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domingo, 1 de setembro de 2013

MUITO ALÉM DO MARIDO

Silvio Prado, professor

O vereador Salvador Soares afirmou que a vereadora Graça, a presidente da Câmara Municipal de Taubaté está preocupada em salvar politicamente seu marido, Edson Oliveira, vice prefeito, acusado e cassado pela justiça juntamente com o prefeito Ortiz Junior.

Na quarta-feira, quando Graça chamou para si a responsabilidade de impedir que o pedido do vereador do PT para investigar o prefeito fosse discutido e votado pela Câmara, ela se dispôs a salvar muito mais que o marido.

Na sua atitude estava embutida a determinação tucana de varrer da Câmara Municipal todo e qualquer questionamento sobre o governo Junior. O PSDB, não só em nível local, mas também nacional, não pode admitir que a partir de Taubaté tenha início uma investigação aprofundada sobre o relacionamento criminoso dos tucanos com as verbas da educação paulista.

A investigação proposta pelo PT não será uma investigação caseira e nem ficará restrita ao âmbito da política local. Ela, diretamente, envolverá o governador Geraldo Alckmin, a figura que colocou nas mãos de Bernardo Ortiz (pai) a chave do cofre da FDE.

Segundo a justiça, com a chave do cofre na mão, o pai Bernardo presenteou o filho Junior com verbas e condições que levaram a montagem de um fantasioso conto que envolveu e ludibriou cem mil eleitores taubateanos. Portanto, investigar Junior em Taubaté é abrir um rombo no casco do navio comandado por Geraldo Alckmin.

Mais do que salvar o marido cassado, Graça, obediente ao esquema geral dos tucanos, na quarta-feira fez o que fez sob o silêncio constrangedor do restante da casa, apoiada pela ginástica verbal de João Vidal e pelo destempero do Digão, que viu no pedido de investigação oportunismo eleitoral.

Na sua fala, Digão esqueceu que a sua notoriedade política e a sua segunda eleição devem-se muito ao fato de que, na gestão passada, ele, cumprindo sua função de vereador, foi um dos principais investigadores do prefeito Peixoto. Agora, aturdido pelo que sabe e não pode falar, só lhe resta classificar como oportunismo eleitoral o cumprimento de um ato respaldado e exigido pelas leis do país.

Quem esteve ontem na Câmara Municipal e ouviu meia hora da explanação do deputado Carlos Gianazzi (PSOL), certamente teve acesso a muitas das razões que levaram a vereadora Graça a defender com unhas dentes o patrãozinho Ortiz Junior.

Entendeu também porque João Vidal fez ginástica verbal na defesa do prefeito.

Entendeu também porque a base do prefeito, silenciosa como uma dúzia de minhocas, apenas ouviu e quase dormiu. Carlos (Gianazzi) é um conhecedor profundo das muitas mutretas tucanas que se dão em torno dos cofres da educação.

Silvio Prado