Páginas

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DO BRASIL AO PAQUISTÃO, POR
UMA EDUCAÇÃO SEM REPRESSÃO

Fabrício Peres, professor

Eu não seria tolo ou ingênuo a ponto de comparar, sem os devidos cuidados e proporções, realidades tão diversas quanto às do Brasil e do Paquistão. Porém, apesar das diferenças, me arrisco a fazer algumas comparações quanto às restrições a um dos mais sagrados direitos conquistados pela humanidade, o direito à Educação e se possível, Educação de Qualidade.

A emocionante e louvável luta de Malala pelo direito das meninas/mulheres à educação é um exemplo de resistência e de reconhecimento sobre a importância da Educação na mudança de uma sociedade, além de destacar o importante papel da mulher na política em sua condição mais plena.

Excluir as mulheres, os pobres, os negros, os deficientes, ou qualquer outro grupo do processo educacional, é a forma mais maldosa, porém eficiente de estabelecer uma relação de dominação sobre um grupo específico ou sobre toda uma sociedade.

Felizmente no Brasil, pelo menos oficialmente, não sofremos com esse problema. As mulheres tem livre acesso às escolas, embora em um passado ainda recente, as coisas não fossem bem assim, pois as próprias famílias, muitas vezes, limitavam a educação das mulheres por não reconhecerem como processo necessário.

Apesar da inclusão das mulheres, aqui no Brasil ainda enfrentamos sérios problemas com relação a outros grupos, que geralmente são classificados como minorias marginalizadas. É o caso dos deficientes, que ainda contam com estruturas precárias para o seu atendimento educacional, dos negros, descendentes de escravos africanos e historicamente abandonados pela sociedade elitista e principalmente os pobres, que independentemente da cor, do sexo ou da condição física, são excluídos por uma sociedade que ainda está muito distante da tão desejada justiça social.

Os resultados ruins da Educação Brasileira nos exames internacionais mostram que nosso país, que muito cresceu nos últimos vinte anos, ainda engatinha quando o assunto é educar adequadamente a sua população. Consequentemente, a própria população tem dificuldades para reconhecer a importância da Educação Formal em seu desenvolvimento econômico, cultural e social.

Podemos dizer que no Brasil, ao longo de sua história de dominação por grupos provenientes das altas classes, houve a institucionalização da exclusão sócio-educacional, afinal informação acompanhada de formação adequada é a mais eficiente arma contra qualquer processo de dominação.

Ainda tomando cuidado com as proporções, aproveito para comparar as agressões impostas a menina Malala, com as agressões ocorridas contra os Professores manifestantes no Rio de Janeiro, além de muitas outras agressões silenciosas que ocorrem no Brasil inteiro.

Se por um lado podemos aceitar a ideia de que não sofremos com ataques de terroristas, por outro, devemos ser tomados por enorme preocupação, pois no Brasil, são os próprios governos que atacam violentamente aqueles que gritam contra a mais violenta forma de dominação, a exclusão sócio-educacional.

Retomando um pouco a questão do Preconceito contra as Mulheres, venho destacar que segundo informações do MEC/ INEP-2007, as mulheres são grande maioria no grupo dos professores, principalmente até o final do Ensino Fundamental, (as informações podem ser verificadas neste link).

Se as mulheres são grande maioria entre os Professores da Educação Básica, desrespeitar e desvalorizar os professores é uma forma de degradar a educação, impor o controle social e ainda discriminar o gênero que compõe mais de 50% da população nacional.

Nossos terroristas (governantes) atacam descaradamente os professores e consequentemente o processo educacional e utilizam a mídia corrompida para fazer a população pensar que Educação de Baixa qualidade é culpa exclusiva do professor. Dessa forma, alguns governos "matam dois coelhos com uma só cajadada", mantendo a população encurralada sob seu domínio e "economizando" verbas com a mais essencial de todas as profissões, assim considerada em qualquer sociedade minimamente organizada.

É lógico que não temos apenas monstros nos governos, pois algumas medidas, embora ainda insuficientes, estão sendo tomadas para tentar reduzir o suplício dos profissionais da educação e o abismo de exclusão causado pela baixa qualidade educacional.

Medidas como a Redução da Jornada dos Professores em Sala de Aula, estabelecimento do Piso Nacional do Magistério, Redução do Número de Alunos nas salas de aula, investimentos mais maciços em Merenda Escolar, Livros didáticos e Inclusão Digital, estão sendo tomadas pelo Governo Federal, porém, muitas delas, principalmente aquelas que não facilitam os desvios de verbas para os bolsos e campanhas de prefeitos e governadores, são dribladas ou simplesmente não aplicadas pelos indigestos "gestores" dos municípios e estados.

Não podemos esquecer que o nosso silêncio diante das atrocidades de governos medíocres e mal intencionados, não apenas corroboram com o baixo desenvolvimento da Educação, mas também podem favorecer o retrocesso.

Participação política não é apenas direito, mas também dever de todo cidadão.

"Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda", dizia Paulo Freire.