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terça-feira, 27 de agosto de 2013

CASSAÇÃO DE JUNIOR
SÓ BENEFICIA TAUBATÉ (I)

Artigo pulicado originalmente pelo Diário de Taubaté

Antonio Barbosa Filho, jornalista

DELFT ( Países Baixos) - Não é verdade que a cassação de Juninho Ortiz signifique uma crise política ou envergonhe o nome de Taubaté na imprensa nacional. Ao contrário, o fato mostra que as instituições, em nossa cidade, funcionam regularmente, que a corrupção por aqui não prevalece por muito tempo, e que saberemos consertar o erro eleitoral de 2012 tão logo possamos voltar às urnas.

Crise política e vergonha seriam a permanência de um réu por corrupção no cargo de prefeito. Seria a Câmara Municipal, em sua maioria, sendo usada para esconder e desviar a atenção de crimes do passado e do presente. É melhor termos algum prefeito sem experiência política (embora haja bons nomes com largo currículo político-administrativo para assumirem a tarefa)  do que termos na Prefeitura um réu que continuaria saqueando os cofres públicos.

A campanha antecipada do irmão do cassado, Diego, a deputado federal ou estadual (agora pouco importa, porque o plano morreu) já mostrava que muitos outros abusos seriam cometidos, sempre em prejuízo dos cofres públicos. Para perpetuar seu poder, os Ortizes não teriam limites, caso prevalecesse a impunidade. Imaginem o que faria um irmão do prefeito se eleito para atuar em Brasília...pobre Taubaté, pobre Brasil com esse tipo de políticos gulosos!

SEM RECURSO

Advogados especializados em Direito Eleitoral consideram praticamente impossível uma reversão da sentença da Dra. Sueli Zeraik de Oliveira Armani, juíza eleitoral de Taubaté. Informalmente, um deles me disse que a única esperança dos Ortizes seria um incêndio no Fórum...

Basta um trecho das conclusões da juíza para acabar com as ilusões dos poucos que ainda tentam pregar a desconfiança no Judiciário e na condenação definitiva de Juninho: "não há prova documental de efetivo pagamento de comissão pelas empresas envolvidas. Entretanto, ficaram amplamente comprovadas as negociações visando receber e a utilização da máquina estatal com tal finalidade ilícita, assim como a entrega da importância de R$ 34.000,00 feita por Djalma (o lobista Djalma da Silva Santos, denunciante do esquema - nota do repórter) a Ortiz Júnior, que bem demonstra todo o conluio fraudulento. O recebimento deste dinheiro por Juninho, através do seu coordenador de marketing de campanha, Marcelo Pimentel, é elemento-chave na decisão da Dra. Sueli: "Neste proceder, além do já declarado abuso de poder político, entrelaçado com abuso de poder econômico, não se pode deixar de vislumbrar corrupção, esta caracterizada pelo assédio realizado em face de servidores públicos estaduais. Tal situação, devidamente comprovada, tal como está no presente caso, por meio de documentos corroborados por prova testemunhal, constitui prática do abuso de poder na campanha eleitoral do co-denunciado, fato que comprometeu seriamente a lisura das eleições majoritárias realizadas no ano de 2012".

Ora, esta conclusão coincide plenamente com tudo o que vínhamos denunciando desde antes do primeiro turno da eleição do ano passado. As denúncias formuladas pelo então promotor-eleitoral Antonio Carlos Ozório Nunes eram muito bem fundamentadas e qualquer pessoa que as lesse com espírito aberto veria que era só uma questão de tempo para a Justiça punir os crimes ali apontados, com fartura de provas.

"O bom malandro não berra", diz o ditado popular. E os Ortizes seguiram tal pensamento, fingindo que estava tudo normal. Contaram com o silêncio da maior parte da mídia local, e com a cumplicidade explícita da maioria dos vereadores, inclusive os que se elegeram mediante um falso combate à corrupção. Agora está provado que aqueles vereadores são contra a corrupção... dos outros, mas defendem ardorosamente a roubalheira de seus amigos e aliados.

Esta é a única vergonha que fica de todo o processo político do último ano: a vergonha dos que se omitiram, dos que, conhecendo os fatos, preferiram escondê-los. Pessoas e instituições que vivem bradando contra o "mensalão do PT", foram cúmplices voluntárias dos roubos praticados pelos tucanos de alto coturno e sobrenome "ilustre". Esta mancha, vão carregar por toda sua vida. Espero (e lembrarei sempre os mais esquecidos, nome por nome), que o eleitorado jamais reeleja tais políticos oportunistas e hipócritas: de sujeira, estamos fartos.