqueceu de crescer, da promissora cidade de minha juventude, nos transformamos numa urbe sem saúde, com habitações precárias, construídas sobre lixões, alagados, casas oferecidas a população como solução de moradia, para dez ou quinze anos após estarem em situação de ruína, transporte público estagnado, a mesma empresa de minha juventude ainda é concessionária desse serviço, não tem concorrentes, não melhora a qualidade, a única coisa que cresce é o valor da passagem, na área da educação, continuamos na idade da pedra, trocando livros dados pelo Governo Federal por apostilas de qualidade duvidosa e preço superfaturado, professores cada vez mais desvalorizados, tendo que viver com uma remuneração que beira a indignidade, na minha juventude, a melhor escola pública era o "Ezequiel", hoje a melhor escola pública ainda é o "Ezequiel", só que a qualidade do ensino deixa muito a desejar.

Na segurança, nem preciso comentar, como disse, nossas crianças brincavam sozinhas nas praças e ruas da cidade, hoje não podem ir sozinhas na padaria da esquina comprar um pão que seja, sem serem observadas e abordadas por tipos que mais parecem saídos das barras da cadeia, e geralmente o são, com tantos "indultos", saídas temporárias, é dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, natal, ano novo, páscoa, e tudo sem nenhuma garantia de segurança por parte das autoridades, nessas datas que deveriam ser de comemoração tranquila para as pessoas de bem, ficamos mais assustados e acuados, Taubaté nada faz para nos dar um mínimo de segurança, e o tão necessário lazer, importantíssimo para o desenvolvimento da criança e do adolescente, e merecido descanso para os adultos e idosos, onde está? "Capital Nacional da Literatura Infantil"? onde estão as bibliotecas da cidade? Quais campanhas para incentivar a leitura nós temos, um parque de Mazzaropi, um museu do mesmo, o mesmo velho sítio de Monteiro Lobato, nada de inovador, a não ser estátuas e bustos em profusão pela cidade, compradas a que preço?

O taubateano quer se divertir? tem que ter dinheiro, temos dois Shoppings, basta ter o bolso recheado e poderá se divertir, o lazer público, não existe mais, nem mesmo o carnaval de nossa cidade, antes atração no vale do paraíba, hoje mero desfile protocolar, cheio de descaso do poder público e boa vontade dos particulares, nem nossa imprensa escapa, com raras exceções, não contrariam os políticos nem os poderosos.


Com isso tudo, fico pensando qual será esse fenômeno que estagnou Taubaté, que lhe impediu de crescer e atingir o que sonhávamos a trinta anos, onde nós erramos?
Só consigo chegar a uma conclusão, olho o panorama político dessa nossa cidade e vejo que todos, absolutamente todos os Prefeitos que foram eleitos nesses trinta anos, ou tem o sobrenome Ortiz, ou por ele foi indicado, parece coisa de louco, pois os eleitores dele reclamam da cidade, reclamam do trânsito, da saúde, da educação, da segurança, mas não conseguem ver que os responsáveis por essa situação caótica de Taubaté são os Senhores feudais que mais uma vez assumem diretamente o comando de nossa urbe.


Votaram no sr. Ortiz junior como o salvador da pátria, sendo que ele e seu pai são os verdadeiros culpados dessa situação caótica, tiveram trinta anos para por Taubaté no mapa do progresso e nos colocaram no mapa da insegurança, da falta de qualidade de vida, na doença. Minha decepção é muito grande, olho para o passado com inveja, olho para o futuro com temor, até nossa Justiça, hoje tão operante e rápida no Brasil e em especial no estado de São Paulo, caçando candidaturas e prefeitos eleitos de forma eficaz e rápida, aqui em Taubaté, parece obedecer aos ditames Feudais.


Taubaté está fora do compasso a trinta anos e parece continuar mergulhada na ilusão do honesto, na lábia do aproveitador, rendeu-se como que por encanto aos pés dessa família, cujo pai esta a travar contenda com a prefeitura por ter sido obrigado a devolver algo em torno de R$ 1.000.000,00, e o filho, ontem empossado, já leva novamente a cidade a sentar no banco dos réus, e com acusações de uma seriedade lamentável.


Gostaria de ter terminado este passeio que fiz por minha cidade com alegria, mas com certeza não foi assim que terminou, mas citando Elisa lucinda : "Sei que não dá para mudar o começo. Mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final".

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