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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CHALITA: BONITINHO, MAS ORDINÁRIO

O título acima pertence à postagem, neste blog, do dia 17 de agosto de 2011 (leia aqui), sobre as súbitas mudanças partidárias de Gabriel Chalita e o prometido apoio à candidatura de Ortiz Júnior a prefeito de Taubaté.

Chalita, natural de Cachoeira Paulista, virou estrela graças à sua participação na programação da TV Canção Nova. Foi secretário do governo Alckmin, quando ainda pertencia ao PSDB. Foi para o PSB apoiar a candidatura de Dilma Rousseff à presidência.

Dúbio, o político cachoeirense apoiou a vitoriosa campanha da petista, mas manteve um pé no ninho tucano ao apoiar a candidatura a deputado estadual de Ortiz Júnior, inclusive indo às portas das igrejas pedirem votos para suas candidaturas..

Pretenso candidato a ministro da Ciência e Tecnologia ou da Educação, Chalita foi preterido pela presidente Dilma Rousseff e foi parar nos braços do vice-presidente Michel Temer (PMDB), filiando-se ao PMDB.

Foi um dos candidatos a deputado federal mais votado em Taubaté, pelo PSB, em 2010, perdendo apenas para Tiririca (PR) e Emanuel Fernandes (PSDB).

A máscara de Chalita caiu. O jornal Folha de S. Paulo tem brindado o ex-candidato a prefeito da Capital pelo PMDB com matérias nada lisonjeiras. Ah!, no segundo turno das eleições municipais, o político cachoeirense apoiou o petista Fernando Haddad, eleito prefeito.

Uma rápida pesquisa pelo DivulgaCand, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, revela que o patrimônio declarado de Gabriel Chalita à Justiça Eleitoral é de, pasmem!, R$ 11.521.692,19, isso mesmo: onze milhões e quinhentos e vinte e um mil e seiscentos e noventa e dois reais e dezenove centavos. É mole?

Deve ter vendido muitos livros para amealhar sua fortuna.

De repente ele ganhou na sena e não sabemos. Ou teria sido fruto de herança? Só Chalita pode (se) explica.

Abaixo, reproduzo texto publicado originalmente nas redes sociais pelo professor Silvio Prado. Como sempr3e, o texto é imperdível.

Silvio Prado, professor

Em 2012, o analista Roberto Leandro Grobman foi até a Ministério Público Estadual de São Paulo, pôs a boca no mundo e complicou a vida política de Gabriel Chalita, ex-secretário da educação paulista no governo Alckmin, entre 2002 e 2006.

Conforme o jornal Folha de São Paulo de sábado passado, dia 22, das denúncias feitas contra Chalita resultaram 11 inquéritos contendo suspeitas de corrupção, superfaturamento de licitações públicas e enriquecimento ilícito.

A reportagem revela o outro lado do ex-tucano, agora deputado federal pelo PMDB. Quem diria que moço tão fino, defensor ferrenho da pedagogia do afeto, paladino da ética e ligado ao grupo conservador Canção Nova mantivesse durante anos uma assídua relação de improbidade com uma empresa educacional chamada COC.

A Folha informa que o denunciante Roberto Lean Grobman foi uma espécie de assessor informal de Chalita, instruído pela empresa COC para se aproximar do então secretário e assim facilitar negócios da empresa com a Secretária da Educação.

Pelo teor das denúncias, as facilidades feitas foram muitas pois o que Chalita recebeu em troca não foi pouca coisa. Os patrões de Grobman pagaram para o deputado despesas com a locação de aviões e helicópteros, viagens e até a reforma de seu apartamento, localizado no bairro de Higienópolis.

A tal reforma custou 600 mil reais, incluindo 93 mil apenas com a instalação de telões e aparelhos de som. A mesma empresa comprou 34 mil exemplares do livro Pedagogia do Amor. Depois, mesmo quando não era mais secretário da educação, Chalita foi contratado para fazer palestras para o grupo COC, ganhando cerca de 30 mil reais por evento.

As acusações contra o ex-tucano acabaram respingando também no grupo religioso Canção Nova, de Cachoeira Paulista, que, conforme a reportagem, recebeu computadores resultantes de uma das negociatas.

Chalita, é claro, nega todas as acusações e diz que elas são feitas “para atingir a imagem de quem trabalha por este país e tem compromisso com a ética” De qualquer maneira, as denúncias estão sob responsabilidade da justiça e o deputado, apesar de muito bem visto pela imprensa e durante muito tempo devidamente blindado, deverá ter dificuldades para sair desse caso sem arranhões profundos em sua imagem.

Além da relação com a empresa COC, o denunciante afirmou que Chalita cobrava 25% de propina das empresas que forneciam qualquer produto para a Secretaria da Educação. O dinheiro da propina ficava guardado num cofre da própria Secretaria e depois, em caixas de papelão, era levado para o apartamento do então secretário.

Tais denúncias são extremamente oportunas pois circulam exatamente no momento em que na Assembleia Legislativa de S. Paulo o PSDB faz um esforço danado para evitar que o ex-prefeito de Taubaté, Bernardo Ortiz, seja chamado para falar sobre suas traquinagens feitas à frente da FDE, Fundação para o Desenvolvimento da Educação.

Devido a muitas irregularidades, desde o ano passado a justiça determinou o afastamento de Bernardo Ortiz da presidência da FDE e parte de seus bens estão congelados. Ele é acusado de ter facilitado a organização de um esquema de propinas dentro da Fundação, esquema que favoreceu diretamente seu filho Bernardo Ortiz Junior, que em 2012 elegeu-se prefeito de Taubaté.

Denúncia do Ministério Público afirma que parte do dinheiro (1,7 milhão de reais) gasto na campanha do tucano saiu dos cofres da FDE através e licitações viciadas. Mesmo sendo em épocas diferentes, o dinheiro que alimentou as falcatruas que envolvem as duas figuras (Ortiz e Chalita) saiu de um mesmo lugar, ou seja, dos cofres da educação pública paulista.

Os dois casos são exemplares e mostram a importância de investigar e abrir essa caixa preta chamada FDE. Quantas fortunas não foram desviadas da escola pública para o bolso de gente que se enriqueceu com dinheiro da educação?

Só um detalhe da reportagem da Folha não ficou muito claro para o leitor. Grobman, quando perguntado por que denunciou Chalita, respondeu que fez a denúncia porque se sentiu “abandonado” pelo ex-secretário.

O repórter não questiona e nem aprofunda a informação sobre esse “abandono”. Coincidência ou não, o caso Chalita-Grobman lembra o caso Ortiz Junior-Djalma Silva (Santos). Para quem não sabe, Djalma Silva foi o empresário que denunciou o esquema da família Ortiz dentro da FDE.

Porque não recebeu os 400 mil reais prometidos por Ortiz Junior pela sua participação numa licitação viciada, o empresário Djalma Silva foi ao Ministério Público e revelou o esquema montado na FDE.

Agora, Junior está sob investigação e pode até perder o mandato. Parece que Chalita está indo pelo mesmo caminho, depois que Grobman se sentiu “abandonado” por ele.

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