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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A "OBRA" DO MESTRE DE OBRAS MEIA BOCA

O texto reproduzido abaixo é do jornalista e escritor Carlos Karnas, que vivenciou o drama taubateano no último quadriênio do século XX com o desmoronamento de várias galerias, em vários bairros, prejudicando milhares de moradores.

Paira sobre a cabeça do futuro ex-prefeito de Taubaté, como uma praga, a espada de Dâmocles deixada por seu pai. A espada tem forma de tempestade e rapidamente provoca enchentes e alagamentos, sempre em bairros periféricos, onde seus habitantes são mais sujeitos à manipulação eleitoral.

A colheita que se faz em Taubaté nos dias atuais é fruto da semente do descaso e do desmazelo do mestre de obras meia boca, que jamais se preocupou com construções perenes, bem acabadas.

Quis o destino que o filho pagasse pelo desmazelo do pai.

Aqui o texto de Carlos Karnas, publicado originalmente na postagem anterior.

“O primeiro prefeito a ser surpreendido com as graves consequências das obras porcas e irresponsáveis de José Bernardo Ortiz foi o prefeito Antonio Mário Ortiz, quase ao final do mandato. Uma sucessão de sérios acidentes públicos aconteceram, com o desmoronamento de vias públicas e o surgimento de enormes crateras em ruas da cidade, deixando-as intransitáveis e comprometendo as estruturas de casas residenciais com moradores. De um momento para outro, planos emergenciais drásticos, mas consequentes, foram estabelecidos pela prefeitura. Moradores das ruas atingidas tiveram que sair de suas casas para serem abrigados em hotéis da cidade. Constrangimento que durou semanas e meses. O DOP mobilizou o grosso do seu contingente funcional e de máquinas para atacar o problemaço estabelecido. Mais do que isso: foi contratada empresa de engenharia especializada para diagnosticar os afundamentos e o motivo das crateras que começaram a aparecer nas vias públicas de Taubaté. Na época foi utilizada alta tecnologia, com a utilização de cabos de fibra ótica para a identificação e registro com imagens de grande parte da malha pluvial. O tamanho do problema foi dimensionado com precisão e revelou-se altamente preocupante para a atual e futuras administrações municipais. O resultado do diagnóstico – que os engenheiros e entendidos previam – foi conclusivo: a canalização pluvial da cidade fora mal feita e mal executada no governo de José Bernardo Ortiz, responsável pelas obras. Os tubulões metálicos sob as vias públicas não receberam tratamento adequado, não foram executados os procedimentos técnicos de engenharia recomendados, como a concretagem de proteção do leito dos tubulões para o escoamento das águas, para o não comprometimento da estrutura metálica. O não cumprimento das normas técnicas limitou a durabilidade das chapas metálicas dos tubulões e apressou a corrosão e o apodrecimento de todas elas. Dinheiro público desperdiçado abusivamente que levantou, à época, suspeitas sobre a lisura das licitações praticadas por José Bernardo Ortiz. O diagnóstico descritivo e com imagens, com os procedimentos técnicos necessários para a solução do problema, ficou documentado em laudo consistente e irrepreensível. A imprensa e a população tomaram conhecimento oficial de todas as ocorrências e dos procedimentos adotados pelo poder público municipal. Devido ao jogo de interesses políticos, a imprensa não poupou críticas ferozes e levantou até mesmo dúvidas sobre o diagnóstico, que era verdadeiro e correto. O governo de Antonio Mário Ortiz foi bastante penalizado, bem como o político. Entretanto, foi ele o primeiro prefeito a sentir os efeitos danosos em consequência das obras porcas e irresponsáveis de José Bernardo Ortiz. O então prefeito Mário Ortiz determinou que o DOP executasse com rigor técnico todas as obras emergenciais. E mais: as obras que levariam anos para serem executadas, com novos e volumosos recursos, constaram e ficaram documentadas como necessidades de continuidade para as próximas administrações. Esses laudos técnicos, se não desapareceram, devem ser de domínio, ainda, do DOP. O fato puro e simples é que todos os demais prefeitos que sucederam Mário Ortiz estiveram informados, não se importaram e desqualificaram o sério diagnóstico existente sobre as galerias de águas pluviais de Taubaté. A população deve saber disso e é fácil constatar onde estão os pontos críticos: são aquelas ruas e avenidas em que o asfalto está ondulado. Todos os demais prefeitos dos últimos 13 anos botaram dinheiro público no lixo e enganaram a população. E a origem do problema está na administração do prefeito José Bernardo Ortiz, que gastou mal os recursos da prefeitura e jamais se explicou a respeito.

Veja o vídeo abaixo (encontrado no You Tube por Tony Marmo), produzido pela equipe do ex-prefeito Mário Ortiz mostrando a obra meia boca deixada por Bernardo Ortiz. A bomba de efeito retardado explodiu novamente, desta vez fazendo estragos no bairro Terra Nova. Quis o destino que o filho pagasse pelos pecados do pai. O mestre de obras meia boca está preocupado com a catástrofe provocada por sua "obra"?