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quarta-feira, 10 de abril de 2013

EX-CHEFE DE GABINETE DE ORTIZ
FALA SOBRE ESCÂNDALO NA FDE

A advogada Gladiwa Ribeiro chefiou o Gabinete da Presidência da FDE. Seu nome foi envolvido na campanha eleitoral quando Ortiz Júnior a acusou de haver sido demitida do órgão por possível prática de corrupção.

Advogada Gladiwa Ribeiro denuncia vicissitudes de Bernardo Ortiz, a quem admirava, na presidência da FDE
A falsa acusação do futuro ex-prefeito de Taubaté está lhe rendendo um processo-crime  por calúnia, injúria e difamação.

Gladiwa está afastada da FDE para tratamento médico até agosto deste ano. Seu ex-chefe, José Bernardo Ortiz, foi demitido pelo governador Geraldo Alckmin em março último.

Aqui, a entrevista concedida pela corajosa advogada taubateana ao Diário de Taubaté, que reproduzo na íntegra.

Por Antonio Barbosa Filho

A advogada Gladiwa Ribeiro é uma das principais testemunhas nos processos contra José Bernardo Ortiz e Bernardo Ortiz Júnior, tanto na Justiça da Fazenda, na capital, como na Justiça Eleitoral de Taubaté. Nesta entrevista exclusiva ao DT, ela explica como deixou de ser uma amiga e admiradora dos Ortizes para ser uma das principais causas do afastamento de Ortiz da FDE e da possível cassação de Juninho Ortiz.

DT: Pessoas de sua amizade dizem que vc ficou muito abalada quando descobriu que José Bernardo Ortiz e seu filho Ortiz Júnior estavam envolvidos em irregularidades na FDE. Pode nos dizer que função ocupava na FDE e como chegou ao cargo?

Gladiwa Ribeiro: Barbosa, entrei na FDE em 01/02/2011 no cargo de Assessora da Presidência, passando em março do mesmo ano a ocupar o cargo de Chefe de Gabinete do então presidente José Bernardo Ortiz. No dia da posse do Prof. Ortiz, como eu o chamava, antes mesmo de saber que para mim ele se tornaria um “grande mestre” na escola da vida, fui convidada por ele para trabalhar ao seu lado na FDE, ele me disse que respondia a muitos processos por “perseguição” do MP e que necessitaria de uma pessoa com a minha habilidade e perspicácia profissional (palavras dele) para “blindá-lo” na FDE, para que ele fosse orientando de tal forma que não se visse envolto em outros processos, o que seria deveras desgastante na idade dele. Os filhos avalizaram o pedido do pai, inclusive reiterando-o. A decisão foi difícil, tenho filhos menores, e mantinha em Taubaté um escritório de advocacia com uma boa clientela, mas eu me vi moralmente “coagida” a acatar o pedido daquele por quem eu nutria profundo respeito, admiração e gratidão. Gratidão, pois quem me conhece sabe que cursei Direito com 50% de bolsa concedida pela prefeitura na administração Ortiz, muito embora eu fizesse jus à concessão, o fato é que vi e vejo muita gente ter seu sonho ceifado por não ter tal benefício. Aceitei o convite pois acreditei que eu tinha essa dívida à pagar.
Carteira de trabalho comprova vínculo da advogada com a FDE

DT: Como percebeu que havia algo de errado acontecendo naquele órgão?

Gladiwa Ribeiro: Barbosa, eu sempre preguei o Justo e o Perfeito, isso vem de berço! O meu, não era de ouro, mas valeu mais que qualquer preciosidade. O que de fato me chocou foi a denúncia minuciosa feita pelo Djalma Santos quanto a aquisição das mochilas, e o comportamento do Prof. Ortiz, diante dela. Inércia! Prevaricação?

DT: O relacionamento com os dois Ortiz era bom antes? O que mudou?

Gladiwa Ribeiro: Barbosa, o pai foi para mim um ídolo, como eu disse no início eu nutri durante toda a vida uma profunda admiração por ele. O defendia com unhas e dentes! Por ideologia, nunca visei nenhum interesse político ou financeiro na causa. Nunca nada me foi prometido, bem como nunca nada lhes pedi. O filho, eu o tinha no patamar de amigo. Frequentávamos as casas um do outro, restaurantes,etc. Estive no casamento dele, convidada por ele. Visitei a Ana Luz dias após ao seu nascimento em 05/09/2011. O Jr esteve presente nos últimos aniversários dos meus filhos. Choramos juntos pela derrota dele nas urnas em 2008 e em 2010. Quando nos encontrávamos, O Jr a Mariah o Norberto (meu marido) e eu, cumprimentávamonos com abraços afetuosos e beijo no rosto. Rimos, falamos “mal dos outros” rs, comemos, bebemos, tudo como bons amigos costumam fazer...Isso é o que eu acreditei que éramos, bons amigos! O que mudou? Tudo! Não tenho inimigos, isso me faria sentir-me mal, mas seleciono meus amigos, às vezes erro, como foi o caso deles, os Ortiz, mas na maioria das vezes acerto, graças a Deus.

DT: Vc continua funcionária da FDE, mas Ortiz foi demitido pelo governador Alckmin, depois de afastado pela Justiça. Continua trabalhando lá, ou está afastada?

Gladiwa Ribeiro: Sim, ao contrário da mentira deslavada contada pelo Jr, eu JAMAIS fui demitida da FDE por justa causa ou por determinação da CGA (Corregedoria Geral da Administração), até porque não compete a CGA este tipo de determinação, ela é um órgão investigativo e não punitivo. O Jr como advogado que é, cometeu um erro gravíssimo afirmando isso! Lamentável! Nem a CGA, nem o MP e nem nenhum juiz determinou meu afastamento da FDE, ao contrário do que aconteceu com o José Bernardo Ortiz! Ainda pertenço ao quadro de funcionários da FDE, embora esteja afastada por problemas de saúde. Detalhe, sou ficha limpa! Sou elegível, inclusive! Aliás, toda a minha família é elegível! Rs

DT: Como conheceu o empresário Djalma Santos?

Gladiwa Ribeiro: De ouvir falar? Desde que ingressei na FDE. As conversas telefônicas entre o Jr e ele eram costumeiras. Como por diversas vezes o Jr ia de carona comigo para SP, inclusive em carro oficial, por determinação do pai dele dada ao motorista, eu o ouvia  conversando com o Djalma, a quem ele intimamente chamava de DJ (dee jay). Pessoalmente o conheci em meu gabinete na FDE onde ele foi recebido pelo Prof. Ortiz, no dia em que lhe entregou a denúncia sobre a aquisição das mochilas.

DT: Em quais processos vc figura como testemunha de acusação contra os dois Ortiz?

Gladiwa Ribeiro: Creio que em todos. Os que correm em Taubaté e os que correm em SP. Vez ou outra sou convocada para prestar esclarecimentos. A última vez foi em 19/02 p.p., fui ouvida pelo Dr Sampaio, em razão de uma precatória vinda da Capital. Foi referente ao processo em que se investiga a contratação do advogado Leandro como assessor da presidência na FDE, vez que o mesmo patrocinou, ou continuou patrocinando (é o que se investiga) os interesses do Professor Ortiz em seus processos.

DT: Em algum momento você se sentiu usada pelo seu chefe, Bernardo Ortiz?

Gladiwa Ribeiro: Essa pergunta me causa profunda tristeza. De todas acho que é a mais difícil de responder, não por sua complexidade, é uma pergunta simples. Mas, é a que fere a alma. Não, não fui usada graças a minha habilidade profissional e perspicácia (reconhecida pelo Prof. Ortiz) não conseguiram me usar! Tentar ele até tentou!

DT: Você participou da campanha eleitoral em Taubaté? Sua presença no comício de Lula, no final do segundo turno, foi muito criticada pelos apoiadores de Juninho Ortiz.

Gladiwa Ribeiro: Participei em 2008 como candidata a vereadora pelo PSDB, apoiando o Jr na majoritária. Em 2010 apoiamos o Jr para deputado estadual e o Luiz Fernando Machado, para federal (O Luiz é deputado federal). O Norberto e eu coordenamos uma equipe de campanha para os nossos candidatos. Trabalhamos de sol a sol pedindo votos. Em 2012, decepcionada, abortei a ideia de me recandidatar a vereança. Estive na convenção do partido (PSDB), ao qual permaneço filiada, tendo ocupado o cargo de secretária do mesmo até o mês passado. Não participei da campanha em 2012. Não apoiei nenhum candidato. Se eu tivesse apoiado seria notório, costumo me dedicar integralmente. O Jr disse que estive na carreata do Padre e que apoiei o Isaac. Inverdade, não apoiei ninguém. Quanto a foto com o Lula, que foi alvo de críticas e que, convenhamos, lamentavelmente causou inveja em muita gente (não era essa a intenção, rs), ela não representa nenhum tipo de apoio político a ninguém. O Lula era candidato? Tirei foto com ele em respeito ao Estadista que ele foi, com seus méritos e deméritos ele é um cara que saiu do zero e chegou a presidência da república. Não estou defendendo o Lula e nem o PT, neste momento estou esclarecendo que tirei foto com o ex presidente, como tenho fotos ao lado do Geraldo, do Maluf, do Luiz Fernando Machado e de outros tantos políticos independentemente de suas siglas partidárias. Gosto de fotos, tenho em meu escritório fotos com vários artistas, todas tiradas nas minhas andanças profissionais (Hebe Camargo, Alcione, Paulo Henrique Amorim, Carlos Nascimento, Xuxa, entre outros). Quanto a foto com o Lula, resumo parafraseando a fala historicamente imputada a Jânio Quadros, embora seja cediço que ele não a tenha dito,: “Fi-lo por que qui-lo”. Completo, Vê-lo-a quem suportá-la!

DT: Em que pé estão os processos em que você figura como testemunha?

Gladiwa Ribeiro: Com exceção da AIJE que foi extinta na semana passada. Estão todos em trâmite. A  AIJE  587-32.2012.6.26.0141 , aguarda decisão. E nós cidadãos taubateanos aguardamos ansiosos a sentença a ser proferida vez que, os prazos previstos na Lei eleitoral já foram exacerbados.

DT: Você também está processando os Ortiz? Por que?

Gladiwa Ribeiro: Sim, pai e filho. Meu marido é meu advogado em todos eles. O Bernardo me chamou de desonesta em dois Jornais. Isso é inadmissível! Qual conduta desonesta que já pratiquei em meus 37 anos de vida? Sempre primei pela honestidade. O Jr disse que fui demitida por justa causa por ato de corrupção. Mentiram! Eu corrupta? O desafio a publicar o número e a vara em que tramita processo em que eu responda por tal conduta. Sou advogada, casada com um advogado, irei fazer valer o meu Direito e eles serão responsabilizados juridicamente por tais afirmações, em todas as esferas judiciais, disto não abro mão.

DT: Como advogada, como vê a conduta do MP e da Justiça Eleitoral, neste caso de Taubaté?

Gladiwa Ribeiro: No que tange ao MP, segundo O Conselho Nacional do Ministério Público, ele MP é um órgão de Estado que atua na defesa da ordem jurídica e fiscaliza o cumprimento da lei no Brasil. Na Constituição de 1988, o MP está incluído nas funções essenciais à justiça e não possui vinculação funcional a qualquer dos poderes do Estado. O Dr Ozório cumpriu, com louvor o seu papel, parabenizo-o por isso. Mas o processo não para por ai. E os prazos previstos na legislação já não foram extrapolados? Diz a Lei Complementar 64/90: Art. 26-B. O Ministério Público e a Justiça Eleitoral darão prioridade, sobre quaisquer outros, aos processos de desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade até que sejam julgados, ressalvados os de habeas corpus e mandado de segurança. § 1o É defeso às autoridades mencionadas neste artigo deixar de cumprir qualquer prazo previsto nesta Lei Complementar sob alegação de acúmulo de serviço no exercício das funções regulares. § 2o ... § 3o O Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e as Corregedorias Eleitorais manterão acompanhamento dos relatórios mensais de atividades fornecidos pelas unidades da Justiça Eleitoral a fim de verificar eventuais descumprimentos injustificados de prazos, promovendo, quando for o caso, a devida responsabilização. Grifei. Que a sentença não foi publicada até o término desta entrevista é fato. Mas, quanto ao parágrafo terceiro supramencionado é que indago, tais providências estão sendo tomadas? As denúncias são graves, as provas segundo constatação do próprio MP são robustas. Precisamos da resposta estatal.

DT: Alguma consideração final que tenha ficado de fora das perguntas?

Gladiwa Ribeiro: Justiça! É o que eu aguardo, é o que eu espero! Jamais faltei com a verdade para atacar ninguém, ninguém! E processei e estou processando todos aqueles que, galgados em inverdades, se levantaram contra mim!  No mais, agradeço o espaço e cumprimento a todos os leitores.