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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

SERASA TORNA PROMÍSCUA
A INTIMIDADE DAS PESSOAS

José Carlos Cataldi, advogado e jornalista

Com uma senha da Serasa Experian, os Estados Unidos ou qualquer pessoa podem saber detalhes sobre a vida de qualquer um no Brasil. Inclusive limites de crédito do ministro Joaquim Barbosa, ou o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comprou na joalheria Tiffany, a cinco de junho, uma semana antes do último dia dos namorados, como denunciou a Revista Conjur.

É com esse sistema que a Justiça Eleitoral fez convênio e por pouco não consumou o ato. A revista Conjur revelou o que venho denunciando há tempos, sobre a despudorada intromissão na vida das pessoas, por uma empresa particular que não tem sequer controle sobre seu banco de dados.

Teve gente fuçando a ficha do ex-presidente Lula, do senador Ivo Cassol, do governador Sérgio Cabral.

Você poderá dizer que são homens públicos, mas isso pode servir como instrumento de chantagem, além de servir também contra qualquer pessoa física, inclusive as mais inocentes.

Isso infringe o Código de Proteção e Defesa do Consumidor porque não dá conhecimento das informações do banco de dados ao próprio informado, impedindo, assim, que ele possa exigir a retificação de eventuais inexatidões anotadas.

As informações podem ser acessadas por qualquer assinante dos serviços da Serasa que pague 10 reais pela consulta. É possível saber que o limite de crédito do Ministro Joaquim Barbosa está na faixa dos 26 mil reais, como publicou a Conjur, depois de pagar para entrar no banco de dados.

Depois querem condenar os Estados Unidos. Basta que o Obama compre uma senha da Serasa – a censora da Nação, e ele terá a informação que quiser sobre brasileiros e residentes no Brasil.

Tremenda violação da privacidade. Virou bagunça, mesmo!

Falei e disse!