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sábado, 25 de maio de 2013

ORTIZES QUEREM TERCEIRIZAR PREFEITURA?

Antonio Barbosa Filho, jornalista

(Artigo publicado originalmente pelo Diário de Taubaté)

Tomados pela tradicional fixação do PSDB em privatizar e terceirizar tudo que pertence ao povo, geralmente em benefício de amigos e sócios dos tucanos que ocupam algum nicho de poder, os Ortizes (pai e filho) parecem querer terceirizar a Prefeitura de Taubaté. Eles têm pressa, pois não sabem por quanto tempo ainda permanecerão à frente dos negócios municipais.

Observadores atentos estão alarmados com o Edital número 3/2013, publicado pela Prefeitura e com prazo de vencimento em 11 de junho próximo "às 8:30 horas". Trata-se de concorrência para a "Contratação de empresa especializada na prestação de consultoria nas áreas de Licitações, Contratos Administrativos, Compras Governamentais, Almoxarifado, Patrimônio, Recursos Humanos, Lei de Diretrizes Orçamentárias, Plano Plurianual, Orçamento, Contabilidade Pública, Tesouraria, Conciliação Bancária, Tributos e Dívida Ativa, pelo período de 12 (doze) meses". Ufa! Quase não sobra nada para a Prefeitura fazer na área administrativa, já que a empresa vencedora do certame orientará todas as ações e procedimentos. 

O edital procura, simplesmente, alguém que administre no lugar do réu-eleito! Aquele que se dizia "preparado" para o cargo, precisa de consultoria externa para “cuidar até do Patrimônio municipal, da Tesouraria (!!!), das licitações e contratos, dos Recursos Humanos, do orçamento e do plano plurianual! Assim é fácil: até eu administro a cidade com tal assessoria.

Fica também no ar uma noção do prefeito-provisório Juninho Ortiz: seu secretariado e o corpo técnico que a Prefeitura já possui, não servem para nada. Se precisamos de gente de fora dos quadros funcionais para ensinar o quê, como e onde fazer, adeus administração pública: vamos entregar as decisões a uma empresa privada.

Detalhe: o contrato será por um ano, ao custo de R$ 422.400,00 - quem terá calculado os trocados, se a Prefeitura não possui pessoal qualificado, segundo pensa Juninho?

Enfim, é o "choque de gestão" tucano: fugir das responsabilidades, e deixar a coisa pública nas mãos de amigos prestadores de serviços, mediante régia paga. Se eu fosse secretário ou funcionário desta Administração, estaria me sentindo um inútil.

VEREADOR ATACADO

Enquanto isso, o vereador Salvador Soares, um dos poucos que tem-se mantido firme na fiscalização da administração dos Ortizes, recebe ataques agressivos de meninos-de-recado do prefeito-provisório.

Bastou ele convocar a secretária da Educação. Edna Querido de Oliveira Chamom, para explicar o contrato feito com a empresa SHA Comércio de Alimentos - por seis meses e ao custo de R$ 10.297.580,43 (vejam o detalhe dos reais e centavos) para ser demonizado por alguns puxa-sacos dos Ortizes. A começar pelo jornalista Paulo de Tarso Venceslau, que em seu semanário Contato desancou o vereador. Defendo o direito do jornalista opinar como quiser, mas atuar como advogado do prefeito-provisório e fazer o ataque que nem mesmo os vereadores governistas tiveram coragem de fazer, parece um tanto exagerado. Paulinho é mesmo exagerado: há algumas décadas participou de ações guerrilheiras, inclusive para libertar seu amigo José Dirceu. Cada um com sua coerência.

O importante é que a secretária, auxiliada por outros membros do primeiro escalão da Prefeitura, não conseguiu explicar detalhes como o preço de alguns alimentos que, na empresa custam mais caro que nos supermercados. O "fubá de ouro", por exemplo, a R$ 5,50 o quilo, continua causando curiosidade geral, lembrando os famosos "ovos de ouro" comprados pela administração Roberto Peixoto.

CENTRO CULTURAL

A desativação do Centro Cultural Municipal, na Praça Cel. Vitoriano, é outra atitude de quem não tem nenhum planejamento, muito menos sensibilidade para cuidar das coisas da Cultura.

O réu-eleito Juninho Ortiz não sabe que bens e instalações culturais têm alma. Um prédio dedicado à Cultura não é apenas um imóvel frio, sujeito a modificações ou demolição ao sabor da vontade do mandatário. Imaginem o governador do Estado resolvendo instalar uma repartição pública na sede do Museu Paulista do Ipiranga!

Mas isso são sutilezas que escapam a quem só pensa em valores materiais, sonantes, visíveis. Cultura é outra coisa, e exige outra formação e sensibilidade, completamente ausentes em Taubaté.

E assim vamos nós, enquanto a Justiça não decide os processos que podem, a qualquer momento, interromper esta aventura em que a cidade se meteu em 2012.