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sábado, 11 de maio de 2013

MATERNIDADE CONSCIENTE

Pollyana Gama, vereadora

Artigo publicado originalmente na edição de 7 de maio (terça-feira) do jornal “Gazeta de Taubaté”.

Amor incondicional; razão para existir por uma sociedade mais justa, consciente e solidária; dúvidas; ansiedade; assumir responsabilidade por toda a vida; contentamento a cada pequena conquista; sentir-se ora heroína, ora culpada por não estar integralmente ao lado de quem gostaria... Ser mãe é mais ou menos assim! Exclamação? Sim!!!

Apesar disso, que muitas definem como uma “perfeita loucura”, escolher e poder ser mãe é algo que só "sendo" para saber o quanto é mágico. Caso contrário, escolher e não poder ser mãe; gerar e não querer, poder cuidar; "ser" sem ter feito uma escolha lúcida, pode vir a constituir uma dura realidade. Por essas e outras razões, como tudo na vida, o planejamento é indispensável.

O primeiro passo certamente se refere às condições psíquicas e emocionais da mulher ao escolher ser mãe. Uma escolha lúcida exige maturidade para compreender que paralelo à alegria trazida com a chegada de um bebê, esse bebê irá crescer e seu desenvolvimento estará condicionado ao meio do qual ele faz parte. É na família que ele iniciará suas relações sociais. Ao amamentar, a mãe estabelece esse vínculo e, a partir de então, a probabilidade para o desenvolvimento seguro desse ser humano aumenta.

Fundamental também pensar o período gestacional, que compreende da concepção ao nascimento, a fim de evitar a mortalidade tanto materna quanto infantil. No Brasil, em 2010, foram registrados 60,1 óbitos maternos a cada 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade materna máxima recomendada pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) é de 20 casos a cada 100 mil nascidos vivos. O acompanhamento pré-natal é indispensável à manutenção da saúde de mãe e filho, pois quanto maior o número de consultas – 80,5% das gestantes taubateanas passaram por 7 ou mais consultas, segundo último relatório do Ministério da Saúde -, maior a possibilidade de uma gravidez saudável e um parto seguro.

Contudo, essa segurança depende também de uma boa estrutura hospitalar. E como garantir um parto seguro com o número de leitos disponíveis, por exemplo, em Taubaté? Aqui, são 34 leitos para uma população de 280 mil habitantes, sem contar as gestantes de municípios vizinhos que dão a luz em nossa cidade. Tremembé oferece apenas 7 leitos. Pindamonhangaba continua sendo referência em nossa microregião (Taubaté/Pinda/Tremembé) com 31 leitos para uma população de 140 mil habitantes. Não é a toa que muitos taubateaninhos nascem em outras cidades. Segundo a especialista em saúde pública, Ana Emília Gaspar, “para atender somente a demanda das gestantes de Taubaté, seriam necessários cerca de 50 leitos”. Temos trabalhado neste sentido ainda mais com a integração dos hospitais Universitário e Regional.

Outro aspecto relevante é a garantia da sustentabilidade, ou seja, as condições de vida a ser oferecida à criança. Isso inclui cálculos matemáticos. Conforme o Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invest), um filho pode custar de R$ 53 mil (classe D) a R$ 2 milhões (classe A) do 0 aos 23 anos, dependendo da classe econômica em que vive. Esses valores levam em conta quesitos como moradia, educação, lazer e outros tipos de gastos (saúde e vestuário).

Ao propor uma “gestação” ampliada do tema maternidade nosso objetivo é contribuir para que a maternidade aconteça cada vez mais de forma lúcida e responsável. Dar a luz e ser a luz são experiências distintas, contudo, quando conscientes, apresentam o propósito de conduzir a caminhada em segurança. Conheço mulheres que embora não tenham gerado filhos em seus ventres, tornaram-se mães no sentido mais verdadeiro que as possam assim traduzir. Algumas, no trabalho ou em ações comunitárias, percebem no outro a extensão de si mesmo e por assim perceberem, assumem responsabilidades por vezes desconhecidas e não assumidas por tantos outros. Outras ao adotarem amam incondicionalmente à condição tradicionalmente conhecida ser apenas dos genitores, e tornam-se mães conscientes de sua importância na vida daquele ser em formação. Sejamos luz. Ter filhos para ser mãe ou ser mãe para ter filhos? A maternidade consciente pode nascer com tentativas em responder a essa pergunta.