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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DOZE PAUS

Silvio Prado, professor

Que bom ser secretário
E ganhar uns doze paus
Enquanto ganha o enfermeiro
E também ganha o braçal
Uma quirera escandalosa
Uma merreca surreal.

Que bom ser secretário
Ser do primeiro escalão
Indiferente ao sofrimento 
De quem varre e limpa o chão
Ou do guarda que se mata
Por um e outro tostão

Que coisa maravilhosa
Ter doze paus na carteira
Mesmo que a pobreza
Esteja ela toda inteira
No bolso do professor
E na vida da enfermeira.

Simplesmente fabuloso
É o volume dessa grana
Caindo de mês a mês
Enquanto a política sacana
Impõe aos funcionários
Uma pobreza que esgana

Pouco importa o infeliz
E todo pobre funcionário
Se ferrando o ano inteiro
Sob seu micro salário
Povo que trabalha duro
Mas é visto como otário

Segue a vida desse jeito
Nos átrios da prefeitura
Onde pouquíssima gente
Sem esforço algum fatura
Uma grana escandalosa
Imposta na cara dura.

Bom demais ser secretário
E na vida dar um jeito
Pois o muito que se ganha
No bolso nem cabe direito
Espécie de prêmio pago
Aos amigos do prefeito

Enfim, que maravilha
Esse salário, enormidade
Agradando meia dúzia
Envergonhando a cidade
E tudo sendo aprovado
Num ato de improbidade. Doze paus

Que bom ser secretário
E ganhar uns doze paus
Enquanto ganha o enfermeiro
E também ganha o braçal
Uma quirera escandalosa
Uma merreca surreal.

Que bom ser secretário
Ser do primeiro escalão
Indiferente ao sofrimento
De quem varre e limpa o chão
Ou do guarda que se mata
Por um e outro tostão

Que coisa maravilhosa
Ter doze paus na carteira
Mesmo que a pobreza
Esteja ela toda inteira
No bolso do professor
E na vida da enfermeira

Simplesmente fabuloso
É o volume dessa grana
Caindo de mês a mês
Enquanto a política sacana
Impõe aos funcionários
Uma pobreza que esgana

Pouco importa o infeliz
E todo pobre funcionário
Se ferrando o ano inteiro
Sob seu micro salário
Povo que trabalha duro
Mas é visto como otário.

Segue a vida desse jeito
Nos átrios da prefeitura
Onde pouquíssima gente
Sem esforço algum fatura
Uma grana escandalosa
Imposta na cara dura.

Bom demais ser secretário
E na vida dar um jeito
Pois o muito que se ganha
No bolso nem cabe direito
Espécie de prêmio pago
Aos amigos do prefeito.

Enfim, que maravilha
Esse salário, enormidade
Agradando meia dúzia
Envergonhando a cidade
E tudo sendo aprovado
Num ato de improbidade.