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sábado, 2 de fevereiro de 2013

O TREM CAMINHA FORA DOS TRILHOS
NA CÂMARA MUNICIPAL DE TAUBATÉ

O trem não descarrilou, ainda, mas caminha para um desastre político de grandes proporções para seus personagens. Os vereadores Salvador Soares e Vera Saba, ambos do PT, maquinistas de primeira viagem, não estão conduzindo adequadamente o trem de seus mandatos.

Ambos se tornaram presas fáceis do matreiro vereador Joffre Neto (PSB), a ponto de atirarem nos próprios pés. Quero atribuir o fato à inexperiência parlamentar de Salvador Soares e de Vera Saba, mas, confesso, uma ponta de decepção me atormenta.

Infelizmente, para os quase cinco mil passageiros que colocaram os petistas no comando deste trem, nem Salvador nem Vera representam, até o momento, uma parcela da oposição que deveria existir na Câmara Municipal.

A equação é de difícil resolução, reconheço, porém, ao se aproximar de Joffre Neto, de forma cada vez mais explícita, os vereadores petistas estão, por via transversa, assumindo um lugar no vagão de apoio ao prefeito tucano, que pode ser defenestrado do cargo em poucos meses.

Alegar que a boa convivência entre parlamentares é salutar para a cidade é uma desculpa esfarrapada. Parlamento precisa de vida e a vida parlamentar é feita de debates públicos.

Conchavos são inaceitáveis, mas fazem parte da vida política. É no bastidor, longe da patuleia e da imprensa, que se urdem táticas e os adversários, no plano teórico, convergem politicamente.

Foi assim na eleição para a presidência da Câmara Municipal. Salvador Soares votou na vereadora Graça (PSB) para presidir a Casa Dr. Pedro Costa. Nada de anormal, pois soube negociar nos bastidores e ganhou a vice-presidência da Mesa Diretora.

Parlamentar significa, também, negociar em busca de um acordo, ensina mestre Houaiss. Foi o que fez Salvador Soares. Ele negociou seu apoio à vereadora Graça em troca de um cargo na mesa da Câmara. Tudo na mais absoluta normalidade.

Não se confunda, porém, parlamento com balcão de negócios, com casa comercial, embora guardem muitas semelhanças entre si, dependendo do parlamentar que negocia e com quem negocia.

Inexperiente, Vera Saba não negociou seu apoio à vereadora Graça. Na condição de pré-parlamentar, aceitou apoiar a colega sem nada pedir em troca, como a presidência de alguma comissão, por exemplo. Não há despudor neste negócio. Há, sim, o interesse individual e o dos grupos políticos com assento na Câmara Municipal.

A noviça Vera Saba trilhará por caminhos tortuosos mais algum tempo até encontrar a saída para o paraíso. O ardiloso vereador desnecessário, com sua lábia, cooptou a petista e foi votado por ela para a presidência da Câmara Municipal.

Vera Saba ainda não acordou de seu sonho, que pode se transformar em pesadelo futuramente. O catão da Vila São Geraldo conquistou, como um demônio, a alma da vereadora petista.

O comportamento de Vera Saba neste início de legislatura é preocupante.

Ela acaba de assinar um requerimento do vereador desnecessário que solicita à presidência da Câmara a substituição do vidro que separa o plenário das galerias.

A sugestão salomônica para substituir os vidros fixos por vidros deslizantes é estapafúrdia. O próprio catão criticava a existência dos vidros quando estava desempregado. Agora clama pela sua manutenção. Medo do povo? Sobre isto, leia aqui postagem deste blog feita no dia 5 de janeiro.

O vereador Salvador Soares, vice-presidente da Câmara Municipal de Taubaté, é antigo desafeto de Joffre Neto, por quem foi duramente criticado na última década. Por força do destino (e dos votos obtidos em suas campanhas eleitorais), ambos convivem hoje sob o mesmo teto.

A Câmara Municipal não é um ringue de boxe ou algo que o valha onde os vereadores trocarão sopapos. Tampouco é um convento onde o respeito mútuo está acima das divergências políticas e das veleidades de cada um. Individualmente, cada vereador representa um voto.

Estranha a atitude do vereador Salvador Soares em me propor “fumar o cachimbo da paz” com o vereador Joffre Neto por conta da repercussão negativa da viagem internacional de uma assessora parlamentar, que receberia seu salário normalmente não fosse o alerta dado por uma leitora deste blog e sua posterior publicação.

Censura velada? Ingenuidade do vereador? O que está acontecendo com nossos vereadores? Joffre Neto, na primeira sessão do ano, presidida pela vereadora Graça, tripudiou o quanto pôde sobre a colega para demonstrar seu conhecimento sobre o regimento da casa.

Pudera! Após tantos anos de desemprego, teve tempo mais que suficiente para estudá-lo e vomitar conhecimento, além de sua própria experiência de ex-presidente do legislativo taubateano.

A vereadora Graça, por sua vez, não percebe que o rolo compressor pilotado por Joffre Neto está passando sobre todos os vereadores. Ela suspendeu, por iniciativa própria, o pagamento da assessora que abandonou o serviço para viajar, com autorização de seu chefe, o vereador Joffre Neto.

Contudo, a suspensão do pagamento está sendo vendida aos incautos taubateanos como um pedido feito pelo vereador. Ou seja, a assessoria do vereador desnecessário atribui à Mesa Diretora da Câmara uma falha que é de sua inteira responsabilidade.

Graça vai permitir a afronta? Ou colocará panos quentes no assunto?

Por que o temor reverencial? A Câmara Municipal de Taubaté não tem vida  porque o vereador se esconde no anonimato para dar declarações aos jornais. O homem público emite  publicamente sua posição, jamais deve exprimir seu ponto de vista em off

Se não quer se comprometer com o colega, não faça afirmação nenhuma. No parlamento não há lugar para a covardia. Quem tem medo do confronto, do debate aberto, público, está no lugar errado.

Aos novos vereadores, sugiro a leitura sobre o canto da sereia, que postei no dia 25 de dezembro, como um presente de Natal para os parlamentares que assumiriam suas cadeiras na Câmara Municipal uma semana depois.

Esta e outras informações poem ser lidas em nossa fã page.