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sexta-feira, 15 de março de 2013

OBESIDAE INFANTIL, UM
PROBLEMA DE TODOS

Pollyana Gama, vereadora e professora

Quem não se lembra do orgulho dos nossos avós ao verem seus netos nascerem gordinhos e daquela preocupação com os que nasciam magrinhos? Criança rechonchuda sempre foi sinônimo de criança saudável e as magrinhas suspeitas de alguma deficiência nutricional, independentemente de avaliação médica.

E aquele ´pensamento pronto´ que ainda hoje sai da boca de muitas dessas pessoas: “quanta saúde possui essa criança”, referindo-se àquele bebê ou criança mais rechonchuda. Eram lógicas que faziam sentido, segundo especialistas, em uma época onde não existiam antibióticos e as crianças mais ´fortes´ também eram mais resistentes aos processos infecciosos da infância.

No entanto, nesta geração de fast foods e comidas gordurosas, essa suposta saúde atribuída às crianças mais ´gordinhas´, porém, caiu por terra e ganhou outro nome, transformando-se em um problema muito sério de saúde mundial: obesidade infantil. As consequências dessa epidemia são seríssimas, principalmente na fase adulta quando cerca de 30% a 40% são vítimas de problemas cardíacos, além de diabetes e hipertensão.

A informação é resultado de uma das mais importantes pesquisas do mundo sobre obesidade infantil promovida pela Universidade de Oxford, nos Estados Unidos. Foram entrevistadas 49.220 crianças e adolescentes de 5 a 15 anos de idade que foram diagnosticadas com pressão arterial elevada, taxas preocupantes de colesterol e triglicerídeos no sangue que as deixam suscetíveis a problemas cardíacos ao longo da vida adulta.

Em Taubaté, confesso que fiquei muito preocupada quando tomei conhecimento de um dado alarmante: 27,9% dos estudantes do 6º ao 9º do ensino fundamental 2 das redes pública e privada estão obesos. O número é resultado de um estudo científico elaborado pela Casa da Criança, sob a responsabilidade do professor-doutor Felício Murad, também pró-reitor de extensão da Unitau, que entrevistou 19 mil alunos das cidades de Taubaté, Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião e Ilhabela.

A questão acende o sinal vermelho dentro das nossas próprias casas e levanta o debate sobre qual a educação alimentar que estamos ensinando aos nossos filhos. A lição deve sempre começar em casa com o exemplo dos pais. As causas que levam à obesidade infantil são muitas, mas pesam os hábitos alimentares baseados no fast food, salgadinhos e guloseimas e as horas passadas em frente da televisão ou jogando videogame, como também a falta de hortaliças, legumes e frutas nas refeições.

E a merenda oferecida nas escolas? As visitas que realizo às escolas e creches tem por finalidade verificar a qualidade nutricional da merenda e as condições de horário na qual é servida. É necessário lembrar que após a ingestão de, por exemplo, um prato de macarronada temos uma desaceleração cerebral por conta da digestão, gerando sonolência. Assim, na escola, a alimentação deve ser adequada para que não interfira na atenção da criança durante as aulas.

Temos que zelar por cardápios balanceados que estimulem alimentação equilibrada e supram as necessidades nutricionais, apresentando, inclusive, opções específicas para as crianças que apresentam restrições alimentares, como diabetes, intolerância à lactose e ao glúten.

Sou autora da lei municipal 4.317, de 4 de abril de 2010, que institui a Semana Municipal de Alimentação Saudável em Taubaté. A data deve ser comemorada anualmente na última semana do mês de março. É uma iniciativa simbólica para estimular a reflexão sobre o tema, pois é importante priorizar a qualidade e o equilíbrio nutricional das crianças em casa e na escola.

Estudos científicos garantem que uma criança bem alimentada tem disposição para participar das aulas e consequentemente tem mais facilidade em absorver o conteúdo passado pelo professor. Isso também é saúde. Portanto, façamos nossa parte para que, juntos, possamos reduzir os altos índices alarmantes de obesidade infantil a fim de garantir uma sociedade saudável no futuro. Esse é o nosso compromisso.