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domingo, 8 de setembro de 2013

FAÇO JORNALISMO POLÍTICO
E CRÍTICO HÁ TRINTA ANOS

Há um ano, no dia sete de setembro, passava por um cateterismo no Hospital Regional. Era uma tarde de sexta-feira. Meu infarto havia começado na quarta-feira (5/09), quando fui atendido pela equipe do posto médico da Gurilândia, mas a história que pretendo contar é outra.

Neste sábado (7/09), arrumava freneticamente minha estante improvisada. Remexia meus livros e bugigangas para colocá-los em ordem. Encontro alguns jornais que havia arquivado, todos referentes aos primeiros anos de meu trabalho no jornalismo.

Encontrei entre meus guardados a primeira e única edição do Jornal da Praia, que circulou em Ubatuba entre 15 e 30 de novembro de 1979. Foi meu primeiro contato com o jornalismo. Meu amigo Barbosa Filho foi o diretor de redação e minha amiga Yára de Carvalho a jornalista responsável.


Minha primeira experiência jornalística foi com o Jornal da Praia. Todos os textos são da lavra de Barbosa Filho

Fiquei orgulhoso ao ver meu nome impresso no jornal. Barbosa entrevistou Dercy Gonçalves, então com 72 anos de idade, cobriu a palestra de D. José Antonio do Couto, bispo de Taubaté, nas comemorações do 342º aniversário de Ubatuba. Acompanhei tudo, mas não escrevi uma linha sequer.

Minha primeira grande matéria para o ValeParaibano foi a comemoração dos 25 anos de fundação da Rádio Difusora de Pindamonhangaba, publicada numa terça-feira, 9 de setembro de 1980. Lá se vão 33 anos.

Reli matérias que fiz para a Folha de S. Paulo, como a vitória do Palmeiras sobre o Taubaté, publicada no dia 11 de outubro de 1981, e a manchete do sanguinolento Notícias Populares, de 30 de abril de 1983: “Vendeu a irmã por dez mil cruzeiros”, sobre uma matéria que fiz em Caçapava.

Trabalhava na sede do ValeParaibano em São José dos Campos. Logo fui guindado ao posto de colunista político. O jornal, naquela época, sem a concorrência da televisão, tinha grande influência política na região, graças à visão do jornalista Bouéri Neto.

Em 5 de abril de 1984, há 29 anos, portanto, pressionado pela direção do jornal para escrever um comentário crítico ao prefeito de São José dos Campos, que interveio na empresa de ônibus do dono do jornal, Ferdinando Salerno, redigi um texto denunciando o próprio jornal.

Naquela época tinha três filhos pequenos, pagava aluguel e me deslocava todos os dias, de ônibus, àquela cidade, pois sempre morei em Taubaté. Sabia que perderia o emprego, mas minha honra nunca esteve à venda e assim se mantém até hoje.

Não aceitei a oferta de emprego feita por Robson Marinho. Agradeci a preocupação do prefeito de São José dos Campos, mas respondi que o texto refletia a minha convicção, nada mais.

Naquela época, redigíamos nossas matérias em laudas, que depois eram usadas pelo diagramador para desenhar a página. Em seguida o texto passava pela fotocomposição e, depois, pela revisão, antes do past-up, até sua impressão.

Não podia ser claro no texto para não chamar a atenção da revisão. Fui metafórico porque meu desejo era tornar público o que se passava entre o colunista político e a direção do jornal.

Paguei a ousadia com a minha demissão, que só aconteceu um mês depois, mas não dei meu braço a torcer nem me curvei diante do poder do dinheiro.

Aqui, a coluna que custou minha demissão do jornal.

Note que no mesmo dia publico comentário crítico ao então prefeito José Bernardo Ortiz pela demissão de seu diretor de Cultura e vice-prefeito Augusto Ambrogi.