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sexta-feira, 29 de março de 2013

"CONHEÇO A ANTESSALA DO INFERNO!"

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

(O caso dos corintianos presos em Oruro – Bolívia)

Já soltei brasileiro preso na Bolívia. Conheci a antessala do inferno. Confirmo, mesmo sem ver, que os 12 torcedores corintianos presos na penitenciária San Pedro, em Oruro, correm risco de morte.

Quando morei em Corumbá e era da comissão de Direitos Humanos da OAB, recebi a denuncia de que o brasileiro Alberto Alegre, ao desembarcar no aeroporto de Puerto Suarez, província de German Bush, havia sido preso por uma divida contraída pela mulher dele. A credora era nada mais, nada menos que uma cambista que tinha ‘prestígio’ com o Coronel Comandante da Guarda Nacional de Fronteira do país vizinho. Alberto foi enquadrado por crime de “estafa”. Repito que, eventualmente praticado pela mulher dele, se é que foi mesmo.

Fui visitar Alberto Alegre e percebi porque estava profundamente deprimido. Feito refém da dívida, encontrava-se numa cela em que ficava praticamente submerso no que delivrava de suas tripas. Um horror.

A informação que se tem é de que por causa do uso de celulares, seis dos corintianos presos há 35 dias foram punidos no início do mês e, passaram três dias no calabouço; celas apertadas, sem banheiro e iluminação. É exatamente assim. Sem tirar nem por. Conheço bem.

Portanto, mesmo que digam sinceramente que não estão sendo torturados, os brasileiros presos estão sendo constrangidos e correm todos os riscos. Primeiro de contaminação. Depois pela violência dos outros presos, provavelmente dispostos a vingar a morte do torcedor Kevin Espada, atingido acidentalmente por um sinalizador náutico na partida contra o San Jose.

Parlamentares brasileiros estão lá na Bolívia, tentando negociar alguma forma de garantia de vida aos torcedores do Corinthians que, por mais que se lhes desaprove o comportamento, não podem ser submetidos a tamanha violência encomendada.  Hoje, os 12 corintianos ainda estão separados dos demais presos. Eles estão divididos em duas celas de uma ala reservada, com outros 40 detentos. O maior problema, como frisei, é a higiene. A ala possui um único banheiro, sem chuveiro e privada. Há apenas um buraco no chão. O modelo é o mesmo no país inteiro.

Portanto, o governo brasileiro precisa subir o tom e encarar a questão como um problema diplomático. Caso contrário, os presos ficarão apodrecendo literalmente em Oruro.

Falei e disse!

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