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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PARA ENTENDER O MODO
COXINHA DE PENSAR

Antonio Barbosa Filho, jornalista

DELFT (Países-Baixos) - Não é fácil compreender o modo de pensar de algumas pessoas que insistem em defender um capitalismo atrasado e dependente para o Brasil, e todas as ações dos políticos de direita, mesmo as mais arbitrárias ou corruptas. Tenho encontrado pessoas assim nas redes sociais: dizem ser adeptas do diálogo e do debate democrático, mas na quinta linha estão "jogando na minha cara" (como se eu tivesse algo a ver com isso) o "mensalão do PT", ou a "ditadura em Cuba". Não importa o tema que se esteja discutindo, o discurso dessas pessoas vai acabar nesses dois tópicos - e elas repetem o que leram na veja ou  no PIG durante mais de sete anos, diariamente. "Mensalão" virou um mantra que os proteger quando expomos suas contradições e erros de informação.

Os fatos não importam. Provas de alta corrupção tucana são descartadas como "coisa de petista". Juízes, polícia e investigadores da Suíça  da França, dos EUA, das Ilhas Virgens Britânicas, todos são "petistas" quando localizam e bloqueiam dinheiro de propina recebido por destacadas figuras do PSDB e partidos conservadores. Tenho amigos que considero honestos, que se enquadram, infelizmente, nesse perfil de radicalismo e auto-engano. A maioria, porém, só pode ser gente de má-fé mesmo, que ama a corrupção dos seus e o atraso político, e cultiva um ódio primitivo a Lula, Dilma, PT e ao povo brasileiro, ao qual se consideram superior.

Nem falo daquelas senhoras que por terem algum dinheiro, tentam posar de verdadeiras aristocratas. Mas quando abrem a boca, é para desejar a morte de semelhantes, torcer pelo câncer de um ou de outro, e até insinuar infâmias contra famílias que nem conhecem. Bocas-sujas, usam linguagem de bordel ou de cortiço, adoram a fofoca mais chã, e afirmam-se "cristãs", "do bem" e outras mentiras evidentes. Não acertam uma, quando se metem a fazer prognósticos políticos. Falta-lhes conhecimento histórico e sociológico para a mínima análise de fatos; falta-lhes humildade para assumir erros e buscar um aperfeiçoamento pessoal e intelectual. Elas estão sempre certas, mesmo que a História contrarie tudo que dizem: é uma cegueira voluntária, carregada de ódio, preconceitos e baixarias.

Já busquei em textos de Psicologia e Filosofia uma definição deste perfil humano, pois tenho certa propensão a querer ajudar pessoas tão carentes de sensibilidade e de tolerância. Acredito na conversão do homem e sei que não é porque erraram até hoje que estão destinadas a uma vida inteira de alienação. Até essas pessoas podem aprender algo, assim como certamente um dia poderão ensinar algo, pelo menos a seus filhos.

Finalmente, no livro "Plato and a Platypus walk into a Bar...", escrito por dois filósofos norte-americanos (Thomas Cathcart e Daniel Klein), que usam o humor para explicar conceitos filosóficos básicos, encontrei uma piada que me iluminou sobre as mentes dessas pessoas. Espero que elas entendam e captem a sutileza do raciocínio:

"Dois homens estão tomando o café da manhã. Enquanto um deles está passando manteiga no pão, diz: 'Você já notou que se você derrubar uma fatia de pão, ela sempre cairá com o lado da manteiga para baixo?'

O segundo homem responde: "Não, eu aposto que parece ser assim porque dá um trabalhão limpar a sujeira quando ela cai com a manteiga para baixo. Aposto que ela cai tantas vezes para baixo como para cima".

O primeiro diz: "Ah, é? Então veja isso". Ele larga a fatia de pão que cai ao chão com o lado da manteiga para cima!

O segundo, então comemora: "Viu, eu não te disse?"

E o primeiro (certamente de mentalidade tucana) não admite o FATO: "Já sei o que aconteceu: eu passei a manteiga do lado errado".

* * *
Outra historinha que se aplica aos coxinhas e similares, trata do pavor que eles têm de um "comunismo" que estaria às portas do Brasil (alguns juram que já vivemos numa ditadura de esquerda!):

"Todas as manhãs uma mulher sai à porta de casa e grita bem alto para o céu: 'Mantenha esta casa livre dos tigres!'. E volta para dentro.

Finalmente, um vizinho lhe pergunta: "O que significa isso? Não existem tigres num raio de mil quilômetros daqui".

E ela: "Viu? Está funcionando"...

* * *

Prá encerrar, duas frases que contém o chamado "Paradoxo de Russel", ou seja, qualquer resposta que você der estará certa e errada ao mesmo tempo. É para os leitores atingidos exercitarem um pouco seus cérebros, um tanto enferrujados por tanta leitura de veja e outros panfletos da direitona midiática:

Verdadeiro ou falso: "Esta sentença é falsa"

e

Se um homem tenta fracassar e tem sucesso, o que ele fez?