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sábado, 15 de junho de 2013

O DONO DA CIDADE

Silvio Prado, professor

Portaria do prefeito Ortiz Junior publicada hoje anuncia a instauração de um processo administrativo contra seis professores da rede municipal de ensino. A acusação de Junior contra os funcionários é simples e direta: incitação à greve.

Nenhuma surpresa no ato do prefeito, cidadão fiel aos princípios que o PSDB tanto ama: dificultar a organização popular e desmontá-la, perseguir suas lideranças e colocar sempre como coisa de desocupados, baderneiros, todo trabalhador que se disponha, de forma individual ou coletiva, a defender ou ampliar direitos garantidos constitucionalmente.

Junior, como todo mundo sabe, é a encarnação do atraso de seu pai, Bernardo. Não foi à toa que o jornalista Diniz Junior, em citações memoráveis no semanal Matéria Prima, alcunhou o ex-prefeito de Bernardo Bush, símbolo de uma época de autoritarismo que marcou o mundo e respingou em Taubaté.

Só os idiotas e os interesseiros de plantão “não sabiam” que a volta de um Ortiz ao Palácio do Bom Conselho traria consequências danosas para as lideranças populares da cidade. A mão de ferro do prefeito está em ação desde o primeiro dia de seu governo, e a ideia de que a cidade é sua propriedade exclusiva pode ser constatada na resistência do mesmo em ceder a Avenida do Povo para que os metalúrgicos pudessem realizar sua festa de Primeiro de Maio. O mesmo autoritarismo é constatado nas medidas que alteraram radicalmente o trânsito em algumas regiões da cidade. Tudo feito sem nenhuma consulta  aos interessados.

De gente autoritária e suas consequências estamos todos fartos. Bastar ver o show de truculência que a policia militar, rigidamente enquadrada pelos princípios tucanos, está dando em São Paulo. Com o mesmo espírito que assolou o bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos no ano passado,  Alckmin tenta varrer manifestantes do centro de São Paulo na base da bala de borracha, nuvens de lacrimogêneo, spray pimenta e patas de cavalo.

Enquanto se instaura o terror policial militar nas ruas de São Paulo, Ortiz Junior segue dando passos seguros na instauração do terror administrativo junto ao funcionalismo, com seus funcionários de confiança entrando em escolas e pondo falta para funcionários que estão trabalhando, cortando direitos adquirido, além de prometer dispensar centenas de berçaristas.

No ato publicado hoje, o prefeito partiu para cima de seis lideranças do funcionalismo. Se não houver reação e repúdio ao “novo dono da cidade”, amanhã, com certeza, diante de qualquer reação mais enérgica e decidida dos funcionários na defesa de seus direitos, não faltará tropas de choque disponíveis para ajudá-lo a impor suas vontades e projetos.