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sexta-feira, 14 de junho de 2013

MEU NOME, MINHA MARCA

Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo

Nosso nome é a nossa marca registrada. Existem nomes charmosos, os quais seus donos exibem com toda pompa e circunstância, assim feito o agente 007 no cinema: “Meu nome é Bond, James Bond”. Já imaginou se ele se chamasse João Bode, por exemplo, que vexame? Tal qual o Bento Carneiro, vampiro brasileiro!

Tem pais que não pensam no vexame que seus filhos passarão no futuro, ao dar-lhes nomes exóticos. E acabam se utilizando dos maus esdrúxulos critérios para escolher seus nomes, praga que levarão nos seus documentos pro resto da vida.

Dentre tais critérios, o mais comum é o da combinação. Geralmente pega-se o nome de pai, avô e mãe. Fica uma coisa mais ou menos assim: Claudemarioneide. Usa-se também da geografia. De Uáchinton a Sidiney, o Mapa Mundi é um celeiro de inspirações. E o show business, então? Os nomes mais populares do cinema e da música, reunidos numa única certidão de nascimento: Maicow Jéquisson Chuarzineguer Disney dos Santos.

Outro perigo: nomes compostos. O pobre sempre sofreu com a falta de recursos. Portanto, acha que aumentando o número de nomes pode dar uma vida mais feliz ao filho. Caso de Jeniffer Giselle Raquel Caroline Oliveira da Silva. Tadinha dela, imagine com esse nome trabalhando como diarista.

Outra mania é botar nos filhos nomes cheios de letras esquisitas, como y e w. E as homenagens, então? Imagino que hoje já temos no Brasil milhões de novos Neymares. Todos de topetinho!

E tem pais que colocam nos filhos nomes de acordo com as circunstâncias de momento. Exemplo: Udistoque da Silva, Rarley (em homenagem à passagem do cometa). Já tem criança por aí com nome de Tsunami. E o coitado do Pracedino? No dia do seu registro, o tabelião perguntou: “Qual o nome?”, ao passo que o pai respondeu: “Óia, é pra cê Dino”. Virou Pracedino na hora.

Como nosso povo é muito católico, tem muito nome buscado na Bíblia. Pensou aquele pai religioso: “O nome do meu filho vai ser a primeira coisa que eu ler na Bíblia”. Adivinha como ficou o nome do garoto? Sumário. Sumário da Silva.

E você aí? Seu nome é normal ou lhe mata de vergonha?

Camões Filho é jornalista, escritor e pedagogo, pós-graduado em Jornalismo e Assessoria de Imprensa, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.

E-mail para contato com o autor:  camoesfilho@bol.com.br