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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

PENSAR GLOBAL E AGIR LOCAL:
UMA LIÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
PARA A POLÍTICA NACIONAL

Fabrício Peres, professor

Desde que me formei em Biologia, me especializei em Educação Ambiental e Completei meu Mestrado em Ciências Ambientais, passei a carregar a mensagem contida no título deste texto comigo.

Não podemos ser alienados, precisamos conhecer e nos preocupar com os problemas que afetam todo o mundo, mas precisamos ser objetivos em nossas ações, atuando onde realmente podemos fazer a diferença com eficácia garantida.

Olhando para as manifestações que ocorrem em todo Brasil e prestando atenção nas falas das pessoas nas ruas e até dos colegas de trabalho, percebo que além da falta de informação, existe tremenda falta de objetividade nas propostas e ações.

Vejo e escuto pessoas criticando duramente o Governo Federal, cobrando mais ações em campos prioritários como a Saúde, Educação, Segurança e Transportes Públicos, mas as mesmas pessoas que acidamente se dirigem contra a presidente e seus ministros parecem, muitas vezes, ignorar ou fazer de conta que ignoram os problemas que afetam suas próprias cidades.

Vejamos o exemplo de Taubaté, que mais uma vez torna-se palco de um grande conjunto de tragédias mal ensaiadas.

Nosso transporte público é caro e medíocre e teve uma das menores reduções mesmo após as grandes mobilizações sociais. Mas sem dúvida alguma, o transporte público não é o maior dos nossos problemas.

Nossa estrutura de saúde hospitalar é profundamente deficiente e até agora, nenhuma ação efetiva foi tomada para mudar a cruel realidade que sangra, deforma, invalida e mata um grande número de taubateanos.

Taubaté está na lista das cidades mais violentas do Estado de São Paulo, violência gerada em função de crescimento desordenado e clara falta de investimento em políticas sociais, porém, tudo que se faz para tentar controlar a criminalidade é espalhar policiais no centro da cidade, como se no centro estivessem todos os bolsões de criminalidade e as áreas de elevada vulnerabilidade social.

A educação caminha capenga, sem planejamento, sendo construída sobre um frágil alicerce de promessas que até agora não estão nem perto de serem cumpridas.

Não suficientes todos esses problemas, temos uma gestão comprometida por suposto envolvimento em atos ilícitos, esperando pela boa vontade da justiça para julgar aquilo que há muito já deveria ter sido julgado.
Com tudo isso, ainda vejo um grande número de pessoas que apenas dirigem suas críticas ao Governo Federal, geralmente só críticas sem ações efetivas, enquanto no próprio quintal, as coisas andam caoticamente e passam despercebidas.

É nosso direito e dever cobrar mudanças da política nacional, mas não há melhor maneira de fazer mudar do que começando a organizar a nossa própria casa, que anda abandona à própria sorte, esperando o dia em que as paredes cairão e o telhado despencará sobre seus habitantes.

Quer mudar seu país?

Então comece pela sua cidade!

Ela também precisa de você e da sua indignação.


NOTA DA REDAÇÃO: O professor Fabrício Peres pertence à rede municipal de ensino. Com outros colegas, venceu uma batalha contra o atual prefeito que pretendia puni-los sob a falsa acusação de “incitarem” greve da categoria. A Justiça mandou suspender a sindicância.