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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O QUE A DRA SUELI ZERAIK
TERÁ QUE JULGAR (2)

Segunda parte da trilogia do jornalista Barbosa Filho para o Diário de Taubaté sobre o processo eleitoral em que o prefeito Ortiz Júnior figura como réu.

Antonio Barbosa Filho, jornalista

O Assessor de Projetos Especiais da FDE, Chris Vieira, entregou ao Ministério Público um "memorando" que, na verdade era a agenda de Ortiz Júnior dentro da FDE, no curto período de 26 de março a 11 de abril de 2011.

O promotor Antonio Carlos Ozório Nunes assim se referia aos fatos: "apesar de retratar um curto espaço de tempo, ele é revelador pelo seu vasto conteúdo e contém uma verdade inarredável: Ortiz Júnior não somente era frequentador assíduo da FDE para os seus negócios políticos e particulares, mas ele também se utilizava da estrutura do órgão para os seus contatos, as suas influências, as suas pressões, as suas 'comissões' e os seus pedidos para a estruturação da sua pré-campanha e depois campanha a prefeito de Taubaté".

"O memorando" - prossegue a denúncia que a Justiça Eleitoral examina há quase três meses - "mostra que no período entre 26/03/2011 a 12/04/2011 ele teve seis compromissos na sua agenda 'público-privada'. Teve reunião no dia 26 de março; duas reuniões em 31 de março; reunião em 11 de abril com o deputado Chalita; almoço em 12/04 e reunião em seguida neste mesmo dia.

"Um dos apontamentos da agenda mostra que no dia 26 de março de 2011 houve uma reunião de Ortiz Júnior com o executivo da editora IBEP e da Cia. Editora Nacional, Jorge Antonio Miguel Yunes, carinhosamente chamado de 'Jorginho Yunes'. O objetivo da reunião era para que a FDE adquirisse obras das referidas editoras".

Convém assinalar que, segundo o processo judicial, alguns jornais com o título "Papo 45", fartamente distribuídos em Taubaté na fase da pré-campanha de Juninho, foram impressos naquelas editoras. 

Mais adiante, a peça acusatória afirma: "Outro detalhe do memorando também é revelador e de total interesse para esses autos: consta do item 06 do documento: "...Chalita irá marcar uma reunião (possivelmente para a próxima segunda-feira) dos fundadores da Canção Nova com Ortiz Júnior, Diego Ortiz e o sr. Manoel Conde, da rede de farmácias Farma Conde.

"Informações preliminares dão conta de que a reunião teve um único objetivo: através do poder de influência de Ortiz Júnior e seus aliados, convencer os gestores da Canção Nova da importância da instalação de uma unidade da rede de farmácias 'Farma Conde' dentro da poderosíssima estrutura da entidade, em Cachoeira Paulista, que sempre recebe dezenas - às vezes centenas - de milhares de pessoas para cada evento.

A unidade foi realmente instalada no espaço da Canção Nova, à Rua João Paulo II. A loja, de número 74, foi a última unidade aberta pela rede 'Farma Conde".

Com uma ponta de ironia, o promotor perguntava em troca de quê Juninho Ortiz havia se empenhado em favor de uma rede comercial: "apenas por espírito de amizade e solidariedade?"

Esta "agenda" de Juninho Ortiz dentro da FDE, da qual jamais foi funcionário embora agisse como se fosse um diretor importante, também faz parte do processo que corre na 14a Vara da Fazenda Pública, na capital. Foi este processo - que nada tem a ver com as questões eleitorais em Taubaté, que resultou no afastamento de Bernardo Ortiz do seu cargo por oito meses, e no bloqueio dos bens de pai e filho. Meses depois, Bernardo Ortiz seria demitido pelo governador Geraldo Alckmin, aparentemente convencido da culpa de seu amigo e de Juninho, cuja candidatura apoiou pessoalmente. O desgaste trazido ao governador e ao PSDB pelo escândalo da FDE - apesar de blindado pela imprensa paulista, sempre tucana - levaram Alckmin a se livrar desse peso. Ele deve candidatar-se à reeleição em 2014. (A última parte do texto será publicada amanhã)