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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A FARSA DA AUDIÊNCIA
PÚBLICA SOBRE VIOLÊNCIA

Silvio Prado, professor

Amanhã, na Câmara Municipal, tem  mais uma audiência sobre a violência que atordoa Taubaté. Não há duvida que teremos o mesmo bla bla bla de sempre e, depois de todas as falas e opiniões emitidas, do fundo do baú das velhas soluções já conhecidas surgirá, mais uma vez, a solução que nada soluciona quando o assunto é violência.

Com certeza, algum engravatado da OAB, da Câmara, do Conseg ou de qualquer ONG “transpirando preocupação” com a crescente violência na cidade se verá na obrigação de formar uma comissão que, ainda este ano, deverá se reunir com o secretario estadual da Segurança Pública e a ele apresentar as reivindicações e os temores da cidade. Como outras comissões formadas no passado para discutir e achar soluções para o problema da violência está seguindo os mesmos rituais, será apenas mais uma.

Não há dúvida que haverá elogios rasgados a tal atividade delegada, assim como haverá depoimentos de oficiais da PM afirmando que a polícia tudo está fazendo para desbaratar quadrilhas e tirar de circulação todo sujeito que significa perigo para a população.

Resumindo, mais uma vez a principal solução proposta terá caráter policial. Mais uma vez vamos ouvir discursos propondo polícia, policia, policia, somente policia. Gente suplicando a presença da truculência da ROTA em todos os pontos críticos da cidade. Outros, diante da criminalidade juvenil, insistindo na flexibilização do ECA e propondo a diminuição da menoridade penal...

Como em toda audiência sobre o assunto violência, alguém representando o estado vai dizer que o estado está fazendo tudo o que pode e deve ser feito na área da segurança. Oficiais da policia militar que comparecerão ao evento, sempre obedientes aos superiores, já irão com o  discurso pronto e nem vão tocar no assunto das péssimas condições de trabalho do policial, do sucateamento da policia, dos baixos salários, da falta de preparo da tropa e até do excesso de trabalho da corporação, agora mais visível com os policiais que participam da chamada Atividade Delegada.

É claro que surgirão algumas vozes chamando a atenção para a responsabilidade do Estado no crescimento da violência. Estas vozes vão dizer, sempre em tom inflamado, que São Paulo, o estado mais rico do país, não cuida da área social como devia e trata a educação, saúde, geração de emprego, lazer, esporte e a própria segurança como coisas secundarias. Portanto, se é assim, por que tanta surpresa diante do descontrole da violência criminal em nossa cidade? Em outras palavras, o  Estado, com sua omissão na área social é o maior estimulador da violência criminal entre nós. Portanto, pelo alcance  de sua omissão proposital, é um elemento ( olha só a palavrinha que gente da policia adora usar  para se referir ao criminoso) bem mais danoso  que a soma de muitas quadrilhas que tiram o sono do cidadão.

Mas, enfim, vai acontecer amanhã mais uma audiência pública sobre a violência em Taubaté. Ou seja, teremos mais um capitulo da grande farsa montada para dizer ao governo paulista tudo aquilo que ele há muito tempo está cansado de saber e, igualmente também há muito tempo, já ´provou que não quer e nem vai solucionar. Ou alguém que vai para a tal audiência já esqueceu que o atual governador de São Paulo ainda é um anestesista de Pindamonhangaba chamado Geraldo Alckmin?