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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O QUE É AQUILO?

Camões Filho, jornalista, cronista, pedagogo

Conta-se que certa tarde estavam um pai e seu filho, já adulto, sentados em um banco embaixo de uma árvore. O filho, absorto, lia seu jornal; o pai contemplava a natureza. De repente um pequeno pássaro pousa à frente deles. O pai olha atento e pergunta:

- O que é aquilo?

Então o filho olha para o pássaro e responde:

- Um pardal.

O pai, continuando a olhar o pequeno pássaro, pergunta de novo:

- O que é aquilo?

E o filho novamente responde:

- Acabei de lhe dizer pai, é um pardal.

Então ao sacudir o jornal que estava lendo, para virar a página, o pássaro se assusta e voa para os galhos da árvore. Minutos depois o pássaro pousa no chão, e o pai questiona novamente:

- O que é aquilo?

O filho, já inquieto, responde com grosseria:

- Um pardal! UM PARDAL! Já lhe disse várias vezes, pai, é um PAR-DAL!

O pai continuando a olhar o pequeno pássaro pergunta mais uma vez:         - O que é aquilo?

Então o filho perde a paciência e aos berros responde:

- Por que o senhor está fazendo isso comigo, atrapalhando minha leitura? Por quê? Já lhe disse várias vezes que é um pardal, um pardal, cacete!

Nisso o pai se levanta calmamente e o filho, entre nervoso e curioso, indaga:

- Aonde o senhor vai?

O pai pede para ele esperar e entra em sua casa. Logo depois retorna com uma velha agenda em suas mãos. Procura uma determinada página e a entrega ao filho, que começa a ler.

Nisso o pai intervém, dizendo:

- Leia em voz alta!

Então o filho começa a ler a agenda na página aberta pelo pai:

- Hoje meu filho caçula, que há poucos dias fez três anos de idade, estava comigo no parque quando um pássaro pousou à nossa frente. Meu filho me perguntou 21 vezes o que era aquilo. E eu lhe respondi 21 vezes, com todo carinho, que era um pardal. E cada vez que ele me perguntava, eu respondia com toda alegria do meu coração, e o abraçava a cada pergunta sentindo-me feliz por perceber que a curiosidade daquele inocente criança demonstrava o quanto meu filho era inteligente!

Foi nesse instante que a ficha caiu e o filho largou seu jornal e abraçou seu velho pai, chorando!

E aí, como está a sua paciência com seu pai ou com os mais velhos?

Ah, e outra coisa, me responda: