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terça-feira, 3 de setembro de 2013

INVESTIGAR? JAMAIS!

Silvio Prado, professor

A ordem é defender Ortiz Junior e não permitir que seja aberta qualquer investigação que levante dúvidas ou crie certezas sobre o uso que ele fez de verbas da educação para custear suas aventuras eleitorais.

O negócio na câmara taubateana é ficar esperto, isolar a bancada oposicionista e matraquear no ouvido da população que o desejo de investigar  Juninho obedece a um plano eleitoral do PT, esse partido desgraçado, comunista, corrupto, antidemocrático, oportunista, fdp mesmo, que logo logo, após a Copa do  Mundo, o Quinzinho Barbosa vai dar jeito de julgar e condenar até o último militante e depois convencer a presidenta Marina (sim, a Marina) a ceder o Maracanã para ser uma prisão coletiva petista e assim acabar com a lorota esquerdoide que mergulhou esse pais num lamaçal vermelho.

A ordem é defender Junior, porque defender o menino Ortiz também significa defender o Alckmin que já não sabe o que fazer para calar o matraqueado da oposição alardeando o caso Siemens, Alstons, trens do metrô fora dos trilhos, pois Alckmin não quer e  não pode permitir que, além desses casos, surja também para a opinião pública o caso FDE e seus milhões de reais torrados em mochilas, parabólicas compradas e não entregues, merenda superfaturada, grana desviada para eleição e tantas outras  mutretas e desvios que só cabem nos largos números matemágicos tucanos.

Portanto, em nome da blindagem do Alckmin, que vá para o espaço o mandato da presidente da câmara, uma moça tão boazinha e obediente, serviçal perfeita, vaso florido importado da Independência para decorar a mesa da câmara, capaz de ato de improbidade só para garantir as regalias do menino do Bonfim e do legume de Pinda.

Por isso, nada de vacilo. Tem de chamar o Salvador de oportunista, safado, bandido, inescrupuloso, irresponsável, sempre obrigando o jurídico da câmara a enxergar inconstitucionalidade até no último penteado diferente da Vera Saba, encher a boca da Poliana de papel jornal, proibir o holandês Barbosa Filho de dar palpites em problemas locais e pedir que a juíza que sentenciou o prefeito arrume uma justificativa qualquer e despache o  Irani Lima para a solitária do mais lotado e desconfortável cdp da região, sem direito a celular, visita intima e papel higiênico, nunca também esquecendo de mandar o Fernando Borges de volta pra Lorena, esse cara que tem manias esquisitas e fica trazendo deputado do Psol para falar mal do Alckmin e esculhambar o Juninho.

Portanto, a ordem está dada: investigação, nem pensar, mesmo que haja dados substanciais provando que a investigação é necessária e que se for feita vai pegar também muito padre, pastor, lideres comunitários, diretores de escola, professores universitários, jornalistas e vereadores, vendedor de picolé, enfim, mais de mil insuspeitíssimos cidadãos taubatenos, todos participantes de um esquema perfeitamente perfeito, ágil, astuto, que encheu alguns bolsos mas esvaziou de neurônios a cabeça de pelo menos cem mil eleitores.

Portanto, para que Alckmin não caia, Junior precisa ficar em pé, altivo, prefeito eterno e perfeito, sem macula, símbolo do homem bom que Taubaté gerou quando, há quatrocentos anos passados, aqui foi destruída a primeira aldeia indígena e sobre ela construída a perversão e a imoralidade que até hoje tomam conta de nossa vida política e nos mantém num atraso de causar dó.