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sábado, 21 de setembro de 2013

CARTA ABERTA A ORTIZ JUNIOR

Essa carta aberta é um desabafo que faço não apenas em meu nome, mas em nome dos milhares de taubateanos que acorrem diariamente à policlínica municipal para tratamento e acompanhamento médico às suas enfermidades.

Saiba desde já, José Bernardo Ortiz Monteiro Junior, que você não merece o tratamento respeitoso que um prefeito mereceria. Por isso não o tratarei por senhor. Não o reconheço como autoridade máxima de meu município, como, aliás, a Justiça Eleitoral de Taubaté não o reconheceu, cassando-lhe o mandato.

Sua administração tem-se mostrado lastimável sob todos os aspectos. Sua tentativa de calar os professores da rede pública municipal, ameaçando os líderes do movimento com uma sindicância interna mostra o pequeno déspota que Taubaté, infelizmente, elegeu.

Antes disso, a calhordice do que seria sua administração foi demonstrada quando você tirou médicos e enfermeiros do pronto-socorro municipal para atender seu pai em casa, com o conforto que o taubateano comum não tem. Você pertence a uma dinastia de homens bem nascidos, que tratam Taubaté como sua fazenda particular.

Praticamente ao mesmo tempo seus lacaios na Câmara Municipal, eleitos vereadores graças à ajuda que você deu a eles em sua milionária campanha eleitoral, aprovaram um reajuste absurdo e extemporâneo para os secretários municipais. Um mandado de segurança impetrado pela vereadora Pollyana Gama (PPS) acabou com a farra. A Justiça impediu o reajuste.

Depois, a pressão da população impediu que a Câmara Municipal aprovasse seu projeto de terceirizar a saúde do município. Você não se intimidou com a malograda tentativa e voltou á carga. De forma transversa, aos poucos, você está entregando para a iniciativa privada a direção dos serviços de saúde do município. Nem falo da ameaça de sua antiga secretária de Saúde aos funcionários da rede pública de saúde, porque essa é outra história.

As filas no pronto-socorro, que já eram grandes na administração anterior, ficaram maiores em sua administração elitista. Há três meses uma senhora passou uma semana no pronto-socorro aguardando vaga na UTI do Hospital Regional. Morreu sem a devida atenção médica.

Seu desatroso governo, José Bernardo Ortiz Monteiro Junior, conseguiu piorar o que já era ruim. Não se marca mais consulta diretamente na policlínica municipal. O paciente há que marcá-la via postos médicos. A canalhice da administração que você comanda fica latente nesse ato: o posto médico entra em contato com o paciente para avisá-lo quando será realizada a consulta, desde que você tenha telefone e aceite ligação a cobrar. Se isso não é o fim da atual administração pública de Taubaté, estamos perto dela.

Você, José Bernardo Ortiz Monteiro Junior, está me processando por calúnia, injúria e difamação. O processo, 625.01.2012.015780.-0/000000-000, tramita na 3ª Vara Criminal de Taubaté. Você pede minha condenação por escrever sobre sua vilania durante a pré e a campanha eleitoral. Você alegou uma possível doença (seria estomacal?) e não compareceu ao julgamento marcado para o dia 21 de agosto de 2012. Nesse dia, você deu uma longa entrevista à imprensa local  para “explicar” que sua cassação pela Justiça Eleitoral teria sido equivocada.

Fui orientado por meu advogado a me retratar. Ele quer o melhor para mim. Quer me livrar de uma possível condenação, mas estou cada vez mais propenso a demonstrar, em juízo, minha indignação.  Não pretendo retirar uma vírgula do que escrevi sobre você, José Bernardo Ortiz Monteiro Junior, pois estou cada vez mais convencido que a razão me assiste. Sua tentativa de me calar via Poder Judiciário é inócua. Não me vergo ante um aprendiz de caudilho. Não o reconheço como prefeito dessa urbe quase quatrocentona.

Encerro esta carta com um desafio à presidência da Câmara Municipal: permita-me usar a tribuna livre para ler essa carta aberta, um manifesto em defesa da população desvalida, que não consegue marcar consulta na policlínica municipal. São milhares de diabéticos, hipertensos e cardíacos que Necessitam.de acompanhamento médico para suas enfermidades.

NOTA DO BLOG 1: Peço aos colegas jornalistas e radialistas que reproduzam, na medida do possível, esse manifesto de indignação contra o caos que se instalou no atendimento á saúde pública de Taubaté.

NOTA DO BLOG 2: Leia aqui sentença do ínclito ministro Celso de Mello, acerca a liberdade de imprensa. Só os caudilhos e seus aprendizes tentam calar jornalistas ameaçando-os com processos criminais.