Páginas

sábado, 7 de setembro de 2013

PROTESTO NECESSÁRIO

Silvio Prado, professor

Domingo passado, numa reveladora reportagem exibida pelo Fantástico ficaram escancaradas as práticas de espionagem dos Estados Unidos sobre o Brasil.

Em outros tempos, diante de atos como esse, setores nacionalistas, populares ou de esquerda iriam imediatamente para as ruas protestando contra a violação da soberania nacional.

Atos públicos seriam feitos em frente às embaixadas norte-americanas e até bandeiras daquele país seriam impiedosamente queimadas. Muito barulho seria feito.

Coincidentemente, as revelações sobre espionagem foram feitas exatamente no primeiro dia da chamada Semana da Pátria. O que o Fantástico exibiu foi tremendamente ofensivo para os brasileiros e não basta que a presidente Dilma cancele uma viagem que faria no final do ano para uma rodada de negociações com o governo Obama.

É preciso mais. No dia 7 de setembro (dia da Independência Nacional que não existe), quem for para as ruas deveria ter como referência e motivação o repúdio que precisa ser mostrado contra a arrogância norte-americana.

A atual Semana da Pátria, também coincide com a ofensiva diplomática e midiática estadunidense preocupada em legitimar uma ação militar criminosa contra a Síria, país mergulhado numa guerra civil e acusado de usar armas químicas contra seu povo. 

Os americanos querem e não abrem mão de um ataque contra aquele país prometendo um castigo rápido e efetivo, e não uma guerra de ocupação, como fez e faz no Iraque e Afeganistão. 

A maior e mais cara máquina de matar do mundo já está devidamente preparada para outra incursão sanguinária. Obama, o Nobel da Paz que adora sangue alheio, se preciso passa por cima das decisões da ONU (ONU, o que é isso?) e desencadeia um conflito que tem tudo para arrastar inúmeros outros países para uma carnificina sem fim.

Quem tem ainda metade de um neurônio na cabeça percebe que, de forma urgente, é preciso ser colocado um basta na ofensiva militarizada dos Estados Unidos. Ofensiva que se dá também por uma ampla e minuciosa estrutura de espionagem, necessária para satisfazer seus interesses econômicos e respaldar seus atos de guerra.

Por isso, urgentemente, é muito salutar recuperar algumas práticas consagradas de protesto contra o imperialismo americano. Que tal, como sempre se fez, queimar em cada cidade do país uma quantidade sem fim de bandeiras norte-americanas?

É claro que os coxinhas da classe média brasileira, ridiculamente pintados de verde amarelo e abraçados a uma bandeira nacional, não toparão um negócio desses preferindo ficar no blá blá blá da ética e coisinhas afins.

O fato é que não se deve esperar outra coisa de quem foi devidamente adestrado para esse tipo de teatro infantil e já se preparou para, no dia 7, ir às ruas com o mesmo espírito de quem regularmente vai para o shopping fazer compras ou tomar sorvete.