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quarta-feira, 15 de maio de 2013

SINTO CHEIRO DE GOLPE. COMO FEDE!

FABRÍCIO PERES, PROFESSOR

Recorrentes manifestações de grupos de extrema direita, ou pior, de pessoas que nem mesmo sabem o que é direita e o que é esquerda, mas que seguem, como bons ruminantes, os mandos de seus falsos ídolos, fazem-me lembrar  de todo o processo encabeçado pela mídia, que em 1964 colaborou com o Golpe Militar.

Existe hoje uma tentativa de Terrorismo Ideológico, que insistentemente sugere ao Grande e Mal Informado Público a possibilidade de uma ditadura comunista que seria encabeçada pelo PT e demais grupos políticos de esquerda.

É lógico que com apenas 30 anos eu não vivenciei a ditadura militar nem os movimentos a favor do golpe militar, mas felizmente a história está registrada em livros e documentários, que unanimemente fazem referência aos movimentos midiáticos destinados a convencer as pessoas de que os “comunistas comedores de criancinhas” estariam tomando conta do Brasil.

Até hoje as classes mais abastadas, concentradoras de renda, tradicionalmente proprietárias de grandes terras e grandes grupos empresariais, ficam incomodadas com qualquer tipo de redistribuição de renda, ou pior, se incomodam com o encarecimento da mão de obra que lentamente se torna mais especializada e consequente redução da mais-valia  e com a possibilidade de se depararem com trabalhadores ocupando os mesmos espaços em aeroportos, shoppings, casas noturnas e demais espaços que anteriormente eram exclusivamente frequentados pelos tradicionalmente muito ricos.

Pior do que isso é o fato de que uma parcela ignorantemente denominada “classe média”, que realmente acredita do mito do self-made-man brasileiro, emprenha pelos ouvidos e reproduz barbaridades do tipo: “Precisamos de uma ditadura militar para moralizar a política brasileira”.

Atualmente os movimentos da mídia não são tão intensos, nem tão influentes quanto foram há 50 anos, mas essa propaganda enganosa, combinada ao baixo nível educacional historicamente estabelecido em nosso país e a ignorância sócio-política que afeta grande parte dessa “nova classe média”, pode ser um grave fator degradante da nossa democracia.

Nossa democracia ainda é muito recente e ao longo de sua curta história foi sabotada por golpes e ditaduras. Se descontarmos a Era Vargas e a Ditadura Militar, temos pouco mais de 80 anos de República Democrática, lembrando ainda que algumas parcelas da sociedade, como o público feminino, são ainda mais recentes nas discussões políticas e no exercício do voto.

A Democracia, assim como qualquer regime de governo, tem falhas, ainda mais uma democracia tão jovem e maltratada como a nossa, mas isso não quer dizer que ela seja ruim ou pior do que qualquer outra. É a consciência e a participação popular que definem a qualidade de uma democracia, sendo assim, ela precisa de tempo para se estabelecer e corrigir as falhas desenvolvidas junto com ela.

Corrupção e Impunidade não são exclusividade dos sistemas democráticos, pelo contrário. É na democracia, por meio da liberdade de expressão e da fiscalização social, que os escândalos são postos a público, mesmo que a decisão final não agrade totalmente a maior parte da população.

Nas ditaduras os atos de corrupção e de impunidade ficam sempre escondidos, pois a mídia é impedida de relatar e as pessoas que se manifestam são criminalizadas, presas, torturadas e mortas.

Não estou aqui para defender este ou aquele grupo político, mesmo porque hoje tive o desprazer de ver uma postagem que coloca Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo saco, como sabotadores do Brasil. Esse tipo de postagem é uma excrescência, maldosa e perigosa, pois condena dois Líderes Democráticos, que embora diferentes, com qualidades e falhas específicas, colaboraram muito para o Brasil estar em um de seus melhores períodos econômicos e sociais.

Sim, ainda temos grandes problemas no Brasil, os serviços públicos são insatisfatórios, segurança, educação, saúde e infraestrutura de transporte deixam muito a desejar, mas sem dúvida alguma, não precisamos de uma ditadura nesse ou em qualquer outro momento.

Ditaduras não moralizam nada, pelo contrário, desmoralizam a democracia, que com todas as suas falhas dá espaço para a manifestação e participação do povo.

Não podemos dar ouvidos aos golpistas de plantão, quase sempre vinculados aos grupos detentores do poder econômico, que tremem todas as vezes que vislumbram a possibilidade de viver em um país com relativa equidade social.

Para entender um pouco melhor sobre o período da ditadura militar e os movimentos favoráveis ao golpe, sugiro que as pessoas assistam a sequência de documentários apresentados na TV Brasil “Caminhos da Democracia”, que têm como principal comentarista o Sociólogo Hebert José de Sousa, popularmente conhecido como Betinho.

Betinho foi uma grande liderança política e social, vinda das bases dos movimentos sociais da Igreja Católica e dos movimentos estudantis. Ele foi uma referência dentro dos movimentos que defendiam o desenvolvimento social.

Betinho era Hemofílico e foi contaminado pelo vírus HIV em uma das transfusões de sangue que era obrigado a receber em função da Hemofilia. Apesar de todas essas dificuldades, ele sempre se manteve ativo, tendo sido um grande referencial nos movimentos de combate à fome e miséria, além de ser um dos protagonistas na defesa dos direitos dos portadores de HIV.

Sugiro o link com a introdução dos documentários que já estão sendo passados na TV Brasil às 23h30. Fica também o link para verificar a programação da TV Brasil: