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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

NAUFRÁGIO: SÓ TRÊS SE SALVAM NO
AFUNDAMENTO DO "DR. PEDRO COSTA"

A timoneira do navio naufragado é a vereadora Graça (PSB), presidente da Câmara Municipal de Taubaté. Seus imediatos, os vereadores Joffre Neto (PSB), João Vidal (PSB) e Rodrigo Luís Silva – Digão (PSDB) conduziram a vergonhosa votação que culminou na rejeição da abertura de comissão processante para investigar possíveis fraudes que teriam sido cometidas pelo prefeito cassado Ortiz Junior, para arrecadar fundos para a sua milionária campanha ao Palácio do Bom Conselho.

Marinheiros de primeira viagem como os vereadores Bilili de Angelis (PSDB), Diego Fonseca (PSDB), Douglas Carbonne (PC do B), Nunes Coelho (PRB), Paulo Miranda (PP) e Luiz Henrique Neneca (PDT) rejeitaram o pedido, “convencidos” a votar contra porque o compromisso desses parlamentares com o prefeito cassado é anterior ao pleito eleitoral.

A CP vergonhosamente arquivada com apoio de tão “nobres” edis poderia esclarecer de onde saiu o dinheiro que bancou certas campanhas eleitorais. Quem financiou a gasolina, os “santinhos” e os cabos eleitorais  dos candidatos? A CP poderia esclarecer essas dúvidas. Na verdade, antes de proteger o prefeito cassado, esses vereadores protegeram a si mesmo.

Embora navegando pela primeira vez no navio “Dr. Pedro Costa”, não se pode dizer que o vereador João Vidal (PSB) seja um inexperiente marinheiro de primeira viagem. Ele assumiu o posto de capitão (líder do prefeito) no navio naufragado e se porta como verdadeiro bastião da moralidade pública ao reduzir a uma simples querela política o pedido de seu colega de legislativo. Esquece-se o parlamentar que a Câmara Municipal é uma casa política, onde se faz política 24 horas por dia.

O catão da Vila São Geraldo tergiversou. Arrogante, cumpre o papel ridículo que assumiu ao defender o prefeito cassado. Com evasivas, Joffrer Neto (PSB) colocou-se à altura de seus colegas camaristas Luizinho da Farmácia (PR), Carlos Peixoto (PMDB) e Jeferson Campos (PV), que ele tanto criticou por ocasião da comissão processante que absolveu o ex-prefeito Roberto Peixoto (sem partido). Os três tem a estatura de um rodapé.

Alexandre Villela (PMDB) tem que madrugar para apresentar seu programa matinal na Rádio Metropolitana e se ausentou da votação. Uma situação cômoda para o vereador, que não precisou dar satisfação de seu voto para o patrão. Seria desagradável ter que explicar um possível voto a favor da CP para quem sempre esteve muito “próximo” do prefeito tucano. Aliás, rádio e candidato foram multados por propaganda eleitoral antecipada. Perderam os recursos apresentados, inclusive o de Brasília (TSE).

Outro voto contrário foi o de Noilton Ramos (PSD), que já militou na Casa “Dr. Pedro Costa”. Acreditei que o vereador pudesse votar a favor da instalação da CP. Enganei-me. Lembro ao caro leitor que Noilton só é vereador graças à expressiva votação da vereadora Pollyana Gama (PPS), que o ajudou a se eleger. A vereadora Maria Gorete (DEM) também já viajou no navio “Dr Pedro Costa”, quando ele estava ancorado em outro porto. Governista, a vereadora conhece bem como foi o financiamento da campanha dos aliados de Ortiz Junior. Seu voto não foi uma surpresa. Foi uma constatação de sua fidelidade.

O vereador Rodrigo Luís Silva – Digão (PSDB), presidente do diretório municipal do partido do prefeito cassado, votou contra a instalação da CP. Se acredita que o gesto pode facilitar uma possível candidatura a deputado, o vereador tucano pode começar a trabalhar para se reeleger vereador. Os Ortizes não admitirão, como nunca admitiram, o surgimento de novas lideranças políticas em Taubaté.

A vereadora Maria da Graça (PSB), premida pela opinião pública, colocou em votação a instalação da CP, mas já sabia que o plenário rejeitaria a proposta de Salvador Soares (PT). Por uma questão de sobrevivência, a vereadora retardou o mais que pode a votação. Deu tempo para Ortiz Junior articular a bancada dos “descontentes”, que só queriam um agrado do prefeito. Pelo jeito, cada um conseguiu seu pirulito e parou de fazer birra na Câmara Municipal.

O voto do vereador Jeferson Campos (PV), que faz questão, sempre que pode, de atacar o empresário Djalma Santos pelas denúncias que levaram à cassação de Ortiz Júnior, tem a cor e o cheiro da mais explícita adesão de um vereador ao governante de plantão. Foi assim com o ex-prefeito Roberto Peixoto e é assim com José Bernardo Ortiz |Monteiro Junior. Afinal, a esposa do vereador foi gerente de área na administração anterior e ocupa outra gerência no governo atual. Impossível dissociar os interesses familiares dos interesses políticos.

Pobre Taubaté!

Na legislatura anterior, dos 14 vereadores, pelo menos quatro eram de oposição, ou seja, 28,5%. O porcentual foi reduzido pela metade: dos 19 vereadores atuais, o prefeito cassado pode contar com 16 votos, ou seja, meros 15,5% são oposição (3 vereadores).

A esperança taubateana é que Pollyana Gama (PPS), Vera Saba (PT) e Salvador Soares ponham o dedo na ferida quando preciso for e denuncie o que de errado estiver acontecendo nos porões do Palácio do Bom Conselho.