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sábado, 16 de fevereiro de 2013

SALAS SUPERLOTADAS: OBSTÁCULO
À QUALIDADE DO ENSINO

Gerson Jório, engenheiro e professor

De volta às aulas, deparei, na escola em que leciono, a Escola Estadual Professor Antônio Apparecido Falcão, localizada no Jardim Eloyna, em Pindamonhangaba, com um problema que assola a educação pública brasileira, principalmente no estado de São Paulo: as salas superlotadas.

No primeiro e segundo ano do ensino médio, a situação é crítica, com salas de 49 m2, a escola não pode ter turmas de 38, 40 e 41 alunos.

Acrescentando-se a este número o professor, serão, em uma das salas, 42 pessoas mal acomodadas em 49 m2, ou seja, 1,17 m2 por pessoa.

No ano passado, a Comissão de Educação do Senado Federal aprovou em caráter terminativo, projeto de lei do senador Humberto Costa (PT/PE), que determina que as turmas dos anos finais do Ensino Fundamental o do Ensino Médio tenham no máximo 35 alunos por sala de aula.

Mas, mesmo que a lei de 35 alunos por sala de aula seja aprovada, considero que salas pequenas como as da escola em que trabalho continuem superlotadas.

Existem alguns estudos que apontam que cada aluno deve ter direito a 1,2 m2 nas salas do ensino médio, devendo ainda ser reservado uns 8 m2 para circulação dos alunos e mais uns 8 m2  para o professor.

Se adotarmos este critério para o caso de minha escola, o cálculo a ser feito será:

Primeiro, subtraímos 16 de 49 m2, ficando com um espaço de 33 m2 para acomodarmos os alunos. A seguir dividimos trinta e três por 1,2, obtendo um resultado de 27,5.

Concluímos, portanto, que 27 alunos seria a lotação ideal para uma sala com 49 m2 de área.

Além de ter o tamanho físico adequado ao tamanho da turma de alunos, entendemos ainda que uma sala de aula deva ser bem iluminada, sem ruídos exteriores, com boa ventilação e, claro, ser dotada de mobiliário apropriado.

As salas superlotadas impedem que o professor dedique atenção especial aos trabalhos de cada aluno. Um professor de Física, por exemplo, disciplina que tem duas aulas por semana, para atingir 40 horas semanais, precisaria trabalhar com 16 salas.

Se considerarmos 40 alunos por sala (tem salas que tem mais), seriam 640 alunos.

É comum, nessas salas, que durante todo o transcorrer de um ano letivo, não sobre tempo para que o professor possa conversar com cada um de seus alunos.

Às vezes o ano termina e não foi possível guardar os nomes de todos. Sentindo-se um anônimo perante os professores, o aluno frequentemente fica desencorajado a prosseguir no caminho do esforço pela aprendizagem.

É mais comum que busque chamar a atenção através da indisciplina, ou se feche em seu isolamento.

Outros países já trabalham com números menores do que estes agora propostos no Brasil. Cuba, por exemplo, trabalha com um máximo de vinte alunos por sala de aula. Canadá vinte e cinco; Espanha vinte e cinco; Noruega vinte e cinco; Inglaterra vinte e cinco; Dinamarca vinte e oito; Alemanha trinta; Finlândia trinta; França trinta; Japão trinta e Portugal também trinta.

Para finalizar, diríamos que de um modo ou de outro, a superlotação leva a escola a descumprir sua tarefa de oferecer um ensino de qualidade.

Gerson José Jorio Rodrigues é professor de Física e Química da Rede Estadual de Ensino e Secretário de Organização para o Interior da Apeoesp.

Esta e outras informações você encontra em nossa fã page.