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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CONTRIBUIÇÃO PARA A CP QUE A
CÂMARA DEVERIA INSTALAR HOJE

Esta tarde (04/09), finalmente, a presidente da Câmara Municipal de Taubaté, vereadora Graça (PSB), põe em votação pedido do vereador Salvador Soares (PT) para abertura de uma CP (comissão processante) que investigue as ações eleitorais do prefeito cassado Ortiz Junior (PSDB).

Foi preciso os vereadores da oposição (Pollyana Gama, Salvador Soares e Vera Saba) impetrarem mandado de segurança para que a instalação da CP fosse votada em plenário.

A negativa da concessão de liminar pela Vara da Fazenda Pública de Taubaté mostra a sensatez do juiz Paulo Roberto da Silva, que deu prazo para a Câmara Municipal se manifestar antes de julgar o mérito do pedido da oposição.

Não foi uma vitória da Mesa da Câmara nem uma derrota para os vereadores oposicionistas. Os vereadores terão que decidir em plenário a instalação ou não da comissão processante.

A decisão esdrúxula da vereadora Graça, ao decidir unilateralmente arquivar o pedido do vereador Salvador Soares, não tem paralelo na Câmara Municipal de Taubaté. Pressionada, a vereadora “decide” que o ploenário é soberano para decidir.

Finalmente, o crédulo eleitor taubateano saberá quais são os vereadores  dispostos a investigar o prefeito cassado. Motivos não faltam. A sentença da Justiça Eleitoral, condenando Ortiz Junior à perda do diploma de prefeito eleito é um sintoma da situação periclitante do réu.

A “coragem” da vereadora Graça, ao colocar a proposta oposicionista em votação, pode ter sido motivada pelo aval do chefe do Executivo e de reuniões, possivelmente secretas e particulares, com vereadores da bancada governista.

A oposição terá os votos de Pollyana Gama (PPS), Noilton Ramos (PSD), Salvador (PT) e Vera Saba (PT).

Os independentes Alexandre Villela (PMDB), Carlos Peixoto (PMDB), Jeferson Campos (PV) e Luizinho da Farmácia (PR) devem aprovar o pedido de instalação da comissão processante.

Até aqui seriam oito votos favoráveis à CP. É preciso 13 votos.

A vereadora Graça (PSB) é parte interessada e poderia se abster de votar. Seu marido, Edson Aparecido de Oliveira, é vice-prefeito cassado. A vereadora não precisará votar sem se abster por ser, também, presidente da Câmara Municipal.

Mesmo sem o voto da vereadora Graça, o prefeito cassado ainda conta com maioria no legislativo: 10 vereadores.

Será interessante conferir os votos e as justificativas dos vereadores João Vidal (PSB), líder do prefeito; Joffre Neto (PSB), o catão da Vila São Geraldo, que combateu ferozmente a corrupção no governo Peixoto, mas fechou os olhos para as denúncias de corrupção no governo atual, e Rodrigo Luís Silva – Digão (PSDB), guindado à presidência do diretório municipal do partido no início desse ano.

Após a sessão de hoje, não tenho dúvida que amanhã teremos uma nova bancada da vergonha circulando pelo Facebook.

Caso, por um aborto da natureza, a Câmara aprove a instalação da comissão processante, quero desde logo sugerir nomes que podem ser ouvidos. Com certeza, os nomes indicados farão revelações importantes para o futuro político de Taubaté.

Os nomes estão em ordem de importância de cada um no processo fraudulento que culminou com a cassação do prefeito eleito.

Marcelo Pimentel – foi o principal marqueteiro de Ortiz Júnior. Sua agência coordenou desde a pré-campanha os passos do tucano até sua eleição no segundo turno, em 28 de outubro de 2012.

Arcione Viaggi – professor universitário, dono de uma empresa de telemarketing, foi um dos coordenadores da campanha eleitoral de Ortiz Júnior. Ocupa o cargo de assessor para assuntos políticos do prefeito cassado.

Chico Oiring – na condição de um dos principais coordenadores da campanha tucana, participou do governo de transição e denunciou o esquema fraudulento que teria sido utilizado por Ortiz Junior  para financiar sua campanha eleitoral.

Gladiwa Ribeiro – A ex-chefe de gabinete de Bernardo Ortiz conhece as peripécias de Ortiz Junior na FDE e suas ligações com empresários para, possivelmente, fraudar licitação para o fornecimento de mochilas ao órgão estadual.

José Eduardo Bello Visentin – advogado, protocolou na FDE a primeira denúncia de possível formação de um cartel de empresas para vencer uma licitação de R$ 40 milhões para o fornecimento de mochilas escolares. Falaria sobre o assunto  na Tribuna livre da Câmara. Foi impedido de se pronunciar por uma manobre regimental.

Djalma Silva Santos – empresário, pivô das denúncias que levaram a bancada do PT na Assembleia Legislativa a protocolar na 4ª Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital pedido de investigação por improbidade administrativa de José Bernardo Ortiz e seu filho, Ortiz Júnior.

Edsson Quirino (Chacrinha) – Coordenou todo o trabalho de campo da campanha tucana em 2012.

Norberto Ribeiro – advogado, ex-funcionário da FDE, teria sido um dos cabos-eleitorais contatados para trabalhar na FDE por Bernardo Ortiz.

Vera Dátola Iqueda – presidente da Casa Mulher & Vida, poderia ser convocada para  esclarecer as doações que recebeu da FDE antes das eleições de 2012.

Há outros nomes importados de Taubaté para trabalhar na FDE com o compromisso de “ajudar” Ortiz Junior na campanha eleitoral.

Como se denota, não são denúncias políticas como quer fazer crer o vereador João Vidal (PSB), o mais perfeito substituto de Chico Saad (PMDB) na Câmara Municipal.

O que investigar há. Depende da vontade política dos vereadores.