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sexta-feira, 1 de março de 2013

A DIREITA NÃO TEM JEITO

Celso Brum, sociólogo e professor

Dizia eu, no meu artigo da semana passada (“Lula tem que morrer”) que “a direita reacionária sabe que não tem como conquistar o poder ‘jogando limpo’. Os corifeus da direita (PSDB e associados) não têm propostas e ideias capazes de ganhar o apoio popular”.

A conquista do poder, para a direita, é um fim em si mesmo, nada além disso. No entanto, mesmo sem propostas e ideias, lutar pela conquista do poder é um direito assegurado pela Constituição, cabendo ao eleitor discernir o que mais lhe convém.

A direita costuma dizer que a direita não existe. Ninguém quer declarar-se direitista no Brasil, quando muito se dizem conservadores. Ainda são poderosos, pois controlam a maioria das instituições em nosso país, de modo especial, a grande imprensa.

É um absurdo, mas torcem e trabalham abertamente para que o país quebre e que o povão se lasque. É o preço para – eles acreditam nisto – a volta ao poder das elites. Os direitistas sabem que quanto mais tempo a esquerda permanecer no poder, os filhos da plebe irão conquistando o seu espaço nas grandes instituições brasileiras. É isso o que a direita mais teme. Daí o seu desespero e sua apelação mais do que evidente. Essa farisaica pseudo defesa da ética é apenas por não ter mais o que dizer.

Recentemente, num evento do PT, havia um painel, em que estava escrito: “O fim da miséria é apenas o começo”. Isto é coisa da esquerda. A direita quer o poder e só.

E, para conquistar o poder, já pensando nas decisivas batalhas de 2014 e 2018, a direita reacionária tudo fará para prejudicar o governo e, consequentemente, tirar proveito da desgraça, já que não tem propostas e ideias para conquistar corações e mente.

A direita sabe que a batalha de 2014 está praticamente perdida. Sabe que grande parte do estoque de armas difamatórias contra Dilma Rousseff, usadas em 2010, não funcionarão mais.

A direita sabe que o seu candidato (quer o Aécio Neves, mas, vai acabar tendo que aturar o José Serra, quem viver, verá) não tem a menor chance. A direita já se dará por satisfeita se levar a eleição para o 2º turno. E espera que a Marina Silva (ou, mais provavelmente, a Heloisa Helena) candidata desse novo partido, com o incrível nome de Rede Sustentabilidade (será que é mesmo o nome definitivo?) possa contribuir para isso. A direita  espera que Eduardo Campos, governador de Pernambuco, também seja candidato a Presidente.

Neste particular, a direita pode “tirar o cavalinho da chuva”, como se costuma dizer. Eduardo Campos, neto do grande Miguel Arraes, não se prestará a ser muleta da direita, em 2014. Vai se guardar para 2018 e será candidato da esquerda, mesmo que tenha que disputar com um candidato do PT.

Mas, a grande batalha da direita, em 2014, será travada em São Paulo. Será neste estado, o mais conservador do país, que a direita fará de tudo para manter o poder. Perder a prefeitura de São Paulo foi terrível para a direita, mas, perder o estado de São Paulo será ainda pior.

A direita anda aborrecida com o insípido, inodoro e incolor Geraldo Alckmin, pois pretendia que ele fosse o contraponto ao governo Dilma Rousseff, o que o inefável Geraldo Alckmin não conseguiu. Aliás, ele está em queda livre e vai ter que suar sangue para conseguir a reeleição.

Mas, vamos convir, não vai ser fácil ganhar de Geraldo Alckmin. Ele é “cool” e “clean”, como gosta tanto o eleitorado paulista, vá entender. (Aos que estão chegando agora a este oásis de reflexões prá lá de heterodoxa, “cool” é frio, calmo, ameno e “clean” é limpo, puro, mais assim no sentido da higiene pessoal, bem barbeado, cabelos bem penteados, camisa limpinha e bem passada e calça com vinco perfeito, enfim, um “dandy”. Nunca que o Aloisio Mercadante iria ganhar o apreço dos paulistas, com aquela aparência “gauche”).

Como dizia, não vai ser fácil derrotar Geraldo Alckmin. Mas ele vai ser derrotado. Lula vai trazer para ganhar a eleição, alguém – além de “cool” e “clean” – muito competente e que será capaz de conquistar o apoio da maioria do difícil eleitorado paulista. Ganhar no estado de São Paulo é fundamental para a afirmação do PT e é dramaticamente essencial para a sobrevivência do PSDB, essa UDN apoplética, que serve à direita reacionária. A campanha eleitoral, no estado de São Paulo, vai ser uma guerra.

Mas, não tem jeito, os prognósticos para a direita são: em 2014, o PSDB tomará uma “sova de criar bicho” e continuará o seu declínio irremediável; o DEM e o PPS serão extintos pelo voto popular; o PT continuará crescendo, assim como os partidos da base governista; o Brasil continuará crescendo e o povo estará feliz.

E só há uma maneira de mudarem esses prognósticos: é o Brasil quebrar. Ou seja, só a desgraça do país e o sofrimento do povo, poderão trazer a direita de volta ao poder. É o que a direita quer. E, vocês, meus caros, raros, fieis e inteligentes leitores, também querem o que a direita quer? Tenho certeza que não.