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sexta-feira, 29 de março de 2013

AO CATÃO DA VILA SÃO GERALDO

Esta carta aberta não tem o objetivo de provocá-lo, mas tão somente o de esclarecer fatos que ficaram entalados em minha garganta depois de um debate que mantivemos na TV Cidade, em novembro do ano passado.

Estava combalido. Havia deixado o hospital cerca de 40 dias antes, após minha internação por conta de um infarto que sofrera no início de setembro, que quase custara minha vida.

Havia recebido alta da UTI, mas continuava hospitalizado. Numa manhã de sábado você me ligou, de um celular, da Praça Dom Epaminondas, para saber de meu estado de saúde e me desejar melhoras. Nossa relação era cordial e respeitosa.

A campanha política estava no auge. Os candidatos estavam nas ruas atrás de votos. Fiquei agradecido e sensibilizado pelo seu telefonema.

Nos dois meses que me ausentei, por motivos óbvios, o jornalista Barbosa Filho foi o sustentáculo deste blog, publicando artigos instigantes e críticos a tudo que acontecia, no campo político, envolvendo o atual e futuro ex-prefeito de Taubaté.

Estou me referindo ao processo por improbidade administrativa que Ortiz Júnior responde na Capital, mas esta é oura história.

Quando voltei a escrever, estávamos no começo de novembro.

Ficava incomodado com a defesa que você e seu grupo de transparentes  faziam de Ortiz Júnior que, ao contrário de Roberto Peixoto, jamais foi criticado por vocês, apesar das denúncias que pesavam  e ainda pesam sobre ele.

Produzi um texto em que tecia críticas a esta posição política, sem entrar no campo pessoal. Tínhamos e ainda temos posições divergentes sobre o futuro ex-prefeito, do qual você é um dos apaixonados apoiadores na Câmara Municipal.

Nossa relação começou a azedar neste momento. Um grupo de senhoras, que chamei de cajazeiras, passou a me atacar, a ponto de sugerirem um link do Google para que meu blog fosse denunciado como hackeado e tirado do ar pela empresa que o hospeda.

Por conta disso, fui convidado a participar do programa Cidade em Ação. Aceitei o convite, mesmo combalido como estava.

Na véspera, Chico Oiring me ligou para perguntar se eu me importaria se você também participasse do programa. Respondi que não via problema.

Não levei um bilhete sequer para me lembrar do que deveria falar. Acreditei que teríamos um debate em alto nível. Ledo engano.

Você foi municiado para tentar me desmoralizar junto aos telespectadores do programa.

Você tentou me humilhar, me atirar ao chão com denúncias infundadas.

Você me acusou de ser ímprobo, que eu tinha contas rejeitadas quando dirigi a Fundação Dr. João Romeiro, que orgulhosamente presidi entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2008.

Aquilo ficou martelando em minha cabeça. Desconhecia completamente a acusação que você me fazia.

Naquele momento não tinha a agilidade de raciocínio necessária para debater com quem se preparara para destilar veneno em seu oponente e fugir do tema principal do debate: por que a Ortiz Júnior era dado o beneficio da dúvida e a Roberto Peixoto não?

Estava combalido, repito, recém-saído de uma internação hospitalar que durara quase um mês.

O tempo passou, mas continuava incomodado. Resolvi, então, consultar o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo para dirimir minha dúvida. A resposta está publicada ao final desta matéria.

Antes, quero dizer que você continua tergiversador e delirante em seus diálogos nas redes sociais. Veja o que você escreveu recentemente para um de seus sequazes:

Joffre Neto (...) Naturalmente que, por mais que nos esforcemos, sempre haverá alguém insatisfeito e disposto a encontrar algum defeito. Paciência, não? Represento e trabalho pelos que me apoiam e também pelos que me atacam, ainda que gratuitamente. Aos gratos e os ingratos - são todos cidadãos, ainda que nem todos amigos. Principalmente aqueles que esperavam algum benefício material quando te apoiavam - e queriam um compromisso além do que assumi em campanha: honrar o mandato que viesse a conquistar.

Você se julga o dono da verdade e faz acusações sem provas para macular a honra de seus oponentes. Você gosta de quem massageia seu ego e aceita, sem pestanejar, seus mandamentos.

Este não é o meu caso.

Por isso você foi à Delegacia de Polícia registrar queixa contra mim e o jornalista Carlos Karnas. Você não nos calará, pode ter certeza.

A resposta do Tribunal de Conta à minha consulta, que também pode ser feita por você, ou por quem estiver interessado, está conforme a Lei Complementar 64/90:

1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:

g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010).

Aqui, a certidão do Tribunal de Contas. O documento tem fé pública.