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terça-feira, 28 de maio de 2013

PIROTECNIA TUCANA

Silvio Prado, professor

O governador Alckmin veio com essa de conceder um bônus de até dez mil reais para o policial que comprovadamente, através de seu trabalho, ajudar a diminuir os índices de violência em São Paulo. Será que nesse estado de 40 milhões de pessoas, tem alguém que leve esse governador a serio?

Alckmin, sem duvida, é um dos maiores cascateiros da política nacional e seu estoque de paliativos parece que vai chegando ao fim.  Todas as suas medidas,  geralmente tomadas nos momentos de crise e muito bem divulgadas pela imprensa, causam impacto pelo menos durante uns quinze dias. Depois...

Bem, depois desaparecem da mídia porque são medidas que não servem para resolver nada, mas apenas puro foguetório. No caso da violência, quantas e tantas vezes o governador veio anunciar “medidas eficazes” que estancariam a criminalidade no estado?

Não faz muito tempo, como solução para os baixos salários dos policiais, o governador oficializou o bico do policial militar. Quer dizer, ao invés de melhores salários, o policial que se vire e vá fazer hora extra, mesmo que isso degrade sua saúde física e emocional, o exponha a mais perigos e o afaste do descanso, do lazer e da família.

Recentemente, o governador pegou carona na discussão sobre a menoridade penal e apresentou projeto endurecendo a pena para menores que cometerem homicídios. Setores conservadores da sociedade aplaudiram o governador, mas não conseguiram ver o quanto ele, o próprio governador, tem de responsável pela onda de violência que assola o estado.

Ora, não foi esse mesmo governador que com sua incompetência administrativa permitiu, sob os próprios olhos, que o crime organizado se organizasse, tomasse as cadeias e, de dentro delas, espalhasse sua organização por toda a sociedade? Não foi esse mesmo governador que, há quase duas décadas governando o estado de São Paulo, piorou aquilo que já era ruim, ou seja, a escola pública, e transformou a profissão de professor num rosário de desencantos?

Como todo administrador público chegado em pirotecnia, no correr da ultima greve dos professores Alckmin encheu a boca e anunciou um aumento de 2% para os professores. Traduzidos em reais, 2% de aumento significam cerca de 20 centavos acrescidos ao salário do professor. E haja  imprensa pautando o assunto.

Passados poucos dias, nova queima de fogos: Alckmin anunciou a tal bolsa crak. Quer dizer, 1350 reais por viciado acolhido para tratamento em entidades que trabalham com dependentes químicos. Conforme esse programa, mais uma vez estamos vendo dinheiro público sendo repassado para a iniciativa privada.

Na discussão da bolsa crack, pouquíssima gente considerou um fato escandaloso: o estado mais rico do país, em sua rede de hospitais, não possui mais de 500 leitos destinados a dependentes químicos. Quer dizer, nunca os governantes paulistas pensaram essa questão de forma preventiva e jamais a enquadraram como um caso de saúde pública. Era só um caso para ser resolvido com tropas de choque, muito gás lacrimogêneo, spray, pimenta, detenção e imprensa, muita imprensa mostra a inusitada solução.

Se Alckmin tivesse algum apreço por políticas pública sérias e quisesse de fato combater a violência  e o consumo de drogas, desde seu primeiro mandato trataria a educação com coisa séria e não faria inversões vergonhosas, como conceder 20 centavos de aumento para o professor e repassar 1350 reais para o tratamento de viciados.

A  escola funcionaria como se deve e traria certamente contenção ao crime e ao uso de drogas. O estado teria, em sua imensa rede de hospitais, uma quantidade razoável de leitos para dependentes químicos e com certeza o fantasma das drogas não estaria trazendo tantos danos.

Enfim, depois do bônus para o policial, qual será a próxima queima de fogos do governador?