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sábado, 4 de maio de 2013

RECADO AO PROFESSOR

Silvio Prado, professor

Ouça, amigo professor
Se o problema é salário
Não se iluda esperando
Gesto algum do secretário
Ou um ato de bondade
Do supremo mandatário
Gente que considera sempre
O professor um otário.

Por esse vil tratamento
Só se destrata o docente
Que se mata no trabalho
E depois quando doente
Logo amarga longa fila
No Iamspe incompetente
Sem médico nem hospital,
Nessa tragédia de sempre.

A melhoria do ensino
E o salário tão sonhado
É claro que nunca virão
Pois a política do Estado
É tratar mal o professor
Como sempre tem tratado
Pedindo que ele aguarde
Mais uma década sentado.

Por isso, amigo docente
Professor hoje estressado
Seja surdo ao lero-lero 
De quem governa o Estado
Fazendo algo concreto
Para não ser enganado
Primeiro exigindo respeito
Coisa que nos tem faltado.

E para ser respeitado
Precisa ser feito bem mais
Que dar aulas excelentes
Em situações anormais
Onde impera a violência
E fatos tão surreais
Que até colocam o ensino
Em notícias policiais.

Mas para ser respeitado
Pelo bem da educação
O professor com urgência
E sem qualquer moderação
Precisa desprender a voz
E aprender a dizer não
Aos projetos enganosos
Do governo de plantão.

Precisa cessar a prática
De ser tão obediente
À planos mirabolantes
Que transformam o docente
Em profissional prisioneiro
De uma cartilha indecente
E a tudo que na escola
Torna o ensino deprimente.

Um pouquinho de revolta
Nunca faz mal a ninguém
Principalmente se ela
Explode pensando no bem
Ou desejando mudanças
Que serão feitas também
Caso o professor resolva
Nunca mais dizer amém.

Se quiser que tudo mude
Ficando num canto sentado
Ou sonhando que o governo
Faça o que é esperado
Em outro milênio por certo
Ainda veremos o Estado
Repetindo no futuro
Erros feitos no passado.

Se depender do Estado
A questão da educação
Será sempre um problema
Que só terá solução
Por um caminho conhecido
Que só traz complicação
Destruindo o que é público
Pela privatização.

Se o professor vacilar
Prosseguirá sua canseira
Na luta que faz o Estado
Para tomar sua cadeira
Exigindo que o ensino
Feito de qualquer maneira
Não cobre dele um centavo
E seja sempre bandalheira.

Portanto, amigo professor
Não tenha moderação
Quando os fatos exigirem
Força e mobilização.
Pare as aulas, faça greve,
Tenha determinação
Colocando em evidência
Os dramas da educação.

Esse país governado
Por tanta gente bandida
Servindo bem ao capital
Ao povo não dá saída
Complicando como sempre
As coisas simples da vida
E querendo que num canto
Fique a escola adormecida.

Para encerrar essa fala
E também o meu recado.
Professor, jamais se cale
Diante do que está errado
Por que o erro que vemos
Em toda escola do Estado
Não é erro acidental
Mas sim erro programado.

E esse erro programado
Começa pela intenção
De calar o professor
E moldar a educação
Como o Banco Mundial
Exige e pede atenção
Para poder impor depois
Sua privatização.

E também é programado
O erro da sala lotada
Da apostila sem vergonha
E da quadra esburacada
Do laboratório inócuo
E da merenda enlatada
E do prédio mal cuidado
Que desmotiva a criançada.

Portanto, caro amigo
Chega de dizer amém
Aos governantes safados
Que não sonham ir alem
Superando uma escola
Que ao pobre não convém
Destratando o professor
E não educando ninguém.

Mostre a sua  revolta
E também disposição
Transformando sua prática
De fazer educação
Numa prática que estimule
Todo mundo a dizer não
Aos projetos enganosos
Dos bandidos de plantão.